
Detesto despedir-me. E no entanto não consigo deixar de criar situações de partidas e chegadas.
A despedida que mais me custou foi a de Oslo. Seis meses de diversão, amizade, independência num constante hype de alegria culminaram numa dor em Portugal. Durante anos a simples menção da cidade de Oslo apertava-me o coração. Oslo é uma cidade sem qualquer encanto especial tirando ter sido uma das minhas melhores experiências de vida. O local onde confirmei que nasci para o Mundo e aprendi a pensar sobre mim e os outros. A dor de Oslo só foi minorada com a ida para o Japão, como se me queixasse da garganta e de repente ficasse com uma dor de cabeça mais forte, deixei de pensar tanto na garganta. E, no entanto, o Japão foi diferente. Talvez já avisada pela ressaca de Oslo, talvez porque o Japão é mais duro, mais difícil e me sentisse mais sozinha. Em Oslo não me preparei para o embate porque não sabia que ele existia. No Japão passei o tempo todo a tentar proteger-me dele. Não consegui.
Podiam perguntar-me se isso te custa tanto porque raio te enfias em aviões de um lado para o outro? Não consigo evitar. A minha curiosidade é mais forte. A maior parte do tempo penso que é positivo mas muitas vezes gostava de ser menos inquieta. Ou menos emotiva. E pergunto-me porque é que me custa tanto?
Numa semana apenas despedi-me de amigos japoneses para o outro lado do mundo, despedi-me do local onde trabalho e (a lembrança de oslo não era inocente) vou voltar a um dos locais onde fui feliz. Estou numa pilha de nervos criada totalmente por mim. Serei estúpida? Eu devia proteger-me mais destas montanhas russas emocionais em que me enfio mas não consigo.
Até já.