Gosto de balanços. Durante muito tempo não associava o fim-de-ano com um período de mudança. Com a vida determinada pelos ciclos académicos, Setembro, Outubro, o final do Verão é que me fazia pensar e aguardar esperançosamente o ano (lectivo) seguinte. Agora não. Agora a minha vida é regida por ciclos profissionais e Setembro já não faz tanto sentido com as férias de 3 meses reduzidas a 10 dias. Quanto ao balanço… Durante algum tempo, desde que voltei do Japão, achei a vida aborrecida. Depois de Tokyo tudo parece aborrecido. Agora que páro um bocado é que vejo como estive enganada. Desde que voltei do outro lado do mundo comecei a trabalhar a sério num atelier grande com muitos desafios, fiz novos amigos, conheci o amor da minha vida, saí de casa a ferro e fogo, morei num bairro histórico com erasmus, voltei a Oslo, voltei a Londres, fui a Nova Iorque, voltei a Florença, voltei a Madrid, fui a Colónia, fiz o raio-do-estágio e tornei-me miraculosamente arquitecta, mudei de bairro e começámos a viver juntos, fui ao meu primeiro festival de Verão e repeti a dose, vi os Pixies, Bloc Party três vezes, Arcade Fire duas vezes, The National e mais uns quantos, os amigos também se emanciparam, alguns decidiram até casar e outros separaram-se. Que raio de dois anos tão cheios, dois anos que
neste post me pareciam ser um interregno, uma fase calma, moribunda antes de acontecer qualquer coisa… Afinal prometiam tanto e cumpriram muito mais. Quem era eu há dois anos? Quem serei eu daqui a outros tantos?