11 September 2005

ainda o Katrina

Para além de toda a tragédia humana que o Katrina expôs era bom pensarmos realmente o quão frágil estamos perante a força da Natureza e como a menosprezamos diariamente em gestos arrogantes que ciclicamente se voltam contra nós.
Muita da desgraça de New Orleans foi provocada pelos seus próprios habitantes e planeadores. A desvastação não teria sido tão grande se toda a cidade não estivesse construída 60 cm abaixo da linha do mar, com um sistema de diques e bombas, impreparados para algo como o Katrina.
Daqui se deviam tirar ilações aplicáveis a outras cidades como... Lisboa.
Lisboa, onde se constrói em leitos de cheias como Alcântara, onde se interrompem rios subterrâneos com túneis de metro e rodoviários como no Marquês de Pombal, onde se alteram as oscilações das marés que durante 3 séculos têm mantido a Baixa de pé com a contrução de parques de estacionamento.
Se as previsões do aumento do nível das águas em 1 metro em 50 anos se confirmarem pensem bem no que será destruído em Portugal. Locais como a Costa da Caparica simplesmente deixarão de existir (estarei a imaginar uns sorrisos?). Mais longe, os Países Baixos deixariam de existir.
A-s-s-u-s-t-a-d-o-r.

Quem semeia ventos, colhe tempestades.

3 comments:

  1. os tufoes que passam por taiwan teem sido de iguais ou maior intensidade do que o Katrina, os estragos sao consideravelmente insignificantes quando comparados a New Orleans:
    1o. - em Taiwan nao se constroiem cidades abaixo do nivel do mar, protegidas das aguas com paredes de resistencia a furacoes ate' categoria 3, quando se sabe que furacoes de categoria 5 acontecem varias vezes em cada 100 anos;
    2o. - em Taiwan, aprendeu-se ao longo de varios seculos que a ilha era de facto exposta a tufoes e dai a legislacao que regulamenta a construcao, tem isso em consideracao.

    Os USA parecem que nao aprendem com os erros e continuam a construir mansoes de papel e quase decerteza que New Orleans ira' ser de novo reconstruida 'a base de Papel, tal como a Florida o foi apos a destruicao pelo furacao Andrew em 91.

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  2. Não concordo com essa ideia do "quem semeia ventos colhe tesmpestades".

    Passo a expôr a minha ideia: no outro dia, fiquei pasmado a ouvir o António Vitorino na RTP1, a dizer que a administração Bush tinha gerido mal o problema, que os diques eram fracos, que New Orleans estava 60 cm abaixo do nível do mar, que ow Estados do Louisiano e do Mississippi eram maioritariamente negros e que, nos EUA, ainda não se tinha ultrapassado o problema da questão racial, que as casas americanas não estavam preparadas para este tipo de problemas, que a protecção civil não estava devidamente preparada para o Katrina, etc etc etc! Vitorino referiu ali uma data de coisas que, na sua visão, a serem feitas, teriam evitado ou diminuído o problema.

    Eu apenas pergunto uma coisa: porque é que eu não ouço ninguém a admitir e a conformar-se com a ideia de que estas catástrofes naturais são mais fortes que nós e que, definitivamente, nós (seres humanos) pouco ou nada podemos fazer para evitá-las?!??!

    Será que ninguém compreende que o Homem nunca terá total controlo sobre a natureza? Será que ninguém percebe que tufões, terramotos, tsunamis, furacões, dilúvios, quando acontecem, causam sempre grandes catástrofes humanas?!?!

    Não temos de culpar este ou aquele. Temos de aceitar isto como um facto natural! O que podemos fazer é actuar mais rapidamente no pós-catástrofe. Os EUA, realmente, demoraram muito a reagir, isso é uma verdade. Mas não podemos dizer que este desastre era evitável. Não era!!!

    Vejamos o seguinte: o Katrina "andou" pelo mar registando o grau nº5. Quando chegou a terra, registava o grau 3. Os diques de New Orleans só aguentavam tufões de grau inferior a este nível. Assim, choveram críticas! Mas, digam-me: se o Katrina tivesse chegado a terra no grau 5 iriam dizer o quê? Que os diques não eram suficientemente fortes na mesma! Imaginando, claro, que os diques eram melhores... a tragédia iria acontecer na mesma.

    O sentimento que eu vejo na comunidade mundial é um bocado do estilo: "os EUA tanto fazem, tanto acontecem, que até é bem feito quando lhes acontece destas coisas. É para verem que não são tão fortes assim". Isto é um sentimento geral, mas muito camuflado. Muitos sentem isso, mas não o dizem. É triste ver como até em catástrofes, há pessoas que dividem as coisas entre países ricos e países pobres: quando é na Tailândia, coitadinhos, porque estão ali abandonados ao frio e à chuva; quando é nos EUA, eles que se amanhem, são ricos e poderosos, têm de saber lidar com a situação.

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  3. Anonymous9:06 AM

    best regards, nice info
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