A exposição terminou ontem e eu lembrei-me que nunca aqui vos mostrei algumas imagens da montagem em que participei no início de setembro na lx factory. fui buscá-las e aqui ficam.
Há uma cidadezinha no Japão que se chama Obama. Obama em japonês quer dizer "pequena praia". A cidade entrou em histeria com o candidato a presidente dos estados unidos, Barack Obama e tratou de usar essa coincidência a seu favor. Ele é t-shirts, bandeiras, cartazes, bolos tudo com a cara do senador e o indispensável:
I Y OBAMA!
A publicidade tem sido tanta que o próprio Barack Obama já vei dizer umas palavrinhas simpáticas sore a relação EUA-Japão.
Ver InSight America, um projecto da magnum para retratar a américa nas eleições.
é uma vontade que tem a muito boa gente por esse mundo fora. se tem tanto impacto na nossa vida deveríamos poder votar nas eleições dos estados unidos!
Isto é o que se chama "vestir a camisola" de uma causa. A Triumph Japan lançou este soutien para alertar para o número alarmante de sacos de plástico consumidos no Japão (cerca de 3o biliões, sendo que 30% são deitados fora sem nunca serem reutilizados)
Não sei da practibilidade deste soutien, mas tenho a certeza que se o estivesse a usar e decidisse tirar o saco das compras o supermercado parava.
Ainda não percebi qual é a hora certa. Às 9:00 já não há jornais ou ainda não há? Às 11:30 já terminaram ou nunca vieram? Não consigo perceber o raio da hora certa para apanhar o gratuito metro às segundas. É que gosto de ler o Vasco Barreto. Felizmente ele cai-me sempre no colo entregue pela Maria João Pires*, mas o que querem, um jornal é um jornal, não gosto tanto de ler no ecran...
Mais um vídeo genial da Nagi Noda desta vez para os Scissors Sisters. No Youtube só encontrei uma versão cortada (sacanas) mas aqui podem ver a versão completa.
É um bocadinho spoiler mas quem quiser ver como o vídeo foi feito pode ver aqui o making of.
Até há exactamente 14 dias nunca tinha ouvido falar do nome de Nagi Noda. Esta super mulher directora de clips, estilista, designer, CRIATIVA-como-eu-sei-lá passou-me ao lado estes anos todos! A alegria de a ter descoberto foi ensombrada por ter sido num post do Nipofilia a falar da sua morte. Bolas... acabou? Não vamos voltar a ser surpreendidos? Chuif chuif... Que tristeza.
Vale-nos o seu legado. É preciso tempo e alguma paciência para saltar uns caracteres japonese mas é uma alegria passear pelo site da Nagi Noda! Vão! Vão!
O meu luto tem sido feito a ver vezes sem conta este vídeo que Nagi Noda fez para a música Sentimental Journey da cantora Yuki:
(Se acham que isto e tal é tudo Photoshop dos vídeos vejam meeeeeeeeesmo até ao fim.)
Trabalho novo em bairro antigo. Visitas a obras. Projecto do mirrorcities a dar uns passos. Abstract e powerpoint para conferência no Porto no sábado. Convites de casamento e preparação de celebração (not mine!). Amigos a divorciarem-se. Crianças a nascer. Outras em dificuldades. Coração apertado. Braços abertos.
A Embaixada do Japão tem o prazer de divulgar o evento : "Anime Japão!", nos próximos dias 20 e 21 em Lisboa e dia 23 no Porto. Os interessados poderão consultar toda a informação em:
Tento combinar um jantar com uma amiga japonesa que vem a Lisboa. Diz-me que partirá de Tóquio dia 28 de Agosto, chegando a Lisboa dia 1 de Setembro depois de passar uns dias com uma amiga na Holanda. O marido chegará dia 7 e dia 9 irão a Madrid e Toledo, por dois dias e meio.
Chegaram ontem de manhã e foram almoçar à Ericeira com um casal amigo. Hoje vão fazer algumas compras, talvez visitar algo e às 19 encontramo-nos para jantar. O marido parte amanhã de manhã.
Há qualquer coisa no tempo japonês que eu não consigo entender.
Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão... estou perdido.
Sushi lover apresenta, em exclusivo, a versão do famoso texto de Almada Negreiros adaptado ao século XXI.
"Entrei no Google. Pus-me a contar o número de sites e ligações a páginas e quantos anos terei de sanidade mental. Não chegam nem para o Blogger! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão... estou perdida!"
Eu sou daquelas pessoas que corre para a sala de cinema antes do filme começar para ver os trailers! Adoro trailers, adoro como sintetizam a história sem contar tudo, adoro como assustam, emocionam, fazem rir, assim em 3 minutinhos. Um filme do Sylvester Stalone é um espectáculo no trailer (quem se lembra do "Daylight"? Nem vi o filme, o trailer era bom demais!) Adoro trailers antes de ver o filme do trailer e depois de ver o filme do trailer! Rever momentos que gostei, ver sempre uma ou outra cena que não aparece no filme, ver como a sequência da história é às vezes trocada... E claro, above all, adoro vozes de trailers, imito vozes de trailers, vibro com vozes de trailers, imagino-me casada com uma voz de trailer!
Mas hoje, disse-me o Yahoo, um hipotético pretendente morreu. A verdade é que tinha mais 40 anos que eu, mas ainda tinha a voz!
Fiquei tão imbuída pelo projecto do Peter que hoje passei o dia a colocar tijolos de 3 cm na maquete de 2 x 2 m do museu Kolumba. E sabem que mais? Adorei!
Corre à boca pequena que o Peter Zumthor vai apanhar a lowcost da easy jet e mostrar-nos as maquetes lá do atelierzito dele. Ao que parece já prometeu jantar com a Guta Moura Guedes no sábado, mas antes (disse-me um passarinho) ainda come um pastel de nata com a malta.
Assim imbuída do bom espírito da arquitectura suíça fui repescar umas fotos da única obra do senhor em que pus os pés e toquei com as mãos, o museu Kolumba em Colónia.
Também hoje curiosamente fui logo dar com este texto hoje a partir de um link do cidadaniaLX. E viva a Suíça!
Hesito quando penso no que me faria mais feliz. Um emprego 9 às 17 (ou 11 às 20) e desligar completamente quando se sai do trabalho? Ou ser patrão de si próprio sem horários mas supostamente fazendo aquilo que se gosta? Ou ter o emprego das 9 às 17 e trabalhar freelance depois do "expediente"? Ou ser dona de casa com marido rico? A estabilidade do ordenado certo ao final do mês? Ou lançar-se em projectos que ninguém sabe o que darão? Os fins-de-semana a ler? Ou a trabalhar para si? Ou a trabalhar para outro? Quem me dera ter a receita da minha felicidade. E levantar-me mais cedo já agora.
Já há algum tempo que não punha uma foto da Prada de Tóquio, um dos meus edifícios preferidos de sempre. Se, em geral, até não seja grande fã da "arquitectura-enche-o-olho" que é tantas vezes pouco mais que tecnologia, este edifício enche-me as medidas e apesar das dezenas de visitas que fiz nunca parou de me surpreender.
Hoje apareceu-me há pouco pelo site chileno Plataforma Arquitectura, que é uma alegria diária, este video da loja Prada em Tóquio feito por outra equipa chilena, a 0300TV, cujo site também é uma alegria e disponibiliza um sem fim de vídeos de arquitectura.
Há algo que me atormenta já lá vão 6 anos! Em 2002 os a-ha lançaram um album chamado Lifelines que tinha esta capa lindíssima:
A foto é estonteante e por umas outras que vi na altura parecia-me uma pala de um estádio. Mais pesquisas de internet e parece que é em Cuba. Mas onde? E é o quê?
Sempre gostei de americanos. Não da "América" (conceito a evitar perto de habitantes da América que não sejam os Estados Unidos) mas das pessoas, de um certo modo de estar na vida, da garra. Também não todas mas sempre tive a felicidade de conhecer muitos e "bons" americanos. Mesmo sendo verdade que às vezes são demasiado centrados em si próprios, e é detestável a mania de querer sempre "ajudar outros povos" e limpar a sua consciência de país opulento com uma política externa altamente duvidosa. Mas não quero estar aqui a lembrar o que de mau tem a cultura americana mas mostrar-vos um vídeo, que tem corrido o mundo desde que Randy Pausch, um professor da universidade de Carnegie Mellon morreu com um cancro no Pancreas, a 25 de Julho deste ano. O vídeo é a sua "Última Aula".
Randy Pausch é um daqueles americanos que eu gosto. Não tem um ar especialmente inteligente e tem um péssimo corte de cabelo mas tem uma capacidade inspiradora que vem da sua alegria infantil, o seu entusiasmo por coisas "não sérias" que são tão ou mais sérias como outras, a sua garra pela vida e completa paz consigo próprio.
Este tipo de entusiasmo infantil em Portugal é muito censurado, mesmo com o mundo cheio de exemplos de ideias aparentemente estapafúrdias que se revelam coisas maravilhosas para o tantos. Quem se desvia do "caminho" é olhado de lado e há tão pouca tolerância para ideias diferentes! E pior que falta de tolerância, há desdém, há sabotagem, há castração. Mas não adianta falar dos "outros", quem faz a nossa vida somos nós.
Há sempre duas maneiras de olhar para as coisas, o meu cinismo (não sou assim tão diferente dos outros) podia chamar a isto uma grande lamechice e show-off mas hoje quero contrariar a nuvem negra, hoje quero um pouco da minha alegria infantil. Afinal este senhor morreu mesmo e podemos sempre aprender algo com outra pessoa, principalmente com o que ela escolheu dizer antes de morrer.
Houve um dia no mirrorcities (ver dia 15 Julho) em que comparávamos bibliotecas entre Lisboa e Tóquio e a minha era uma foto da nova biblioteca desenhada pelo Toyo Ito para a Universidade de Arte de Tama, numa pequena cidade perto de Tóquio. A biblioteca é linda, é dos edifícios mais elegantes, equilibrados, bonitos mesmo que já vi. Perspira Kann por todos os poros e achei que mereciam mais algumas fotos. As do interior são meio manhosas porque era proibido tirar fotos (foi por valores mais altos - cof cof - como mostrar-vos!). Para verem fotos melhores, com artigo e tudo é só seguir o link da dezeen.
A Sara relembra, neste post, os Verões em que era "obrigada" a ir às Termas da Curia. Eu cá nunca fui "obrigada" a nada disso, só aos Verões entediantes no Algarve (na adolescência somos tão difíceis de contentar) e tenho pena (agora, claro). Mais pena tenho ainda de não poder visitar as termas nos finais do séc. XIX, cheias de bailes e dias relaxados mergulhados em água quente (e fria e tépida). E lamento as termas que posso visitar hoje...
Hoje em dia as termas portuguesas dividem-se entre as que apodrecem na decadência, as que são transformadas em spa-tipo-piscina ou as que são transformadas em spa-tipo-belize. Poucas ou nenhumas têm preços acessíveis e debitam o vocabulário moderno de wellness, life experience, fitness, resort, spa e misturam-se com outras actividades que vêm sempre a calhar como golfe e golfe ah e às vezes também golfe.
Entretanto do outro lado do mundo ir às termas pode ser tão simples como isto:
Mas bom, é sempre complicado competir com mais de 2000 anos de história (conhecida) de usufruto de fontes termais naturais que são mais de 16000 pelo Japão.
Há uns anos passou na televisão um programa chamado "Anúncios de Graça". Mostravam uns anúncios brasileiros tão bons tão bons que ainda hoje são tão bons tão bons e muitas expressões foram adoptadas pelo meu grupo de amigos!
Hoje decidi passear pelo you tube a relembrar os serões dos anos 90.
Foi uma experiência fantástica esta de um blog diário de contrastes entre duas cidades! E estou mesmo feliz por ter a ginja como partenaire! É sempre mais complicado fotografar a cidade que conhecemos tão intimamente mas ela surpreendia todos os dias com ângulos e pontos de vista tão originais! Foi para mim um redescobrimento de Lisboa ao mesmo tempo que me perdia por Tóquio, sempre surpreendente em cada esquina! Agora gosto de passear por Lisboa e continuo sozinha a fazer mentalmente montagens de contrastes entre Lisboa e Tóquio! É viciante!
O projecto mirrorcities vai continuar em outros formatos. Saibam mais aqui.
Ryu-Kyu [Okinawa] manteve, desde remotas eras, relações commerciaes e outras com a China e com o Japão, sendo alguns dos seus productos bastante apreciados. Mendes Pinto conta ter recebido, no Japão, varios presentes de abanos e de abanos léquios. Léquios e ilhas léquias eram os nomes que davamos então, por corrupção, à gente e às ilhas de archipelago de Ryû-Kyû. A denominação de abanos lequios simplificou-se certamente, com o correr dos tempos, para lequios, ou leques; e o termo persisitiu para designar os objectos similares.
Wenceslau de Moraes em Fernão Mendes Pinto no Japão, Separata de O Commercio do Porto, 1920, pp.13-14.
Algures, diz [Fernão] Mendes Pinto [em Peregrinação] que certo individuo levava uma canona na mão, o que nos faz convencer de que , no tempo em que elle escreve, o termo tinha significação identica à do termo francez aind hoje em uso, canne. N’outro lugar, diz Mendes Pinto que um outro individuo levava na mão uma canna de Bengala. Devemos pois concluir que, com o andar dos tempos e o emprego frequente das cannas de Bengala, a simples palavra bengala, passou a designar o utensílio. E não esqueça a phrase, ainda hoje em voga: uma bengala de canna da India.
Wenceslau de Moraes em Fernão Mendes Pinto no Japão, Separata de O Commercio do Porto, 1920, p.12.
19 July 2008
Esta foto já foi tirada em 2005 em Nihonbashi (e aqui na altura publiquei outra montagem), zona animada em auto-estradas umas-por-cima-das-outras. Agora descobri este set no Flickr do Ken Ohyama que mostra muito melhor que eu a beleza destas estruturas monstruosas.
Lá em baixo na rua o rapaz do jipe aumentou o som do cd que toca no carro para toda a rua ouvir. Chego-me à janela e penso que vou gritar lá para baixo que muito obrigado pela gentileza mas também tenho um leitor de cd's! Depois repenso e abro mais a janela para deixar entrar a Casa da Mariquinhas cantada pela Amália e a brisa fresca da noite lisboeta.
Leio na revista Ler uma entrevista com Zadie Smith que às tantas revela (bom, a mim que não o sabia) que na verdade se chama Sadie mas decidiu trocar o S pelo Z. Soa bem melhor Zadie - penso eu - e se eu também trocasse o meu S? Sara, ficava Za... Pois, não.
Dizes que com a música nos ouvidos fico abstraída da cidade, das pessoas. Que não ouço os carros, as crianças, os sons da cidade. Que a cidade passa a ser um cenário. Que eu fico desligada, distante do mundo que percorro.
Furoshiki é uma tradição japonesa de embrulhos que tem assistido a um revivalismo na actual corrente ecológica que percorre todo o mundo e também o Japão, onde o consumo de sacos de plástico é desmesurado. Consiste essencialmente num quadrado de tecido que com diferentes técnica e nós se transforma em diferentes sacos e modos de embrulho.
Há várias técnicas que permitem embrulhar livros, garrafas, bolas, fazer bolsas e mochilas!
Como fazer uma bolsa:
Como carregar livros:
Parece que a tradição nasceu no séc. XVII quando as pessoas embrulhavam os seus pertences a caminho dos Banho Públicos (Furo quer dizer Banho). Completamente desembrulhado servia de tapete enquanto o utilizador se vestia, depois reuniam-se os pertences, 4 nós e já está uma mala! A técnica também é utilizada como um modo requintado de embrulhar presentes. (assim, assim e assim).
Furoshiki é uma alternativa tradicional e ecológica e, para os fans de origami, um divertimento!
Na foto no metro de Tokyo aviso aos passageiros que durante a hora de ponta a primeira carruagem do comboio é reservada apenas a mulheres. Esta foi a solução encontrada para proteger as mulheres dos apalpadores. “O homem japonez, melhor seria dizer – o guerreiro, - é tudo. A sua vontade é indiscutível, sagrada. O que elle quer, é o que elle faz. Tudo o que o rodeia, lhe deve obediência. Até parece que as aves cantam só para elle, que as arvores dão sombra e fructos só para elle, que as flores rescendem só para elle, na doce escravidão de o servirem, de o glorificarem, de o cercarem de confortos e deleites. A mulher, n’este estado de illusão particular da existência, não se furta á lei única, entra na categoria dos pequeninos, e vem saudar o seu senhor e tornar agradáveis as suas horas de ócio. Da ramada de cerejeira á musumé, pouco vae: aquella uma só vez no anno se cobre de galas, esta tem artes de florir constantemente em seducções, de eternisar a sua primavera. Fica assim definido o seu destino: preservar-se, cuidar-se, ser bella, mas para offerecer-se, não para dominar. "
"Assim, naturalmente, impozeram-se ao bando feminino tres estradas distinctas a trilhar (…). É a guesha, a mulher-flor, enfeitiçando pelo seu perfume, pela sua arte de galanteios, pelos rythmos da sua guitarra e dos seus cantares. É a mundana, a mulher-fructo, acordando um desejo, um appetite, expondo-se, offerecendo-se á dentada gulosa do rei da terra. É finalmente a mulher-mãe, o principio perpetuador da espécie, o engenho universal da vida desde planta até ao homem, merecendo as attenções desveladas, o abrigo no lar, o respeito q a cercam. Ou guesha, ou mundana, ou mãe, em torno d’esta trindade borboletea um mundo neutro de creadinhas no primeiro frescor dos annos, e de velhas que já vão dobando quasi a termo a ultima meada da existência. (...)" Wenceslau de Moraes, em O Dai-Nippon (O Grande Japão).