já cá estou. a tentar escrever cartas e postais.
http://nippondiaries.blogspot.com/
27 February 2008
26 February 2008
14 February 2008
breaking away
O cansaço faz-me fechar os olhos... Já vejo o ecran desfocado mas um espírito de cumprimento de dever faz-me não vacilar. Amanhã é o último dia de trabalho no atelier onde passei o maior período da minha vida profissional e o local onde aprendi e cresci mais, sem qualquer dúvida. Luto no AutoCAD para deixar o meu trabalho completo e fechado numa pasta pronta a passar à pessoa seguinte e sinto-me tão apegada "ao meu projecto" mesmo sabendo que já foi de tanta gente antes e será de tantos mais depois de eu sair. Olho para a sala à minha volta e sinto-me nostálgica, olhos os meus colegas e penso de quem terei saudades, com quem manterei o contacto e lamento aqueles que sei que irão quase desaparecer da minha vida, devagarinho afastandao-se. Tive alguns dias maus aqui, mas também sei que no fim só lembro as partes boas, as amizades, o companheirismo, o crescimento profissional e pessoal, os almoços, jantares e noitadas e sei que terei saudades. À noite quando a porta bater atrás de mim estarei livre e pronta para mais uma aventura. Mas antes disso uns copos no bairro para comemorar!
13 February 2008
countdown
Os dias passam a voar e falta tão pouco para eu voar mesmo para o outro lado do mundo. O meu humor oscila várias vezes ao dia, às vezes encho-me de medo e penso mas que raio estou eu a fazer?, o que é que eu vou ganhar com isto?, onde vou ficar, o que vou visitar, onde ir, é tanto tempo, é tão pouco tempo... Felizmente, a maior parte do tempo estou simplesmente com um sorriso nos lábios por mais uma oportunidade de voltar ao Japão. Estou com muito pouca concentração e passo o dia todo em daydreaming...
12 February 2008
aqui não sou bem eu
Encontrei este texto neste blog que exprime bem o que também eu sinto neste blog.
Vestir-me.
O quê? Para quê? Para quem?
Qualquer coisa, não posso vestir. Para não ter frio, para não ser objecto de comentários desagradáveis. Um bocadinho para mim e um bocadão para os outros. Porque se fosse só para mim, então vestia qualquer coisa. Não me daria a ver a ninguém, por isso nem sequer me preocuparia em vincar as calças, escovar uma nódoa ou engraxar as botas.
Escrever.
O quê? Para quê? Para quem?
Qualquer coisa, não posso escrever. Para não destapar a minha intimidade, para não ferir susceptibilidades. Um bocadinho para mim e um bocadão para os outros. Porque se fosse só para mim, então escrevia sobre tudo o que me vai na alma. Não o daria a ler a ninguém, por isso nem sequer me preocuparia em corrigir as gralhas, eliminar as palavras repetidas ou reler o texto.
Aqui, os textos são o meu guarda-roupa. As palavras, se não forem do tamanho certo, vão apertar-me as articulações ou cair-me pelas pernas abaixo. A pontuação, essa, tem de ser aplicada com parcimónia, pois os acessórios em excesso podem tornar-me numa montra de bijuteria. Os erros têm de ser procurados à lupa e cosidos à máquina em costuras reforçadas. E o estilo, que tem de ser escorreito, pode umas vezes ser sóbrio e outras ornamentado, em função da ocasião. Só assim estarei apresentável.
Vestir-me.
O quê? Para quê? Para quem?
Qualquer coisa, não posso vestir. Para não ter frio, para não ser objecto de comentários desagradáveis. Um bocadinho para mim e um bocadão para os outros. Porque se fosse só para mim, então vestia qualquer coisa. Não me daria a ver a ninguém, por isso nem sequer me preocuparia em vincar as calças, escovar uma nódoa ou engraxar as botas.
Escrever.
O quê? Para quê? Para quem?
Qualquer coisa, não posso escrever. Para não destapar a minha intimidade, para não ferir susceptibilidades. Um bocadinho para mim e um bocadão para os outros. Porque se fosse só para mim, então escrevia sobre tudo o que me vai na alma. Não o daria a ler a ninguém, por isso nem sequer me preocuparia em corrigir as gralhas, eliminar as palavras repetidas ou reler o texto.
Aqui, os textos são o meu guarda-roupa. As palavras, se não forem do tamanho certo, vão apertar-me as articulações ou cair-me pelas pernas abaixo. A pontuação, essa, tem de ser aplicada com parcimónia, pois os acessórios em excesso podem tornar-me numa montra de bijuteria. Os erros têm de ser procurados à lupa e cosidos à máquina em costuras reforçadas. E o estilo, que tem de ser escorreito, pode umas vezes ser sóbrio e outras ornamentado, em função da ocasião. Só assim estarei apresentável.
10 February 2008
um ano a tentar fugir do mundo adulto
Uma começou por brindar ao trabalho, seguiu-se o tempo para os amigos, a estabilidade, os (futuros) bébés e eu lá tentei equilibrar as coisas com viagens, muitas viagens.
Para 2008 não quero estabilidade, deus sabe que quero distância de bebés (meus) e trabalho só se for pouco e bem pago (utopia) mas por todo o lado vejo amigos a casar, comprar casa, estáveis nos seus empregos precários e crianças, muitas crianças que me fazem perceber que eu já não sou uma delas, que passei para o outro lado da barricada... mas não me lembro quando é que isso aconteceu. De qualquer maneira este ano será dedicado a evitar qualquer tipo de estabilidade exceptuando a emocional (e a manter-me à tona da água financeiramente).
Para 2008 não quero estabilidade, deus sabe que quero distância de bebés (meus) e trabalho só se for pouco e bem pago (utopia) mas por todo o lado vejo amigos a casar, comprar casa, estáveis nos seus empregos precários e crianças, muitas crianças que me fazem perceber que eu já não sou uma delas, que passei para o outro lado da barricada... mas não me lembro quando é que isso aconteceu. De qualquer maneira este ano será dedicado a evitar qualquer tipo de estabilidade exceptuando a emocional (e a manter-me à tona da água financeiramente).
28 January 2008
will eisner
15 January 2008
porque é um direito
A Sic apresentou a notícia amplamente divulgada noutros meios da senhora que reclamou num restaurante e acabou condenada por difamação. A história é insólita, confesso, mas o que me indignou foi a reportagem em si. Depois de resumir o incidente a jornalista coloca um questão aparentemente simples: “Será que esta médica voltará a pedir o livro de reclamações?” e termina com um “conselho”: “pense duas vezes antes de pedir o livro de reclamações”!!!! Fiquei abismada! Ok, não era o canal 1, logo não posso falar de serviço público, mas esta gente tem noção do que diz?! Ninguém reviu a reportagem? Para além de ser uma incorrecção jornalística (a senhora não foi acusada de difamar o restaurante por ter pedido o livro de reclamações mas por, alegadamente, ter gritado “a comida é uma porcaria” e afugentado os outros clientes do restaurante) é um conselho à auto-censura, àquele medinho tão português que polula nos comentários anónimos e nas conversas de café. Aquele “falam, falam e eu não os vejo a fazer nada” – um dos retratos mais cruéis da mentalidade portuguesa! Fiquei incrédula frente ao ecrã… uma peça feita por uma jornalista, supostamente os maiores defensores da liberdade de expressão! Felizmente a senhora que reclamou num restaurante e acabou condenada por difamação disse que ia continuar a reclamar se assim o entendesse, “porque é um direito”. Ufa! E eu, vou reclamar para a Sic.
13 January 2008
two more years
Gosto de balanços. Durante muito tempo não associava o fim-de-ano com um período de mudança. Com a vida determinada pelos ciclos académicos, Setembro, Outubro, o final do Verão é que me fazia pensar e aguardar esperançosamente o ano (lectivo) seguinte. Agora não. Agora a minha vida é regida por ciclos profissionais e Setembro já não faz tanto sentido com as férias de 3 meses reduzidas a 10 dias. Quanto ao balanço… Durante algum tempo, desde que voltei do Japão, achei a vida aborrecida. Depois de Tokyo tudo parece aborrecido. Agora que páro um bocado é que vejo como estive enganada. Desde que voltei do outro lado do mundo comecei a trabalhar a sério num atelier grande com muitos desafios, fiz novos amigos, conheci o amor da minha vida, saí de casa a ferro e fogo, morei num bairro histórico com erasmus, voltei a Oslo, voltei a Londres, fui a Nova Iorque, voltei a Florença, voltei a Madrid, fui a Colónia, fiz o raio-do-estágio e tornei-me miraculosamente arquitecta, mudei de bairro e começámos a viver juntos, fui ao meu primeiro festival de Verão e repeti a dose, vi os Pixies, Bloc Party três vezes, Arcade Fire duas vezes, The National e mais uns quantos, os amigos também se emanciparam, alguns decidiram até casar e outros separaram-se. Que raio de dois anos tão cheios, dois anos que neste post me pareciam ser um interregno, uma fase calma, moribunda antes de acontecer qualquer coisa… Afinal prometiam tanto e cumpriram muito mais. Quem era eu há dois anos? Quem serei eu daqui a outros tantos?
07 January 2008
vou voltar
Lisboa, 30 de Outubro de 2007
Exma. senhora,
No seguimento da sua candidatura a uma bolsa de curta duração, venho por este meio comunicar que a Fundação Oriente decidiu-lhe atribuir uma bolsa de estudo para a realização de uma visita de estudo ao Japão no âmbito do projecto O Banho Japonês - do O-furo à Onsen.
Esta bolsa contempla o pagamento de um subsídio único de (...) e o pagamento de uma viagem Lisboa/Tóquio/Lisboa, mediante compra a efectuar por estes serviços.
Lembro ainda que... (etc etc etc)
Com os melhores cumprimentos,
Direcção Internacional
Exma. senhora,
No seguimento da sua candidatura a uma bolsa de curta duração, venho por este meio comunicar que a Fundação Oriente decidiu-lhe atribuir uma bolsa de estudo para a realização de uma visita de estudo ao Japão no âmbito do projecto O Banho Japonês - do O-furo à Onsen.
Esta bolsa contempla o pagamento de um subsídio único de (...) e o pagamento de uma viagem Lisboa/Tóquio/Lisboa, mediante compra a efectuar por estes serviços.
Lembro ainda que... (etc etc etc)
Com os melhores cumprimentos,
Direcção Internacional
03 January 2008
01 January 2008
17 December 2007
15 December 2007
01 December 2007
véspera de entrega mood
Trabalhar muito, dormir pouco, coordenar tarefas, manter a inteligência, a aparência, o sorriso e a boa disposição.
Mais difícil que ser mulher é ser arquitecta. Nem quero imaginar o que é ser mãe (e arquitecta).
Mais difícil que ser mulher é ser arquitecta. Nem quero imaginar o que é ser mãe (e arquitecta).
executiva a recibos verdes
Se achavam que ainda me passeava por terras germânicas, enganaram-se. Já fui e já voltei,com um renovado respeito pelos "homens de negócios" que partem por essa Europa fora para reuniões noutros países. É que acordar meio de madrugada num país, apanhar um avião, sair do aeroporto, tomar um duche, almoçar e ainda gastar 6 horas no atelier deixa qualquer um de rastos. Se é para ser assim tenho que arranjar dinheiro para a classe executiva.
22 November 2007
when they get what they want they never want it again
And the sky was made of amethyst
and all the stars look just like little fish
you should learn when to go
you should learn how to say no
might last a day yeah
mine is forever
might last a day, yeah
well mine is forever
when they get what they want they never want it again
when they get what they want they never want it again
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything take everything take everything i want you to
And the sky was all violet I want it again, but more violet, more violet
hey, i'm the one with no soul
one above and one below
go on, take everything take everything i want you to
go on, take everything take everything i want you to
i told you from the start just how this would end
when i get what i want i never want it again
go on, take everything take everyting i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on take everything take everything take everything take everything
and all the stars look just like little fish
you should learn when to go
you should learn how to say no
might last a day yeah
mine is forever
might last a day, yeah
well mine is forever
when they get what they want they never want it again
when they get what they want they never want it again
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything take everything take everything i want you to
And the sky was all violet I want it again, but more violet, more violet
hey, i'm the one with no soul
one above and one below
go on, take everything take everything i want you to
go on, take everything take everything i want you to
i told you from the start just how this would end
when i get what i want i never want it again
go on, take everything take everyting i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on take everything take everything take everything take everything
19 November 2007
secret meeting
O que me vai fazer passar esta semana a saltitar de alegria enquanto termino um projecto de execução "à abrir" é saber que no sábado voarei a caminho de Colónia para ver a nova obra do Zumthor e estes*. Ich liebe Köln. Und dir.
* só mesmo para fazer inveja ao Lourenço.
* só mesmo para fazer inveja ao Lourenço.
09 November 2007
a lisboa que amanhece
É uma Lisboa diferente a que circula às 7 da manhã. É ensonada, silenciosa, cansada, rabugenta. Mas parece que no estádio universitário há quem corra por prazer. Eu continuarei a esforçar-me por evitar a vida a essa hora.
02 November 2007
the boring life
Nunca ouvi uma música sobre a vida just as it is. Uma música que falasse do aborrecimento de morte das filas de trânsito, dos transportes públicos cheios, de todos os dias ter que cozinhar qualquer coisa, de ir buscar e pôr os filhos à escola, de ter que regar as plantas, de gastroentrites, do tédio no trabalho e dos colegas chatos. Será que os músicos têm vidas assim tão diferentes de todos nós? As músicas em geral falam de coisas bonitas, mesmo quando são tristes. Falam de amor, mesmo não correspondido ou trágico. Falam de dúvidas existenciais, falam de viagens, falam de momentos especiais. Mas não falam dos milhares de momentos não especiais que ocupam os nossos dias. Ou falam?
01 November 2007
30 October 2007
subway death
Primeiro foi aquele chiar da travagem forçada. Eu estava dentro da carruagem e não percebi logo. Na plataforma as pessoas abraçavam-se, corriam, levavam as mãos à cabeça, gritavam, choravam com o horror nos olhos. Foi então que entendi e instintivamente desatei a chorar. Dizem que é a minha costela beirã que me faz largar lágrimas tão facilmente. Acalma-te, vá lá. Não consigo, como me posso acalmar quando alguém decidiu cometer uma brutalidade destas? É domingo e está sol. Lá fora está um maravilhoso dia de outono. Porque é que hoje alguém decidiu saltar para a linha na estação de Arroios?
26 October 2007
Sei, porque sinto que há algo de irracional e previsível em mim, que um dia eu vou gostar de crianças. Vou achar que trazer um ser ao mundo compensam choros e fraldas e crises de adolescência. Sim, um dia vou deixar de ser tão auto-centrada e querer, como muitos, ter filhos. Mas parece-me longe esse dia.
Felizmente.
Felizmente.
25 October 2007
intermitentes
Por uma legislação que considere as especificidades do seu trabalho a Plataforma dos Intermitentes lutas todos os dias. Divulga, luta, apoia, pensa. A união faz a força.
24 October 2007
world origami day
Hoje é o Dia Mundial do Origami. Como não tenho nenhum bonito para a fotografia coloquei aqui uma peça fantástica da Kitty-San, uma verdadeira mestra nesta arte. As coisas fantásticas que se fazem só com papel.
subway life
Abriu a carteira e começou a contar as moedas, 1€, 50 cts, 20 cts, 5 escudos -não, parecem 20 cts mas n são, são de um tempo cada vez mais distante-, esta é de 10cts. O homem do acordeão afastava-se cada vez mais na carruagem. Que pensava ele fazer? Correr atrás? 20 cts, 10 cts, encosta de novo a de 5 escudos. De repente as portas abriram-se e o acordeão deixou de se ouvir. Ouvi as moedas resvalarem de novo para dentro da carteira e guardou-a de novo no bolso. Que pensava ele?
23 October 2007
a barriga na rádio
Em podcast aqui a entrevista de Daniel Carrapa ao Pedro Rolo Duarte.
(com um bocadinho de Caetano Veloso a mais)
(com um bocadinho de Caetano Veloso a mais)
21 October 2007
oops

Dizem os blog-expert que a melhor maneira de acabar com um blogue é fazer longas pausas, terminar e depois voltar, enfim, parecer inconstante... Isso faz com que os leitores percam o interesse e desapareçam. Acabei de me lixar porque decidi voltar. Terei que assumir que sim, sou inconstante. Damn. Mas o que fazer quando a nossa vida é também ela inconstante? Percebi que a vida não se arruma, puxa-nos o tapete a toda a hora e dá-nos muitas alegrias também. E que não haverá nunca tempo que chegue para tudo o que eu quero fazer. Durante estes 3 meses não fui iluminada nem estou mais sábia, apenas tinha saudades de escrever. Muito obrigada aos que ainda cá voltam.
21 July 2007
já dizia o Nandinho
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Sayonara. Bolas, isto custa.
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Sayonara. Bolas, isto custa.
sim, são melancias
Sim, são melancias, pois claro que são melancias. Foi o false friend em inglês que me levou ao engano. E nem tempo tenho para corrigir erros em posts. A vida acelera em Lisboa e ainda dizem que Portugal é só descanso. Pois, pois. Mas claro que sou eu que complexifico (se é que existe tal palavra) a minha vida... adiante. Este blog acaba aqui até novas ordens. Durmam bem.
26 June 2007
olhó melão!
13 June 2007
prémio melhor mensagem de aniversário 2007
No dia de Santo António
Acordo sempre de boa cara
Porque é dia de Lisboa
e faz anos a minha amiga Sara
Obrigada Sara (cara homónima) e todos pelas felicitações!
Acordo sempre de boa cara
Porque é dia de Lisboa
e faz anos a minha amiga Sara
Obrigada Sara (cara homónima) e todos pelas felicitações!
05 June 2007
sindrome de sthendal
Reza a história que Sthendal, na sua viagem a Florença em 1817 ficou tão extasiado com a Beleza que encontrou que adoeceu seriamente. Desde então os desfalecimentos perante o Belo foram diagnosticados com o nome de Síndrome de Stendhal.
Cópia da Estátua de David, de Michelangelo, na Piazza da Signorina
Amanhã parto para Florença.
30 May 2007
head explosions
A minha cabeça às vezes parece que vai explodir, os olhos marejam, as têmporas latejam. Deve ser uma enxaqueca, dizem-me. Devo ser eu a querer explodir do meu corpo, penso eu. Atacou-me com tanta força estes dias que consultei um neurologista.
Queria ajuda, mas no fundo queria que ele me confirmasse: é dos nervos menina, não pode deixar que a vida a afecte desse modo! Mas não se preocupe, é porque é nova e sensível, a vida vai-lhe ensinar a lidar com ela e vou-lhe receitar doses massivas de yoga e respiração de relaxamento. A sério, eu pensava isto, porque no fundo era o que me repetia a mim própria, só tens que te acalmar sara, respira, acalma-te. Foi então com surpresa que ele vi ele receitar-me 2 medicamentos, um profiláctico para reduzir o número de "crises", e outro para dar cabo das crises. Tem a certeza que preciso de tomar algo? Isto não passa assim, naturalmente? O médico, pragmático perguntou: Tem passado naturalmente? Hmm, não. Quer ter dores? Bom... não. Então...
E então? Então não me agrada estes químicos todos no meu corpo, senhor doutor. Mas são piores estas dores que quase me imobilizam. Drogas, here we go.
Queria ajuda, mas no fundo queria que ele me confirmasse: é dos nervos menina, não pode deixar que a vida a afecte desse modo! Mas não se preocupe, é porque é nova e sensível, a vida vai-lhe ensinar a lidar com ela e vou-lhe receitar doses massivas de yoga e respiração de relaxamento. A sério, eu pensava isto, porque no fundo era o que me repetia a mim própria, só tens que te acalmar sara, respira, acalma-te. Foi então com surpresa que ele vi ele receitar-me 2 medicamentos, um profiláctico para reduzir o número de "crises", e outro para dar cabo das crises. Tem a certeza que preciso de tomar algo? Isto não passa assim, naturalmente? O médico, pragmático perguntou: Tem passado naturalmente? Hmm, não. Quer ter dores? Bom... não. Então...
E então? Então não me agrada estes químicos todos no meu corpo, senhor doutor. Mas são piores estas dores que quase me imobilizam. Drogas, here we go.
25 May 2007
what a glorious feeling!
22 May 2007
21 May 2007
two more years

não tocaram. Mas o Coliseu vibrou ao som dos Bloc Party. O público era jovem, muito jovem e apesar de ser eu também uma jovem senti, pela primeira vez num concerto, um gap geracional. Eram muitos, eram pequenos e sabiam as letras de cor (assombroso mistério porque naquele sotaque não se percebe nada!). Só que a seguir ao concerto devem ter ido para casa e não foram como nós passear no Bairro Alto e na Bica e portanto não estiveram no Bicaense a falar com o vocalista Kele e com o baixista (hmm... como se chama o baixista?) e não levaram para casa um rabisco no bilhete, que eu acarinho como um autógrafo. Pois, mas ainda são jovens, têm tempo.
it was the worst of times, it was the best of times
Recibos verdes, contar os tostões, viver em quartos alugados. Não é fácil. Mas nunca a vida vai ser tão generosa em sonhos e possibilidades como nestes nossos verdes anos.
16 May 2007
15 May 2007
dgci
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague
Deus lhe Pague, letra de Chico Buarque
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague
Deus lhe Pague, letra de Chico Buarque
09 May 2007
08 May 2007
dedicatória com bolo de aniversário
I wrote the song two hours before we met.
I didn't know your name or what you looked like yet.
Oh I could have stayed at home and gone to bed.
I could have gone to see a film instead.
You might have changed your mind and seen your friends.
Life could have been very different but then,
something changed.
Do you believe that there's someone up above?
Does he have a timetable directing acts of love?
Why did I write this song on that one day?
Why did you touch my hand and softly say.
Stop asking questions that don't matter anyway.
Just give us a kiss to celebrate here today.
Something changed.
When we woke up that morning we had no way of knowing,
that in a matter of hours we'd change the way we were going.
Where would I be now if we'd never met?
Would I be singing this song to someone else instead?
I dunno but like you said
something changed.
I didn't know your name or what you looked like yet.
Oh I could have stayed at home and gone to bed.
I could have gone to see a film instead.
You might have changed your mind and seen your friends.
Life could have been very different but then,
something changed.
Do you believe that there's someone up above?
Does he have a timetable directing acts of love?
Why did I write this song on that one day?
Why did you touch my hand and softly say.
Stop asking questions that don't matter anyway.
Just give us a kiss to celebrate here today.
Something changed.
When we woke up that morning we had no way of knowing,
that in a matter of hours we'd change the way we were going.
Where would I be now if we'd never met?
Would I be singing this song to someone else instead?
I dunno but like you said
something changed.
02 May 2007
mind this gap
Parece que a ideia nasceu numa conversa telefónica entre a Maria e a sua mãe. Um blog onde se juntassem relatos de quem se formou em Portugal e acabou por optar procurar emprego no estrangeiro. São muitos os jovens portugueses por esse mundo fora. Eu assim de relance leio os blogs do Tiago em Tokyo, do Pedro em Trinidad, do Pedro em Barcelona, do André em Madrid, da Mafalda em Copenhaga, da Darjeeling e Bicuka na Holanda, da Boleia em Durham, da Elisabete em NY, da Susana em NY, da Inês em NY, da menina azul em Roterdão, do Nic no Qatar, do Pedro em Timor, do João em Cabo Verde, da Guida em Londres, de um Tapete Voador em Londres, do Miguel em Bruxelas, de um correio verde entre a Holanda e a Polónia, de uma minhoca na Alemanha, da rititi em madrid, da Catarina em Barcelona, da Ana em Shanghai, etc etc etc... Há mais, há muitos mais. Vão lá deixar o vosso testemunho.
26 April 2007
a revolta do precariado
http://www.maydaylisboa.org/:: trajecto do 1º Maio :: a parada MayDay começa às 13h com um pic-nic na Alameda. A Crew Hassan ofereceu-se para garantir refeições baratas e práticas. Dali, seguimos cerca das 15h pela Av. Guerra Junqueiro para a Praça de Londres (Ministério do Trabalho) e até à Praça de Alvalade, onde encontraremos a manifestação da CGTP. Na cauda da manif sindical, a parada MayDay vai até à Cidade Universitária, onde termina. A equipa que prepara a animação do desfile já marcou a sua reunião (ver datas em baixo).
:: festa MayDay 27 Abril :: Vai ver-se a possibilidade de a realizar na Karnart. A ideia é juntar o povo na sexta-feira anterior à parada. Temos que pensar e discutir os conteúdos da iniciativa (a mailing list já funciona, venham ideias).
:: divulgação :: formou-se uma equipa para fazer propostas de cartazes e panfletos para a festa de 27 Abril e para o 1ºMaio. No domingo (filme na Crew Hassan), quem aparecer pode pronunciar-se sobre os materiais de divulgação. Haverá também um plano de distribuições – call centers, centros comerciais, Bairro Alto, etc. Os núcleos de faculdades podem fazer o mesmo e trazer encontros marcados para distribuições (o ]movE[ já o fez para cantinas de Agronomia e Pólo da Ajuda). Depois será tudo enviado pela mailing list, com convite à participação de tod@s.
:: mailing list :: para alguém se inscrever na mailing list já não é necessário qualquer convite. Basta ir a http://groups.google.com/group/maydaypt/subscribe e inserir o e-mail. Para escrever à lista basta fazer reply/escrever aqui para o http://br.f318.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=maydaypt@googlegroups.com. Vai ser criada no blogue uma ligação permanente para convidar quem visita a inscrever-se.
:: contactos com associações :: ofereceram-se responsáveis por convidar mais associações (imigrantes, culturais…) e contactar grupos de outras cidades que queiram participar.
AGENDA MAYDAY
Domingo, 8 Abril, 21:30h :: Crew Hassan (Rua das Portas de Sto. Antão, 159 1º - rua do Coliseu) – projecção do filme “O Evangelho Segundo Precário”
Quarta, 11 Abril, 18:30h :: Bar da Esplanada da Faculdade de Letras (Cidade Universitária) :: reunião do grupo que prepara a intervenção política/visual/sonora/… da manifestação
8 a 24 Abril :: divulgação do MayDay (distribuições de panfletos)
Terça, 24 Abril :: Largo Carmo, 18h-2h :: MayDay partilha com Panteras Rosa uma banca de divulgação no arraial do 25 Abril
Quarta, 25 Abril :: Manif. Marquês de Pombal – grande ocasião para vender o boletim que a Ana Feijão está a preparar (com textos originais que lhe entregaram e outros já neste blogue) - encontro em frente ao Diário de Notícias
Sexta, 27 Abril :: Festa MayDay – Na Karnart (a confirmar)
21 April 2007
está empiricamente comprovado
que carregar nuns botões do blogger dá disparate! Mudei o meu template acidentalmente e agora não consigo desenhá-lo a meu gosto!
20 April 2007
está cientificamente comprovado
que uma dose de Pet Shop Boys logo de manhã transforma qualquer manhã cinzenta num dia de Primavera.
E o Indie já começou!
E o Indie já começou!
18 April 2007
dos dias inquietos
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda.
16 April 2007
nanni moretti
Passou por mim, assim perto mesmo, este sábado no Monumental. Não trazia o smoking mas também não vinha receber a Palma. Não o fui ouvir falar mas tive pena... E afinal não é baixinho como eu achava. E ouvi dizer que é mais tímido do que eu pensava. Quanto ao "Caimão"... fantástico! Quanto de Portugal na Itália.11 April 2007
a vida a prazo
Há 2 anos, no dia 11 de abril de 2005, publiquei este post ainda no from tokyo with love.
globalização de sentimentos
Vivemos num tempo fantástico. Para além de portuguesa sou europeia. Temos um passaporte para todo o lado e somos cidadãos de primeira. Podemos viajar para todo o lado, podemos viver em todo o lado, o mundo não tem limites, é só escolher. Agarramos as oportunidades e partimos pelo mundo. Mas há um lado perverso... no meio da frieza dos aviões misturam-se sentimentos e criam-se carapaças. É uma vida que se deixa para trás e a que não nunca retornamos iguais. Em cada paragem cada vez custa mais ver amigos partir. Em todo o lado apegamo-nos a pessoas, não há como fugir, não há porque fugir, precisamos delas, elas precisam de nós, as pessoas são a experiência da viagem. Mas depois dói. E o nosso coração vai sendo levado por todas estas pessoas, ficando espalhado aos pedaços pelo Mundo inteiro. E depois já não se pode reconstruir e ficamos também nós partidos pelo mundo. Se “a casa é onde o coração está” onde é a minha casa? Se deixamos pedaços de coração pelo mundo quer dizer que o mundo é nosso? Porque é que tão fácil partir mas custa tanto?
Dois anos volvidos sinto-me no mesmo limbo, sinto-me dividida pelos mesmos sentimentos. Quero partir, continuar a ver esse mundo todo mas tenho medo do que possa perder com isto. Mas a simples menção da palavra medo, diz-me que é também por isso que tenho de ir, de novo.
globalização de sentimentos
Vivemos num tempo fantástico. Para além de portuguesa sou europeia. Temos um passaporte para todo o lado e somos cidadãos de primeira. Podemos viajar para todo o lado, podemos viver em todo o lado, o mundo não tem limites, é só escolher. Agarramos as oportunidades e partimos pelo mundo. Mas há um lado perverso... no meio da frieza dos aviões misturam-se sentimentos e criam-se carapaças. É uma vida que se deixa para trás e a que não nunca retornamos iguais. Em cada paragem cada vez custa mais ver amigos partir. Em todo o lado apegamo-nos a pessoas, não há como fugir, não há porque fugir, precisamos delas, elas precisam de nós, as pessoas são a experiência da viagem. Mas depois dói. E o nosso coração vai sendo levado por todas estas pessoas, ficando espalhado aos pedaços pelo Mundo inteiro. E depois já não se pode reconstruir e ficamos também nós partidos pelo mundo. Se “a casa é onde o coração está” onde é a minha casa? Se deixamos pedaços de coração pelo mundo quer dizer que o mundo é nosso? Porque é que tão fácil partir mas custa tanto?
Dois anos volvidos sinto-me no mesmo limbo, sinto-me dividida pelos mesmos sentimentos. Quero partir, continuar a ver esse mundo todo mas tenho medo do que possa perder com isto. Mas a simples menção da palavra medo, diz-me que é também por isso que tenho de ir, de novo.
09 April 2007
always look on the bright side of life
Zero de estabilidade. Às tantas é melhor assim, viver no limbo mantém-nos acordados.
E assim talvez volte a fazer as malas. Mas é a relva mesmo mais verde do outro lado?
E assim talvez volte a fazer as malas. Mas é a relva mesmo mais verde do outro lado?
03 April 2007
interrompemos a nossa viagem...
...para anunciar o lançamento do livro "Melancómico* - Aforismos de Pastelaria" de Nuno Costa Santos, hoje às 18.30** no Teatro Tivoli.
Muito recomendável também o vídeo de promoção. Aqui.
* era um blogue. Agora só comprando o livro mesmo.
** mas porque teimam nestas horas impróprias para trabalhadores (in)dependentes e liberais? porquê?
31 March 2007
15 March 2007
07 March 2007
a triste sina do marinheiro
é ter saudades da terra quando está no mar e saudades do mar quando está em terra.
A vida do Miguel em directo da Bélgica.
A vida do Miguel em directo da Bélgica.
06 March 2007
a minha residência espanhola
Depois de sair o alemão veio a austríaca, depois de sair a espanhola veio a italiana. O meu tratado empírico sobre sociologia europeia continua de vento em popa. Aguardo os novos capítulos.
05 March 2007
01 March 2007
28 February 2007
27 February 2007
Gostava de saber como é que outros bloggers escrevem... Em casa? No trabalho? Num jardim com rede wireless? E como é que se organizam? De onde lhes sobra o tempo? A mim não me sobra muito nos dias preenchidos pelo atelier e o que sobra tenta ir para uns filmes, uns jantares. Não ajuda a falta de internet em casa mas é possivelmente a falta de disponibilidade mental que me impede de actualizar este blog com a frequência desejada. Os temas ainda me assaltam no autocarro, ao jantar, no trabalho, mas depois não consigo ordenar um texto.
Este blog anda uma seca, eu sei. Perde leitores a olhos vistos, é uma tristeza. Mas não, este blog não vai terminar porque ainda acalento a esperança de me organizar e terminar os muitos drafts que comecei. Mas também já não prometo nada. Whatever will be, will be...
Este blog anda uma seca, eu sei. Perde leitores a olhos vistos, é uma tristeza. Mas não, este blog não vai terminar porque ainda acalento a esperança de me organizar e terminar os muitos drafts que comecei. Mas também já não prometo nada. Whatever will be, will be...
20 February 2007
14 February 2007
10 February 2007
pelo sim ou pelo não o importante é votar!
Finalmente terminou a campanha.
Finalmente apagaram os stencils "não me mates" "só tenho 10 semanas" estampados nas escadas do metro, finalmente se calaram as vozes de criancinhas na praça da figueira "ama a vida que tens em ti", finalmente pararam de repetir e repetir e repetir os mesmos argumentos para mudar opiniões. Gostava de conhecer alguém que tenha mudado de opinião durante a campanha.
Depois de amanhã finalmente se parará de falar no assunto, mas cepticamente não sei se algo vai mudar. Porque mais que a lei, o que eu gostava é que houvesse uma mudança de mentalidades.
No fundo estou como a Batukada, triste, acho que desde 1998 que estou triste. Não entendo porque há um referendo, não entendo porque é que a resposta não é clara, não entendo como metade do meu país pensa de um modo tão distinto do meu e não entendo também aqueles que nem sequer se manifestam, abstendo-se de uma opinião.
Em 1998 ainda não podia votar e senti-me estrangeira no meu próprio país, sentimento cada vez mais frequente, mas amanhã pelo menos vou poder manifestar a minha opinião.
Até segunda.
Finalmente apagaram os stencils "não me mates" "só tenho 10 semanas" estampados nas escadas do metro, finalmente se calaram as vozes de criancinhas na praça da figueira "ama a vida que tens em ti", finalmente pararam de repetir e repetir e repetir os mesmos argumentos para mudar opiniões. Gostava de conhecer alguém que tenha mudado de opinião durante a campanha.
Depois de amanhã finalmente se parará de falar no assunto, mas cepticamente não sei se algo vai mudar. Porque mais que a lei, o que eu gostava é que houvesse uma mudança de mentalidades.
No fundo estou como a Batukada, triste, acho que desde 1998 que estou triste. Não entendo porque há um referendo, não entendo porque é que a resposta não é clara, não entendo como metade do meu país pensa de um modo tão distinto do meu e não entendo também aqueles que nem sequer se manifestam, abstendo-se de uma opinião.
Em 1998 ainda não podia votar e senti-me estrangeira no meu próprio país, sentimento cada vez mais frequente, mas amanhã pelo menos vou poder manifestar a minha opinião.
Até segunda.
02 February 2007
it's always a matter of perspective
Acordo com a luz da manhã a inundar o quarto e olho o rio. Ao pequeno-almoço tenho muitas vezes o D. José estatuado ao longe como companhia. Saio para o fresco do dia com o sol a banhar-me a face, cada esquina é sempre uma surpresa. O motorista transporta-me até à porta do trabalho. Sem trânsito, ponto de embraiagem, primeira, segunda, travão. Sem demoras. É um luxo, não é? Sinto-me uma privilegiada. Mas a verdade pode ser vista de outro ângulo: vivo num quarto alugado com 9,5 m2 e carrego sempre na carteira o passe L. Deixei o conforto do T3 a 2mn do trabalho, com contas pagas, comida pronta e roupa lavada para ter que carregar quilos de compras colina acima e ficar com os bofes de fora. Chamaram-me louca, precipitada, exagerada, que não ia conseguir. Mas todas as manhãs o D. José me diz que foi o melhor que podia ter feito. Ah, se foi!
26 January 2007
para (quase) matar saudades
É hoje! É hoje!
Todos ao Frágil!
Para recordar os bons velhos tempos em que os Quase Famosos nos davam música, o sector que trabalha na Atlântico vai animar as hostes hoje à noite no Frágil, rua da Rosa!
Imperdível!
Todos ao Frágil!
Para recordar os bons velhos tempos em que os Quase Famosos nos davam música, o sector que trabalha na Atlântico vai animar as hostes hoje à noite no Frágil, rua da Rosa!
Imperdível!
I'll never forget those creepy looks (ou para quem esteve anteontem no concerto do Micah P. Hinson)
Quem está comigo que o próximo album do Micah P. Hinson incluirá uma música com um lamento do fundo do coração dizendo qualquer coisa como "Oooooh Syylviiiaaaaa... you broke myyy heeeaaarrttt"? (desculpem este meu lado cínico)
Mas não deixa de ser bonito ver uma paixão assolapada. (este é o meu lado um bocadinho menos)
Mas não deixa de ser bonito ver uma paixão assolapada. (este é o meu lado um bocadinho menos)
Micah P. Hinson
23 January 2007
logicamente sim
O que eu não consigo articular, vai escrevendo (e bem) o Tiago Mendes em http://www.logicamente-sim.blogspot.com/
Obrigada pela dica Lourenço.
Obrigada pela dica Lourenço.
19 January 2007
wide awake
Das coisas que mais sinto falta do Japão é o sentir-me acordada. De ser constantemente estimulada. Sim, às vezes era cansativo e impossível de digerir. E sim, Lisboa ainda me surpreende, ainda e sempre irei descobrir coisas novas nesta cidade, mas está a tornar-se demasiado confortável e isso adormece-me...
18 January 2007
help the aged
Andam tão devagar e às vezes bloqueiam ruas inteiras. O tempo que demoram a percorrer cada degrau está em total dessintonia com o ritmo urbano. São muitos e estão por todo o lado. Às vezes irritam-me. Mas cada vez que ultrapasso um no meu passo acelerado vem-me sempre à cabeça a música dos pulp. help the aged, 'cause one day they were just like you. help the aged, 'cause one day you'll be older too.
12 January 2007

É realmente um debate que não deixa ninguém indiferente. Ontem, no Chiado, perguntava-me um rapaz imberbe se eu queria "assinar pela Vida" e pareceu-me ver um sorriso trocista nos lábios de quem sabe a demagogia envolvida neste tema. Um pouco à frente outro imberbe ouvia um trabalhador do INEM "como profissional de saúde sou pelo sim... se soubesses da quantidade de crianças abandonadas na Venda Nova, no Concelho da Amadora, essas não tiveram escolha...", falava emocionado mas cheio de convicção e tive esperança que aquele que recolhia assinaturas pelo Não o ouvisse, mas neste assunto ninguém parece mudar de opinião.
Ficam aqui os links para os movimentos pelo sim:
http://www.cidadaniapelosim.blogspot.com/
http://www.medicospelaescolha.pt/
http://votasim.blogspot.com
http://www.euvotosim.org/
http://www.jovenspelosim.org/
http://abortodireitoadecidir.blogspot.com/
http://peladespenalizacaodaivg.blogspot.com/
http://www.votosim.blogspot.com/
Acima de tudo importa ir votar no dia 11 de Fevereiro.
02 January 2007
20 December 2006
happy birthday!
Já pouco passeio pela blogosfera porque começa a parecer uma periferia japonesa onde tudo é diferente, tudo é igual e eu fico confusa e perdida. Eu também não passo de um poste tão indistinguível como qualquer outro. Mas há sempre aqueles cafés onde vamos dar e onde sempre nos sentimos em casa, um deles é o [a barriga de um arquitecto] que abriu portas há 3 anos e onde somos sempre bem vindos e bem recebidos. Parabéns Daniel! (Referência para este excelente texto de "balanço")
faster, better, harder
old blogger, new blogger, beta version, you're out, google account, it's hard to keep updated.
19 December 2006
sushi lover capa de revista
14 December 2006
ai se eu pudesse suicidar-me por um mês...
Oh não! Está a chegar aquela altura do ano de "balanços", dos melhores discos que ouvi, dos melhores livros que li, dos melhores filmes que vi, dos melhores pratos que comi, das melhores frases que ouvi, dos melhores bares em que bebi! Em copy-paste se fazem posts e suplementos.
Admiro estes exercícios de memória mas não tenho paciência, se tenho que me esforçar para saber o que fiz anteontem, sei lá o que ouvi eu em Fevereiro! Já para não dizer... o que é que isso interessa?!
Há uma lista de motivos que me fazem não apreciar particularmente esta época (como anoitecer às 5 da tarde), a chatice destas listas e escolhas (que ainda por cima se repetem, porque no fundo, todos seguem os outros) é só mais uma delas...
Admiro estes exercícios de memória mas não tenho paciência, se tenho que me esforçar para saber o que fiz anteontem, sei lá o que ouvi eu em Fevereiro! Já para não dizer... o que é que isso interessa?!
Há uma lista de motivos que me fazem não apreciar particularmente esta época (como anoitecer às 5 da tarde), a chatice destas listas e escolhas (que ainda por cima se repetem, porque no fundo, todos seguem os outros) é só mais uma delas...
12 December 2006
24 November 2006
alerta mel-alaranjado
Na rua Alexandre Herculano caiu uma árvore e enquanto os bombeiros cortavam os troncos eu olhava o interior da árvore que era de um tom mel - alaranjado claro tão bonito.
23 November 2006
ivg - nota
Falássemos tanto e tão abertamente de contracepção e métodos anti-contraceptivos como se discute a interrupção voluntária da gravidez e talvez não fossemos o segundo país com a maior taxa de mães adolescentes e um dos países onde mais cresceu a número de infectados com HIV entre os heterosexuais.
20 November 2006
10 November 2006
um e-mail sobre a vida lá fora
Ao som de Art Tatum que descobri fazerem parte das bandas sonoras dos filmes do Woddy Allen vou trabalhando e sorrindo de manga curta para melhor sentir a brisa suave que sopra pela janela aberta. Sem nunca lá ter ido, relembro o Outono em Nova Iorque que Woddy Allen mostrou tantas vezes. Num e-mail da recent visita a Lisboa leio "on terms of climate it is shocking to be back in Norway:the first SNOW arrived!!! It has been snowing all afternoon...". Penso no frio escandinavo, na beleza da neve e sinto saudades do silêncio e da queda em slow motion da neve. Mas em Lisboa este Outono parece um final de Verão e apetece passear sem destino e sem chapinhar em lama. Há greve lá fora mas está-se tão bem cá dentro.
09 November 2006
and yet...
Bom, eu disse que nem queria falar disto mas de vez em quando embato em textos que merecem ser partilhados. Este deu um trabalhão à Sara (outra, que ainda não falo de mim na terceira pessoa) a passar do papel para o computador mas sim, Sara, valeu a pena, obrigada. E depois de ter lido um dos comentários no post anterior achei que devia fazer o copy/paste.
Confesso que já me apetecia pouco falar do tema do aborto, depois de todos os argumentos terem sido já tão amplamente discutidos e a obstinação condenatória persistir. Mas depois de algumas vozes inesperadas terem vindo a público afirmar coisas espantosas, algumas delas neste mesmo jornal, talvez faça sentido reafirmar algumas verdades óbvias, ainda que incómodas.
1. O aborto existe, sempre existiu e não vai deixar de existir. Seja por ignorância, imprudência, erro de julgamento ou simples azar, as mulheres ficam grávidas sem querer. E por vezes sentem que efectivamente não querem ou não podem seguir em frente com aquela gravidez. Claro que todos queremos diminuir essas situações - e devemos fazer esforços sérios, não moralistas e não paternalistas nesse sentido. Mas o problema nunca será totalmente resolvido a montante. As questões que importa, por isso, colocar são: onde e em que condições é que esse aborto vai ser feito? Deve uma mulher pagar com risco de morte ou dano severo para a saúde essa decisão? Que legitimidade existe no enriquecimento feito com base no aborto clandestino?
2. E, já agora, deve a mulher pagar essa decisão com a prisão? Porque, como ficou amplamente demonstrado, efectivamente há condenações por causa do aborto. E que me desculpem os defensores de soluções intermédias: ou é crime e é penalizado ou não é penalizado e não é crime de todo. Porque, que sentido faz perpetuar uma lei que não é para cumprir? Que traduz esse incumprimento senão o seu radical alheamento da realidade e vontade social?
3. E agora que me desculpem alguns sectores feministas: não, o aborto não é uma questão de mulheres. Ou antes, é-o, mas não deveria ser, pelo menos não deveria ser equacionado como uma questão apenas de mulheres. E neste erro tanto os defensores do "sim" como do "não" têm caído. Claro que há questões de género no aborto, desde a desigual repartição dos cuidados com os filhos, aos desequilíbrios salariais. E, claro, o simples facto de ser no corpo da mulher que a decisão de ter ou não filhos assume uma violência "incarnada". Mas, a não ser que estejamos perante novos mistérios transcendentais, cada embrião tem dois seres humanos na sua génese. Onde estão os homens, no equacionar público desta questão? E, já agora, onde estão os homens condenados pela decisão de abortar (ou será - coisa conveniente - que todas as mulheres condenadas por aborto em Portugal decidiram sozinhas, sem participação ou conhecimento dos respectivos parceiros?).
4. Finalmente, o que sinto como uma última verdade, para mim própria inconveniente: por muito que os defensores do "sim" a evitem - e eu, como defensora do "sim", compreendo a estratégia -, a questão da vida humana é de facto relevante. Porque, se entendermos o embrião como igual a uma pessoa - se acreditarmos mesmo nisso -, então o aborto apenas se justificaria em situações de risco de vida da mãe. Porque apenas aí estaríamos a falar de valores de igual ordem moral. Mas será que acreditamos mesmo que um embrião é uma pessoa? Reagimos da mesma forma ao aborto espontâneo às 10 ou 12 ou até mais semanas como reagiríamos à morte de um recém-nascido? Sofremos da mesma forma? Ritualizamos da mesma forma a sua perda? Alguém pode, em consciência, dizer que sim?
Artigo de opinião assinado por Carla Machado, professora universitária, no Público da última quinta-feira.
Confesso que já me apetecia pouco falar do tema do aborto, depois de todos os argumentos terem sido já tão amplamente discutidos e a obstinação condenatória persistir. Mas depois de algumas vozes inesperadas terem vindo a público afirmar coisas espantosas, algumas delas neste mesmo jornal, talvez faça sentido reafirmar algumas verdades óbvias, ainda que incómodas.
1. O aborto existe, sempre existiu e não vai deixar de existir. Seja por ignorância, imprudência, erro de julgamento ou simples azar, as mulheres ficam grávidas sem querer. E por vezes sentem que efectivamente não querem ou não podem seguir em frente com aquela gravidez. Claro que todos queremos diminuir essas situações - e devemos fazer esforços sérios, não moralistas e não paternalistas nesse sentido. Mas o problema nunca será totalmente resolvido a montante. As questões que importa, por isso, colocar são: onde e em que condições é que esse aborto vai ser feito? Deve uma mulher pagar com risco de morte ou dano severo para a saúde essa decisão? Que legitimidade existe no enriquecimento feito com base no aborto clandestino?
2. E, já agora, deve a mulher pagar essa decisão com a prisão? Porque, como ficou amplamente demonstrado, efectivamente há condenações por causa do aborto. E que me desculpem os defensores de soluções intermédias: ou é crime e é penalizado ou não é penalizado e não é crime de todo. Porque, que sentido faz perpetuar uma lei que não é para cumprir? Que traduz esse incumprimento senão o seu radical alheamento da realidade e vontade social?
3. E agora que me desculpem alguns sectores feministas: não, o aborto não é uma questão de mulheres. Ou antes, é-o, mas não deveria ser, pelo menos não deveria ser equacionado como uma questão apenas de mulheres. E neste erro tanto os defensores do "sim" como do "não" têm caído. Claro que há questões de género no aborto, desde a desigual repartição dos cuidados com os filhos, aos desequilíbrios salariais. E, claro, o simples facto de ser no corpo da mulher que a decisão de ter ou não filhos assume uma violência "incarnada". Mas, a não ser que estejamos perante novos mistérios transcendentais, cada embrião tem dois seres humanos na sua génese. Onde estão os homens, no equacionar público desta questão? E, já agora, onde estão os homens condenados pela decisão de abortar (ou será - coisa conveniente - que todas as mulheres condenadas por aborto em Portugal decidiram sozinhas, sem participação ou conhecimento dos respectivos parceiros?).
4. Finalmente, o que sinto como uma última verdade, para mim própria inconveniente: por muito que os defensores do "sim" a evitem - e eu, como defensora do "sim", compreendo a estratégia -, a questão da vida humana é de facto relevante. Porque, se entendermos o embrião como igual a uma pessoa - se acreditarmos mesmo nisso -, então o aborto apenas se justificaria em situações de risco de vida da mãe. Porque apenas aí estaríamos a falar de valores de igual ordem moral. Mas será que acreditamos mesmo que um embrião é uma pessoa? Reagimos da mesma forma ao aborto espontâneo às 10 ou 12 ou até mais semanas como reagiríamos à morte de um recém-nascido? Sofremos da mesma forma? Ritualizamos da mesma forma a sua perda? Alguém pode, em consciência, dizer que sim?
Artigo de opinião assinado por Carla Machado, professora universitária, no Público da última quinta-feira.
30 October 2006
que se lixe o referendo
Na questão do aborto a ser referendada em Janeiro talvez, não pretendo entrar em qualquer debate, não quero mudar a opinião de ninguém, nem sequer discuti-la. Exaspera-me. Irrita-me.
Não faz qualquer sentido sequer um referendo e, no meio disto tudo, entristece-me termos um governo cobarde que se deixa manipular por lobbys, preconceitos e medos conservadores e a Igreja. Parece grande feito realizar-se novo referendo quando se devia mudar a lei logo e pronto. Para quê tanta hipocrisia?
Há 8 anos, tinha eu 18 anos e não pude votar, já estava recenseada mas não inscrita nos cadernos eleitorais. Lembro-me de estar sozinha em casa com um caderninho para apontar previsões e estatísticas. E de ter dito que se o Não ganhasse mudava de país. Se agora o Não ganhar de novo, não é isso que me fará mudar de país mas far-me-á sentir cada vez mais estrangeira no meu próprio país.
Mas pelo menos vai ser a primeira vez que nem vou hesitar no lugar da cruz.
Não faz qualquer sentido sequer um referendo e, no meio disto tudo, entristece-me termos um governo cobarde que se deixa manipular por lobbys, preconceitos e medos conservadores e a Igreja. Parece grande feito realizar-se novo referendo quando se devia mudar a lei logo e pronto. Para quê tanta hipocrisia?
Há 8 anos, tinha eu 18 anos e não pude votar, já estava recenseada mas não inscrita nos cadernos eleitorais. Lembro-me de estar sozinha em casa com um caderninho para apontar previsões e estatísticas. E de ter dito que se o Não ganhasse mudava de país. Se agora o Não ganhar de novo, não é isso que me fará mudar de país mas far-me-á sentir cada vez mais estrangeira no meu próprio país.
Mas pelo menos vai ser a primeira vez que nem vou hesitar no lugar da cruz.
27 October 2006
um post parvo sobre a vida lá fora
Sim, o sol brilha lá fora e eu aqui dentro. Já esgalhei umas desculpas que me "obriguem" a ter que sair em horário de expediente (é preciso entregar esse pacote? nada de estafetas, eu vou lá!) Sim, o sol brilha lá fora e hoje é dia 27 de Outubro. Sim apetece-me cair nos clichés todos de "o tempo neste país é realmente magnífico". Mas é, é mesmo!
Penso na Anne amiga alemã que deve estar neste momento a passear por Belém e a carregar as baterias solares antes de voltar para Oslo. Sim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, já anoitece lá para as 16 e estão menos 10º. Ainda não começou a nevar mas convém andar com umas luvas na carteira. A falta de sol está na origem de uma série de mal-estares e cria cansaço. Assim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, compram-se umas lâmpadas que projectam uma luz equivalente à luz do dia para compensar a falta de luz solar. Para se sobreviver ao Inverno.
Ahh, a vida lá fora não brilha tanto como queremos acreditar! Agora este sol de outono é mesmo magnífico!
Penso na Anne amiga alemã que deve estar neste momento a passear por Belém e a carregar as baterias solares antes de voltar para Oslo. Sim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, já anoitece lá para as 16 e estão menos 10º. Ainda não começou a nevar mas convém andar com umas luvas na carteira. A falta de sol está na origem de uma série de mal-estares e cria cansaço. Assim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, compram-se umas lâmpadas que projectam uma luz equivalente à luz do dia para compensar a falta de luz solar. Para se sobreviver ao Inverno.
Ahh, a vida lá fora não brilha tanto como queremos acreditar! Agora este sol de outono é mesmo magnífico!
20 October 2006
are you ready now?
yes, I'm ready now
You couldn't change
you wouldn't understand
but I'm ready now I'm ready now
I'll make you proud I was your man
cos I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
Hey I'm ready now
You couldn't change
you wouldn't understand
but I'm ready now I'm ready now
I'll make you proud I was your man
cos I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
Hey I'm ready now
19 October 2006
felizes os ignorantes porque deles é o reino dos céus
Às vezes não sei se conhecer meio mundo não é mais um castigo que uma benção.
17 October 2006
13 October 2006
new order
Nos dias de histeria euromiliária, marcava os número ao som de Touched By The Hand of God, caminhava até à tabacaria com True Faith nos ouvidos, mas temia Ruined In a Day enquanto largava as moedas no balcão e inevitavelmente a banda sonora de sábado era Regret.
protesto geral
Dou por mim involuntariamente a relembrar tempos de manifestações, eu que cresci a ouvir (e provavelmente a gritar também) CGTP, unidade sindical nesses loucos anos 80, sou apanhada na Avenida por uma massa de gente que pôs o trânsito em Lisboa num caos ainda maior que o costume e que gritava. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados. Sinto uma nostalgia de passear às cavalitas do meu pai e de quando quase fui espezinhada num Primeiro de Maio em que desabou o céu sobre Lisboa. E sinto uma nostalgia de quando não sentia estas frases como ocas e vazias e estas manifestações sem efeito e penso como me tornei tão céptica e distante tão nova e porque é que eu não acredito. Desiludo-me comigo.
Rio-me com um tipo que, com um brilhante sentido de oportunidade, distribui por entre os manifestantes panfletos que perguntam "Está a ganhar o que merece? Farto de trabalhar para os outros? Mude a sua vida... saia da crise! Faça-o HOJE".
Páro no supermercado 4 americanas rejubilam de felicidade quando descobrem o "matuch" a 1,39 €. Espreito e vejo o rosé manhoso. Tenho vontade de lhes dizer que aquilo não é vinho. Os manifestantes compram água para acalmar a garganta e continuarem. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados.
Eu regresso ao meu trabalho. Com uns iogurtes para o lanche e um panfleto no bolso.
Rio-me com um tipo que, com um brilhante sentido de oportunidade, distribui por entre os manifestantes panfletos que perguntam "Está a ganhar o que merece? Farto de trabalhar para os outros? Mude a sua vida... saia da crise! Faça-o HOJE".
Páro no supermercado 4 americanas rejubilam de felicidade quando descobrem o "matuch" a 1,39 €. Espreito e vejo o rosé manhoso. Tenho vontade de lhes dizer que aquilo não é vinho. Os manifestantes compram água para acalmar a garganta e continuarem. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados.
Eu regresso ao meu trabalho. Com uns iogurtes para o lanche e um panfleto no bolso.
29 September 2006
porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
26 September 2006
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