19 October 2006

17 October 2006

Happy the man, and happy he alone,
he who can call today his own:
he who, secure within, can say,
Tomorrow do thy worst, for I have lived today.

Horácio
happy the man and happy he alone
who in all honesty can call today his own;
He who has life and strength enough to say
yesterday's dead and gone
I want to live today

Horácio, versão Neil hannon

13 October 2006

new order

Nos dias de histeria euromiliária, marcava os número ao som de Touched By The Hand of God, caminhava até à tabacaria com True Faith nos ouvidos, mas temia Ruined In a Day enquanto largava as moedas no balcão e inevitavelmente a banda sonora de sábado era Regret.

protesto geral

Dou por mim involuntariamente a relembrar tempos de manifestações, eu que cresci a ouvir (e provavelmente a gritar também) CGTP, unidade sindical nesses loucos anos 80, sou apanhada na Avenida por uma massa de gente que pôs o trânsito em Lisboa num caos ainda maior que o costume e que gritava. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados. Sinto uma nostalgia de passear às cavalitas do meu pai e de quando quase fui espezinhada num Primeiro de Maio em que desabou o céu sobre Lisboa. E sinto uma nostalgia de quando não sentia estas frases como ocas e vazias e estas manifestações sem efeito e penso como me tornei tão céptica e distante tão nova e porque é que eu não acredito. Desiludo-me comigo.
Rio-me com um tipo que, com um brilhante sentido de oportunidade, distribui por entre os manifestantes panfletos que perguntam "Está a ganhar o que merece? Farto de trabalhar para os outros? Mude a sua vida... saia da crise! Faça-o HOJE".
Páro no supermercado 4 americanas rejubilam de felicidade quando descobrem o "matuch" a 1,39 €. Espreito e vejo o rosé manhoso. Tenho vontade de lhes dizer que aquilo não é vinho. Os manifestantes compram água para acalmar a garganta e continuarem. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados.
Eu regresso ao meu trabalho. Com uns iogurtes para o lanche e um panfleto no bolso.

29 September 2006

porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

22 September 2006

goddam right

Nunca sei muito bem o que fazer quando me sinto em baixo por qualquer motivo ou sem qualquer motivo. Vario entre o "tens que te animar miúda!" e o "uma certa tristeza não faz mal a ninguém" ou o "isto há-de passar". A banda sonora para estes dias afecta-me mais que noutros dias. Poderia pensar-se que deveria escolher música alegre, uns shalalala como eu gosto tanto, chamar o Neil Hannon ou até uns Beach Boys. Escolher bandas depressivas com letras tristes como Eels seria entendido como uma má ideia. Enrolada na melancolia do mr.E ainda me afundaria mais na minah tristeza.

A verdade é que a ouvir músicas como Elizabeth On The Bathroom Floor não consigo deixar de sorrir e me sentir mais animada porque o último sítio onde queria estar era deitada no chão da casa-de-banho à espera de morrer.

E de qualquer maneira depois de uma música triste pode vir uma alegre.

18 September 2006

tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la

Deus sabe que nunca na vida pensei que ia gostar de um texto do Miguel Esteves Cardoso, li O Amor é Fodido até meio antes de desmaiar de tanto tédio e nunca, mas nunca consigo terminar uma crónica dele (agora já nem as começo) mas este texto comoveu-me e merece ser lido. Até ao fim.

O Elogio do Amor
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

17 September 2006

week - end, begin, in between?

A miúda estranha, geek, workaholic, parva (escolham) que há em mim tem uma certa queda por trabalhar ao fim-de-semana... A verdade é que eu sonho com trabalhar sempre um dia do fim-de-semana se o pudesse trocar por um dia da semana "útil". Os fins-de-semana são mais sossegados e numa terça-feira sempre poderia ir a um museu quase vazio, partilhando arte com reformados e adolescentes em visitas de estudo. Ao domingo a minha sala ficaria vazia, e eu poderia ouvir a minha música sem incomodar os colegas. A sério, não seria assim tão mau.
O meu plano é muitas vezes colocado em acção mas até agora não está ainda apurado porque, na realidade mesmo trabalhando ao fim-de-semana tenho que trabalhar nos outros 5 dias "úteis" (lá se vai o museu à terça, damn). Por outro lado acho que os meus colegas decidiram copiar-me porque o atelier está cheio ao domingo o que manda para o boneco a exclusividade da minha playlist.

12 September 2006

dos dias felizes

preguiça; do Lat. pigritia ; s. f.,

aversão ao trabalho;
tendência viciosa para não trabalhar;
negligência;
indolência;
inacção;
mandriice;
corda que dirige o peso dos guindastes;
pau a que estão pregadas as cangalhas da canoira;

Zool., mamífero desdentado do Brasil.

11 September 2006

onde estavas tu no 11 de setembro?

Em 1989 Michael Glawogger fez um documentário chamado War in Vienna. Não tive oportunidade de o ver quando passou no festival Indie mas a sinopse ficou-me na cabeça. Em War in Vienna Glawogger filma 4 dias do quotidiano dos vienenses contrastando-os com os noticiários diários. O resultado deve ser desconcertante e ao mesmo tempo familiar.
Quantas vezes não pensámos o mesmo? Quantas vezes não olhámos para imagens horrorosas em noticiários para logo em seguida irmos cozer esparguete ou sairmos para ir comprar o pão. Genocídio no Darfur, ataques no líbano, bombas no iraque já nem nos fazem pestanejar. É tudo tão distante.

No dia 11 de Setembro de 2001 passei o dia enfiada na loja das plotagens a tentar terminar o trabalho de Desenho Urbano que precisava de entregar. A rapariga da loja
dizia "oh, um avião foi contra as torres gémeas de nova iorque". Eu impassível apenas disse "sim, sim, e essas plotagens saiem ou não saiem?" Não me interessava, nem queria saber. Só quando cheguei a casa, depois de tudo entregue, percebi.

Dizem que o 11 de Setembro mudou o mundo. Sim, o nosso mundo, o mundo ocidental. Agora trememos porque agora pode acontecer aqui. Agora olhamos desconfiados para turbantes, peles morenas, misturando religiões, culturas, nacionalidades. Agora aceitamos ser controlados, vigiados, revistados porque temos medo. Mas, como se nos fosse indiferente, continuamos a cozer o esparguete e a ir buscar o pão.

08 September 2006

moshi moshi escuto?

Recebi um beijiinho de Tokyo.

http://tiagointokyo.blogspot.com/

http://efeito-niponico.blogspot.com/

the geek in me #4

Saía para as compras e em vez de roupa, sapatos, perfumes chegava casa excitada com o seu novo disco externo portátil 320 Gb, 7800RPM, porta usb 2.0...

the geek in me #3

Aprendia programas de computador seguindo os Tutorials no Help.

the geek in me #2

Quando tinha tempo livre no atelier, procurava no Help "as novidades" do AutoCad 2006...

the geek in me #1

Quando viajava de comboio em vez da Máxima comprava a PcGuia.

31 August 2006

fresh look

Já estava farta do preto mas não sei se estou feliz com o branco.

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