07 March 2006

dos dias inquietos

Gosto da minha vida num turbilhão de sentimentos. É desgastante mas faz-me sentir viva.

dos dias inquietos

Tenho um encontro com os meus professores do Japão em visita supersónica à pátria lusa. Prevê-se um estado de ressaca amanhã, física e espiritual.

dos dias inquietos

Escrever ajuda-me a ordenar os pensamentos. Passo os dias em frente a um computador sem que saia uma palavra. Saiem riscos, linhas, manchas, azulejos, camas, paredes. Tudo menos palavras. Tenho saudades dos dias em que escrevia. Ajudava-me a ordenar os pensamentos.

dos dias inquietos

Escrever é difícil. Escrever dá trabalho. Juntar as letras até vá (até vá mas mal que a minha dislexia exige revisões constantes, e mesmo assim). Juntar as palavras e que juntas façam sentido, é difícil. Gasta-se tempo. E para quê?

01 March 2006

p.s.(a.)m.d.m.
hábito estranho #5

Leio tudo o que vejo à frente. Panfletos, anúncios, ecrans, posters, cartazes, t-shirts, embalagens, tudo o que tiver letras eu leio. O mais ridículo é que fazia o mesmo no Japão onde não percebia nada. Mas tentava.(Sim, era cansativo). Faz-me aflição não conseguir ler.

p.s.(a.)m.d.m.
hábito (afinal não tão) estranho #4

Começo a ler as revistas pelo fim. (É quando penso que até me poderia dar bem se soubesse ler japonês ou árabe)

p.s.(a.)m.d.m.
hábito estranho #3

Quando algo me chateia, irrita ou entristece a sério penso como sentirei esse assunto daí a um ano. Se concluir que será uma lembrança ténue relativizo logo a coisa. Se concluir que continuará a incomodar-me, dói ainda mais na altura.
(O que me vale é que confio muito na minha má memória)

p.s.(a.)m.d.m.
hábito estranho #2

Quanto estou meio melancólica cultivo a onda depressiva com músicas tristes (qualquer coisa perto tindersticks, chopin, aimee mann, grandaddy). Já acabei a rir com tanto blue mood concentrado.

para saberem (ainda) mais de mim
hábito (afinal não tão) estranho #1

Guardo religiosamente agendas de anos anteriores e frequentemente abro-as para saber o que estava a fazer no mesmo dia no ano anterior.

Agora faço o mesmo com o blog.

para saberem mais de mim

Via Quebra

Four jobs I've had:

1. Voluntária aos gritos na Expo
2. Voluntária caladinha
3. Explicadora de Português a japoneses
4. Brincar aos arquitectos

Four movies I can watch over and over:

1. Out of Africa
2. Cinema Paraíso
3. Before Sunrise
4. High Fidelity

Four places I've lived:

1. Oslo
2. Chiba
3. Tokyo
4. Lisboa, Lisboa, Lisboa

Four places I'd like to live:

1. New York
2. Estocolmo
3. Istambul
4. Barcelona

Four TV shows I love:

1. 24
2. 6 Feet Under
3. Lost
4. Sex & City
Posso continuar?
5. Seinfeld
6. CSI
7. Jack & Jill
8. Simpsons
9. E outros tantos.


Four places I've vacationed (moving from one to the other):

1. Inter-rail com as amigas (melhor parte: viagem nocturna freaky entre nice e irun)
2. Tokyo-Kyoto sozinha em 10 horas e 7 mudanças de comboio
3. Londres-Oslo com os melhores companheiros de viagem de sempre (um velhote norueguês e um americano a resmungar c os preços do alcool noruegueses - e devidamente bastecido no freeport de heathrow)
4. Tallin-Estocolmo com 2 australianos que estavam a dar uma volta ao mundo (e uma garrafa de tequilla amiga!)

Four of my favorite dishes:

1. Bife Pimenta
2. Pizza (I'm sooo easy)
3. Sopa
4. Sushi (of course!)

Four sites I visit daily:

1. Mais do que devia

Four places I would rather be right now:

1. Right now? pode parecer estranho mas estou bem onde estou.
2. Ok, ao spa em Bali não dizia que não.

Four bloggers I am tagging:

1. Nenhum e todos! Sintam-se à vontade! Queremos saber coisas!

27 February 2006

a ponte

É um daqueles dias em que podia proferir impropérios a quem me faz ir trabalhar num dia que metade da cidade ficou em casa. E no entanto, num dia como este, agradeço a quem me fez levantar cedo da cama para aproveitar os momentos soalheiros desta manhã de primavera em Fevereiro nesta cidade meio vazia.

24 February 2006

from shanghai with love

O programa Contacto lança jovens licenciados por esse mundo fora há já 9 anos. A novidade deste último programa é que muitos destes aventureiros têm blogs onde relatam as suas experiências. Não vou aqui listar todos (até porque não sei!) mas o meu olho oriental já pescou dois em Shanghai e, enfim, não consigo deixar de sorrir ao ver o embate ocidente-oriente (se bem que - e olhem que isto é muito sério - os chineses não têm nada a ver com os japoneses) e sentimentos semelhantes aos que vivi ao chegar ao Japão. São eles a Guida (arquitecta!) e o João. Sempre fui contra a ideia de grupos de portugueses no estrangeiro (para falar a minha lingua com os meus compatriotas ficava em casa, não?) mas na China aplaudo a decisão de viverem juntos, até porque encontraram uma mansão hiper luxuosa!. A nós resta-nos continuar a seguir a aventura daqui da beira do Atlântico.

23 February 2006

segredos


Todos escondemos segredos, coisas que temos medo de dizer aos outros, que nos envergonham, humilham, assustam, que podem destruir vidas ou são tão nossos que se tornam banais ou sem sentido assim que proferidos. Há um sítio que recebe os nossos segredos. Postsecret é uma iniciativa dum qualquer Frank em Maryland que tem caixa aberta para receber todos os segredos do mundo que caibam num postal 4-by-6-inch.
O mais incrível é a empatia imediata que se sente com aquelas confissões anónimas, algumas reprováveis e impossíveis de admitir socialmente e no fundo tão humanas e tão universais.
Agora será que ao gritarmos os nossos segredos anonimamente há alguma transformação em nós? Hei-de experimentar.

É um tipo de iniciativa que nunca poderia funcionar em Portugal. Em três tempos o tal Frank era descoberto (embora a identidade do Fank não importe muito) e dava entrevistas na tv. Entretanto o Frank já tinha percebido que a miúda que tinha atropelado um cão era na realidade prima duma vizinha da madrinha que conhecia o dono do café onde o dono do cão bebia o café todos os dias. O rapaz ia reconhecer a letra da ex-namorada. Tudo estragado. Portugal é tão pequeno que nem podemos gritar os nossos segredos anonimamente.

temos então não temos

via sms

Não te queres mascarar de cowgirl lésbica comigo? É que temos de preparar a máscara.

*suspiro*

22 February 2006

junkie

Há uns tempos estava eu numa farmácia quando um rapaz de aspecto duvidoso para os pârametros ditos normais entrou na dita farmácia, chegou ao balcão e depositou nele uma moeda de 50 cêntimos. Sem trocarem uma palavra, o farmacêutico abriu uma gaveta, tirou uma seringa e colocou-a no balcão. Num ápice, o rapaz agarrou-a e saiu porta fora.

Agora, cada vez que deixo 50 cêntimos no balcão de um qualquer café pela minha "dose" de cafeína lembro-me dessa cena.

21 February 2006

give me the words

In a manner of speaking I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking I don’t understand
How love in silence becomes reprimand
But the may I feel about you is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing

Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking Semantiks won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel might have to be sacrificed

So in a manner of speaking
I just want to say
That like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing

Oh give me the words
Give me the words
Give me the words
Give me the words
Give me the words

patience

O Micah já cá canta em casa (f-i-n-a-l-m-e-n-t-e) mas parece que perdi a aposta. Damn.

20 February 2006

crash into me

"It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something."

Graham (Don Cheadle) after crashing his car in an accident in Crash.

19 February 2006

brokeheart

Fui ver o Brokeback Mountain. Saí do filme achando que "não era nada de especial" e que lhe faltava qualquer coisa para ser mais convincente, para ser mais tocante. E no entanto o filme não me sai da cabeça (e não é só pelo Heath Ledger). Muito se tem escrito sobre o filme. A que mais me choca é que a história é uma banal história de um amor incompreendido. Que seria a mesma coisa se fosse um casal heterossexual e que a nota homossexual é apenas uma maneira de re-contar a mesma história. Não acho mesmo nada. E quem melhor fala sobre isso encontrei no blog da Inês:

"For to see Brokeback Mountain as a love story, or even as a film about universal human emotions, is to misconstrue it very seriously — and in so doing inevitably to diminish its real achievement.
Both narratively and visually, Brokeback Mountain is a tragedy about the specifically gay phenomenon of the "closet" — about the disastrous emotional and moral consequences of erotic self-repression and of the social intolerance that first causes and then exacerbates it."

"Their final vacation together (before Jack is beaten to death in what is clearly represented, in a flashback, as a roadside gay-bashing incident) is poisoned by mutual recriminations. "I wish I knew how to quit you," the now nearly middle-aged Jack tearfully cries out, humiliated by years of having to seek sexual solace in the arms of Mexican hustlers. "It's because of you that I'm like this—nothing, nobody," the dirt-poor Ennis sobs as he collapses in the dust. What Ennis means, of course, is that he's "nothing" because loving Jack has forced him to be aware of real passion that has no outlet, aware of a sexual nature that he cannot ignore but which neither his background nor his circumstances have equipped him to make part of his life. Again and again over the years, he rebuffs Jack's offers to try living together and running "a little cow and calf operation" somewhere, hobbled by his inability even to imagine what a life of happiness might look like. "

A fonte original e completa aqui, também via Educação Sentimental. Recomendo uns minutos de atenção.

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