15 June 2006

If there's a war, I'll sleep with you before you get killed


-Why do you carry on with your virginity? Virginity is nothing! You can loose it riding a bycicle
-I never knew that. I must be careful. I'm going to get a bycicle in London

E assim, com To Die A Virgin aí está ele, o grande, o único Neil Hannon, de volta com os seus The Divine Comedy e o novo album Victory for the Comic Muse. Parece que já ultrapassou o trauma do primeiro album Fanfare For The Comic Muse, durantes anos rejeitado pelo próprio Neil e hoje objecto de culto para coleccionadores (não, eu não) e lança, oficialmente dia 19 de Junho, 11 músicas novas cheias de shalalas, açúcar, violinos e passarinhos pelo ar, com um cheirinho a Liberation, muito melhor que Absent Friends.

Agora só me resta esperar que ele decida apanhar o avião para Lisboa o mais depressa possível.

Aqui podem ouvir duas faixas de Victory for The Comic Muse o parece-que-será single Diva Lady e uma-personal-favorite The Light of Day.

14 June 2006

como aproveitar melhor o local de trabalho

Os dias de trabalho alucinados são também uma boa oportunidade para passar muito tempo a ouvir música, muita música. Como viciada que sou já estabeleci no atelier a minha rede de troca de cds e mp3 com colegas melómanos... tenho para todos os gostos e semanalmente recebo novas doses de novidade.
Ainda a rodar insistentemente no meu gira-discos estão os Camera Obscura e sabe deus como eu sobrevivi tantos anos sem ouvir estes escoceses. A minha vida tem mais passarinhos hoje.
Do projecto Voom Voom de Peter Kruder (dos Kruder & Dorfmeister) ao novo Fundamental dos Pet Shop Boys (bom, muito bom, tão bom!), passando pelo Scale de Mathew Herbert, The Racounters, bom, Maio foi um mês muito bom.
E The Divine Comedy. Mas o Neil merece um post só para ele.

hopeless

- you can't help the people who can't help themselves
- those are exactly the ones you should be helping

13 June 2006

birthday girl

Não é para todos ter um amigo com um microfone, um amplificador e umas colunas na varanda de um primeiro andar no castelo. Não é para todos que ele grite "e agora vamos cantar os parabéns à sara". Não é para todos que uma rua inteira apinhada de gente adira em plenos pulmões ao desafio. Não é para todos fazer anos na noite mais lisboeta do ano. Não é para todos. Foi só para mim.

09 June 2006

dia da entrega soundtrack

I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want

I'm free to say whatever I
Whatever I like
If it's wrong or right it's alright

Always seems to me
You only see what people want you to see
How long's it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don't cost much

Free to be whatever you
Whatever you say
If it comes my way it's alright

You're free to be wherever you
Wherever you please
You can shoot the breeze if you want

It always seems to me
You only see what people want you to see
How long's it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don't cost much

I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want

Here in my mind
You know you might find
Something that you
You thought you once knew
But now it´s all gone
And you know it's no fun
Yeah I know it's no fun
Oh I know it's no fun

I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want

I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want

Whatever you do
Whatever you say
Yeah I know it's alright
Whatever you do
Whatever you say
Yeah I know it's alright.

Whatever, Oasis

e as saudades de acreditar piamente nisto...


ps.: Não sei se entenderam mas a "data de entrega" foi constantemente adiada e é um conceito cada vez mais abstracto, meaningless até. Mas parece que acabou mesmo.

08 June 2006

la crisis en portugal

Agora que consigo chegar a casa quase a tempo de ver o telejornal completo sou inundada com futebol, mais futebol, oh e futebol. Se fosse criança acharia que o Scolari era o homem mais importante do país, um presidente ou coisa assim (o que me leva à horrífica conclusão que talvez seja...).
Por isso cá em casa agora somos iberistas (que não me ouçam no Parlamento, mas que disparate, os deputados estão a ver o Costinha a cuspir para o chão, que mais interessa?) e vemos o telejornal... da TVE. Olé!

blog hopping #1

É bom voltar a saltitar pela blogosfera e redescobrir a Inês a cascar forte e feito nas imbecilidades deste país. Obrigada por escreveres!

07 June 2006

e as nuvens lá em cima...


"Não ouvimos falar muito das nuvens que vemos aqui por cima. Ninguém acha digno de nota o facto de, algures por cima do oceano, atravessarmos a voar uma imensa ilha de algodão branco, que poderia servir na perfeção de assento a um amigo ou ao próprio Deus, num quadro de Piero della Francesca. Ninguém se levanta da cabina para anunciar com a solenidade devida que, do outro lado da janela, estamos a voar por cima de uma nuvem, acontecimento que teria feito com que Leonardo e Poussin, Claude e Constable se detivessem."

in A Arte de Viajar de Alain de Botton

30 May 2006

véspera de entrega soundtrack

You're sorta stuck where you are
But, in your dreams you can buy expensive cars,
or live on mars and have it your way

And you hate your boss at your job
well in your dreams you can blow his head off
in your dreams
show no mercy

And all your bad days will end
And all your bad days will end
You have to sleep late when you can
And all your bad days will end

The Flaming Lips, Bad Days

E as saudades da manhã de domingo...

véspera de entrega soundtrack

Ooh! Get me away from here I'm dying
Play me a song to set me free
Nobody writes them like they used to
So it may as well be me
Here on my own now after hours
Here on my own now on a bus
Think of it this way
You could either be successful or be us
With our winning smiles, and us
With our catchy tunes, and us
Now we're photogenic
You know, we don't stand a chance
Oh, I'll settle down with some old story
About a boy who's just like me
Thought there was love in everything and everyone
You're so naive!
After a while they always get it
They always reach a sorry end
Still it was worth it as I turned the pages solemnly, and then
With a winning smile, the boy
With naivety succeeds
At the final moment, I cried
I always cry at endings

Oh, that wasn't what I meant to say at all
From where I'm sitting, rain
Washing against the lonely tenement
Has set my mind to wander
Into the windows of my lovers
They never know unless I write
"This is no declaration, I just thought I'd let you know goodbye"
Said the hero in the story
"It is mightier than swords
I could kill you sure
But I could only make you cry with these words"

Belle & Sebastian, Get Me Away From Here, I'm Dying

E as saudades do silêncio...

véspera de entrega soundtrack

I used to think
As birds take wing
They sing through life so why can't we?
You cling to this
You claim the best
If this is what you're offering
I'll take the rain

I'll take the rain

I'll take the rain

REM, I'll take the rain

E as saudades da chuva no Verão...

vésperas de entrega soundtrack

Faz impressão o trabalho que se tem em ser superficial
Faz-me impressão e baralho o vulgar e o intelectual

Sinto depressão conforme perco tempo essencial
Sofro uma pressão enorme para gostar do que é normal

Deixo tudo para mais logo não sou analógico sou criatura digital
Tendo para mais louco não sou patológico como um papel vegetal

Faz-me impressão ser seguido imitado por gente banal
Faz-me um favor estou perdido indica-me algo de fundamental

Acho que o que gosto em mim o que me emotiva é uma preguiça transcendental
E em ti o que me torna em afimo que me cativa é esse sorriso vertical
como um impressão digital

Sinto-te uma fotocópia prefiro o original
Edição revista e aumentada cordão umbilical
Exclusivo a morder a página em papel jornal

GNR, Impressões Digitais

E as saudades do Frágil...

23 May 2006

http://moshimoshiii.blogspot.com/

há um ano a despir o kimono...

Omedetou gozaimasu.
Domo arigatou gozaimasu a todos os que por aqui passam

Enquanto eu continuo enrolada em feltros alsfáticos e telas betuminosas deixo-vos, em jeito de agradecimento, os Green Comma, a banda que o Jann conheceu no avião para ao Japão e proporcionou grandes momentos à comunidade estrangeira de Tokyo... em concertos, no karaoke, no sushi, correndo o mundo underground de Tokyo... Para relembrar o (meu) Oriente aqui fica a lindíssima vocalista Reiko Fujikawa a cantar para vocês... Poozaa... (não faço ideia o que ela diz)


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20 May 2006

mas em tom de rebeldia vim de chinelos

Nestes dias de sol há quem vá para a praia, para o campo, durma a sesta, leia livros, ouça música, beba uma caipirinha com um amigo. E há quem vá para o atelier. Infelizmente imensos por esse mundo fora ao sábado vão para o atelier. Ou para o escritório, ou para o gabinete, ou para a fábrica, ou para a loja. Eu vim para o atelier. E amanhã também virei e depois também e depois e depois. Não me custa assim tanto e até prefiro o ambiente calmo do fim-de-semana para trabalhar, mas o reflexo do sol lá fora lembra-me que enfiar os pés na areia é tão bom.

17 May 2006

17

A nossa vida é cheia de acontecimentos especiais e, com o passar dos anos, quase todos os dias contêm em si celebrações. Maio é, para mim, um mês bom para ter saudades e para celebrar.
16 de maio foi o dia em q deixei o Japão. Com a diferença horária, nem sei exactamente se era mesmo 16 de maio ou quão comprido foi esse 16 de maio. Seja como for foi há um ano que deixei o Japão, foi há um ano a última vez q estive no aeroporto da portela a ser revistada na alfândega, com os amigos a suspirar de tédio pelo atraso provocado pela greve de controladores aéreos em França, lá fora a engendrar planos de libertação e cartazes "free sara san".

17 de maio é o dia nacional da Noruega. O dia em que se comemora a sua independência de 7 décadas, se veste o traje típico e tudo sai à rua em desfiles e paradas. É sem dúvida o dia mais animado do ano, mesmo que assim que o sol se põe as ruas fiquem de novo desertas (até mais que nos outros dias) e todos fujam para as festas privadas onde podem continuar a beber até cair.

Também eu pensava que o 17 de maio de 2006 ia significar a minha liberdade, pelo menos condicional, do projecto de execução, mas não, não me parece possível com a entrega adiada até ao final do mês.
Assim também continuo um pouco adiada nas celebrações de um ano neste país à beira-mar plantado.

06 May 2006

e qual é a tua disponibilidade?

perguntou ele.

Apeteceu-me dizer "pouca" mas disse "total".

Até já. Vou só ali continuar a dar cabo de um projecto de execução. Quantos são?

29 April 2006

that fresh feeling

You don't have a clue,
what it is like
to be next to you.

I'm here to tell you,
that it is good,
that it is true.

Birds singing a song,
old paint is peeling,
this is that fresh
that fresh feeling.
Words can't be that strong,
my heart is reeling,
this is that fresh,
that fresh feeling.

Try, try to forget,
what's in the past,
tomorrow is here.

Love, orange sky above,
lighting your way
there's nothing to fear.

Some people are good,
babe in the hood,
so pure and so free.

I'd make a safe bet,
you're gonna get,
whatever you need.

28 April 2006

é hoje! todos ao frágil!

Entre 25 de Abril e 1 de Maio calha sempre bem uma festa. Uma festarola onde o povo trabalhador e oprimido faz uma pausa na jornada de luta para fazer sapateado ao som dos êxitos da revolução. Os Quase Famosos, essa trupe de DJ’s demagógicos, providenciam o momento de relaxo e recreio. É já na sexta, 28 de Abril, na danceteria Frágil.

"Sara, estás muito bem posicionada"

Disse-me ela há dois anos quando passei à frente do seu gabinete.
"Por favor não me diga isso! São só duas vagas, até posso ficar maravilhosamente posicionada em terceiro lugar e ficar em terra!"
"Amanhã digo-te!"
"Amanhã?, pensei eu. E o que é que faço com os nervos o resto do dia?
Voltei para o atelier tentando trabalhar enquanto pensava amanhã, amanhã, e tudo ficará diferente. Não esperei tanto. Às 18 do outro lado da linha ouvi "Sara, foste seleccionada! Parabéns! Não te disse que estavas bem posicionada?"
Vou para o Japão?
"Vais para o Japão. Sim, mas antes tens que ir a um seminário a Paris."
Vou para o Japão? E para Paris?
"Siiiim. Passa cá segunda para assinares os papéis. Parabéns!"

E fui para o Japão.

26 April 2006

quem sabe faz a hora não espera acontecer

O jantar tinha-me caído mal e não os acompanhei para mais uma bebida. Em frente à televisão com o livro no colo procurava reunir a energia suficiente para me levantar e fazer um chá. No canal 1 começou o concerto do Zeca Afonso no Coliseu, o seu último concerto. De repente sou transportada para a minha infância. Eu e o meu irmão crescemos a ouvir Zeca Afonso, Manel Freire, Chico Buarque, Geraldo Vandré e tantos outros cantores de “intervenção”. Lembro-me de ter medo ao ouvir a Morte Saiu À Rua. A minha música preferida era A Mulher da Erva. Fazia sempre chorar. No dia do funeral do Zeca Afonso chorei como se tivesse morrido o meu avô e não devia ter mais de 6 anos.

Cresci com os cravos, nas manifestações às cavalitas do meu pai, cresci com as histórias do fascismo, com os relatos do que era ser preso político e sempre num misto de dúvida e espanto, eu que sempre fui muito abespinhada, com o simples facto de não se poder dizer o que se pensava.
Não há comentário que mais me irrite que esses que dizem que temos que ultrapassar o 25 de Abril e banalizam as manifestações e discursos do dia. Por mim falava-se do 25 abril o ano inteiro, falava-se bem e falava-se mal, falava-se do PREC, do 25 de Novembro, das FP-25, falava-se do Salazar, da PIDE, do Tarrafal, da Guerra Colonial, dos erros, das conquistas sociais, e até dos complexos idiotas de “temos que ultrapassar o 25 de Abril” como se esquecer o Passado nos abrilhantasse o Futuro.
Ao fim de uns míseros 32 anos já não interessa, a Liberdade é já um valor tão garantido que nem o questionamos e podemos ignorar.
Ainda bem que se podem dizer tantos disparates. Eu, pelo menos um dia no ano, agradeço a todos os que morreram pela Liberdade, e a todos os que ainda morrem pela Liberdade pelo mundo fora. E nunca esquecerei o 25 de Abril que mudou a minha vida antes de nascer. Nem o Zeca Afonso.

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