13 January 2008


two more years

Gosto de balanços. Durante muito tempo não associava o fim-de-ano com um período de mudança. Com a vida determinada pelos ciclos académicos, Setembro, Outubro, o final do Verão é que me fazia pensar e aguardar esperançosamente o ano (lectivo) seguinte. Agora não. Agora a minha vida é regida por ciclos profissionais e Setembro já não faz tanto sentido com as férias de 3 meses reduzidas a 10 dias. Quanto ao balanço… Durante algum tempo, desde que voltei do Japão, achei a vida aborrecida. Depois de Tokyo tudo parece aborrecido. Agora que páro um bocado é que vejo como estive enganada. Desde que voltei do outro lado do mundo comecei a trabalhar a sério num atelier grande com muitos desafios, fiz novos amigos, conheci o amor da minha vida, saí de casa a ferro e fogo, morei num bairro histórico com erasmus, voltei a Oslo, voltei a Londres, fui a Nova Iorque, voltei a Florença, voltei a Madrid, fui a Colónia, fiz o raio-do-estágio e tornei-me miraculosamente arquitecta, mudei de bairro e começámos a viver juntos, fui ao meu primeiro festival de Verão e repeti a dose, vi os Pixies, Bloc Party três vezes, Arcade Fire duas vezes, The National e mais uns quantos, os amigos também se emanciparam, alguns decidiram até casar e outros separaram-se. Que raio de dois anos tão cheios, dois anos que neste post me pareciam ser um interregno, uma fase calma, moribunda antes de acontecer qualquer coisa… Afinal prometiam tanto e cumpriram muito mais. Quem era eu há dois anos? Quem serei eu daqui a outros tantos?

07 January 2008

vou voltar

Lisboa, 30 de Outubro de 2007

Exma. senhora,

No seguimento da sua candidatura a uma bolsa de curta duração, venho por este meio comunicar que a Fundação Oriente decidiu-lhe atribuir uma bolsa de estudo para a realização de uma visita de estudo ao Japão no âmbito do projecto O Banho Japonês - do O-furo à Onsen.

Esta bolsa contempla o pagamento de um subsídio único de (...) e o pagamento de uma viagem Lisboa/Tóquio/Lisboa, mediante compra a efectuar por estes serviços.

Lembro ainda que... (etc etc etc)

Com os melhores cumprimentos,

Direcção Internacional

03 January 2008

15 December 2007

venham mais 100 anos

Não há arquitectura social. Há boa e há má arquitectura. Oscar Niemeyer dixit.

01 December 2007

véspera de entrega mood

Trabalhar muito, dormir pouco, coordenar tarefas, manter a inteligência, a aparência, o sorriso e a boa disposição.

Mais difícil que ser mulher é ser arquitecta. Nem quero imaginar o que é ser mãe (e arquitecta).

executiva a recibos verdes

Se achavam que ainda me passeava por terras germânicas, enganaram-se. Já fui e já voltei,com um renovado respeito pelos "homens de negócios" que partem por essa Europa fora para reuniões noutros países. É que acordar meio de madrugada num país, apanhar um avião, sair do aeroporto, tomar um duche, almoçar e ainda gastar 6 horas no atelier deixa qualquer um de rastos. Se é para ser assim tenho que arranjar dinheiro para a classe executiva.

22 November 2007

descarga

(para gritar até enrouquecer)

when they get what they want they never want it again

And the sky was made of amethyst
and all the stars look just like little fish
you should learn when to go
you should learn how to say no

might last a day yeah
mine is forever
might last a day, yeah
well mine is forever

when they get what they want they never want it again
when they get what they want they never want it again

go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything take everything take everything i want you to

And the sky was all violet I want it again, but more violet, more violet
hey, i'm the one with no soul
one above and one below

go on, take everything take everything i want you to
go on, take everything take everything i want you to

i told you from the start just how this would end
when i get what i want i never want it again

go on, take everything take everyting i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on, take everything, take everything i want you to
go on take everything take everything take everything take everything

19 November 2007

secret meeting

O que me vai fazer passar esta semana a saltitar de alegria enquanto termino um projecto de execução "à abrir" é saber que no sábado voarei a caminho de Colónia para ver a nova obra do Zumthor e estes*. Ich liebe Köln. Und dir.

* só mesmo para fazer inveja ao Lourenço.

09 November 2007

o gosto dos outros

só vos digo que é difícil acertar gostos musicais no local de trabalho.

a lisboa que amanhece

É uma Lisboa diferente a que circula às 7 da manhã. É ensonada, silenciosa, cansada, rabugenta. Mas parece que no estádio universitário há quem corra por prazer. Eu continuarei a esforçar-me por evitar a vida a essa hora.

02 November 2007

the boring life

Nunca ouvi uma música sobre a vida just as it is. Uma música que falasse do aborrecimento de morte das filas de trânsito, dos transportes públicos cheios, de todos os dias ter que cozinhar qualquer coisa, de ir buscar e pôr os filhos à escola, de ter que regar as plantas, de gastroentrites, do tédio no trabalho e dos colegas chatos. Será que os músicos têm vidas assim tão diferentes de todos nós? As músicas em geral falam de coisas bonitas, mesmo quando são tristes. Falam de amor, mesmo não correspondido ou trágico. Falam de dúvidas existenciais, falam de viagens, falam de momentos especiais. Mas não falam dos milhares de momentos não especiais que ocupam os nossos dias. Ou falam?

claro que há sempre os pulp,

mas com os Pulp até a vida nos subúrbios tem glamour...

30 October 2007

subway death

Primeiro foi aquele chiar da travagem forçada. Eu estava dentro da carruagem e não percebi logo. Na plataforma as pessoas abraçavam-se, corriam, levavam as mãos à cabeça, gritavam, choravam com o horror nos olhos. Foi então que entendi e instintivamente desatei a chorar. Dizem que é a minha costela beirã que me faz largar lágrimas tão facilmente. Acalma-te, vá lá. Não consigo, como me posso acalmar quando alguém decidiu cometer uma brutalidade destas? É domingo e está sol. Lá fora está um maravilhoso dia de outono. Porque é que hoje alguém decidiu saltar para a linha na estação de Arroios?

26 October 2007

Sei, porque sinto que há algo de irracional e previsível em mim, que um dia eu vou gostar de crianças. Vou achar que trazer um ser ao mundo compensam choros e fraldas e crises de adolescência. Sim, um dia vou deixar de ser tão auto-centrada e querer, como muitos, ter filhos. Mas parece-me longe esse dia.

Felizmente.

25 October 2007

intermitentes

Por uma legislação que considere as especificidades do seu trabalho a Plataforma dos Intermitentes lutas todos os dias. Divulga, luta, apoia, pensa. A união faz a força.

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