27 February 2006

a ponte

É um daqueles dias em que podia proferir impropérios a quem me faz ir trabalhar num dia que metade da cidade ficou em casa. E no entanto, num dia como este, agradeço a quem me fez levantar cedo da cama para aproveitar os momentos soalheiros desta manhã de primavera em Fevereiro nesta cidade meio vazia.

24 February 2006

from shanghai with love

O programa Contacto lança jovens licenciados por esse mundo fora há já 9 anos. A novidade deste último programa é que muitos destes aventureiros têm blogs onde relatam as suas experiências. Não vou aqui listar todos (até porque não sei!) mas o meu olho oriental já pescou dois em Shanghai e, enfim, não consigo deixar de sorrir ao ver o embate ocidente-oriente (se bem que - e olhem que isto é muito sério - os chineses não têm nada a ver com os japoneses) e sentimentos semelhantes aos que vivi ao chegar ao Japão. São eles a Guida (arquitecta!) e o João. Sempre fui contra a ideia de grupos de portugueses no estrangeiro (para falar a minha lingua com os meus compatriotas ficava em casa, não?) mas na China aplaudo a decisão de viverem juntos, até porque encontraram uma mansão hiper luxuosa!. A nós resta-nos continuar a seguir a aventura daqui da beira do Atlântico.

23 February 2006

segredos


Todos escondemos segredos, coisas que temos medo de dizer aos outros, que nos envergonham, humilham, assustam, que podem destruir vidas ou são tão nossos que se tornam banais ou sem sentido assim que proferidos. Há um sítio que recebe os nossos segredos. Postsecret é uma iniciativa dum qualquer Frank em Maryland que tem caixa aberta para receber todos os segredos do mundo que caibam num postal 4-by-6-inch.
O mais incrível é a empatia imediata que se sente com aquelas confissões anónimas, algumas reprováveis e impossíveis de admitir socialmente e no fundo tão humanas e tão universais.
Agora será que ao gritarmos os nossos segredos anonimamente há alguma transformação em nós? Hei-de experimentar.

É um tipo de iniciativa que nunca poderia funcionar em Portugal. Em três tempos o tal Frank era descoberto (embora a identidade do Fank não importe muito) e dava entrevistas na tv. Entretanto o Frank já tinha percebido que a miúda que tinha atropelado um cão era na realidade prima duma vizinha da madrinha que conhecia o dono do café onde o dono do cão bebia o café todos os dias. O rapaz ia reconhecer a letra da ex-namorada. Tudo estragado. Portugal é tão pequeno que nem podemos gritar os nossos segredos anonimamente.

temos então não temos

via sms

Não te queres mascarar de cowgirl lésbica comigo? É que temos de preparar a máscara.

*suspiro*

22 February 2006

junkie

Há uns tempos estava eu numa farmácia quando um rapaz de aspecto duvidoso para os pârametros ditos normais entrou na dita farmácia, chegou ao balcão e depositou nele uma moeda de 50 cêntimos. Sem trocarem uma palavra, o farmacêutico abriu uma gaveta, tirou uma seringa e colocou-a no balcão. Num ápice, o rapaz agarrou-a e saiu porta fora.

Agora, cada vez que deixo 50 cêntimos no balcão de um qualquer café pela minha "dose" de cafeína lembro-me dessa cena.

21 February 2006

give me the words

In a manner of speaking I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking I don’t understand
How love in silence becomes reprimand
But the may I feel about you is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing

Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking Semantiks won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel might have to be sacrificed

So in a manner of speaking
I just want to say
That like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing

Oh give me the words
Give me the words
Give me the words
Give me the words
Give me the words

patience

O Micah já cá canta em casa (f-i-n-a-l-m-e-n-t-e) mas parece que perdi a aposta. Damn.

20 February 2006

crash into me

"It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something."

Graham (Don Cheadle) after crashing his car in an accident in Crash.

19 February 2006

brokeheart

Fui ver o Brokeback Mountain. Saí do filme achando que "não era nada de especial" e que lhe faltava qualquer coisa para ser mais convincente, para ser mais tocante. E no entanto o filme não me sai da cabeça (e não é só pelo Heath Ledger). Muito se tem escrito sobre o filme. A que mais me choca é que a história é uma banal história de um amor incompreendido. Que seria a mesma coisa se fosse um casal heterossexual e que a nota homossexual é apenas uma maneira de re-contar a mesma história. Não acho mesmo nada. E quem melhor fala sobre isso encontrei no blog da Inês:

"For to see Brokeback Mountain as a love story, or even as a film about universal human emotions, is to misconstrue it very seriously — and in so doing inevitably to diminish its real achievement.
Both narratively and visually, Brokeback Mountain is a tragedy about the specifically gay phenomenon of the "closet" — about the disastrous emotional and moral consequences of erotic self-repression and of the social intolerance that first causes and then exacerbates it."

"Their final vacation together (before Jack is beaten to death in what is clearly represented, in a flashback, as a roadside gay-bashing incident) is poisoned by mutual recriminations. "I wish I knew how to quit you," the now nearly middle-aged Jack tearfully cries out, humiliated by years of having to seek sexual solace in the arms of Mexican hustlers. "It's because of you that I'm like this—nothing, nobody," the dirt-poor Ennis sobs as he collapses in the dust. What Ennis means, of course, is that he's "nothing" because loving Jack has forced him to be aware of real passion that has no outlet, aware of a sexual nature that he cannot ignore but which neither his background nor his circumstances have equipped him to make part of his life. Again and again over the years, he rebuffs Jack's offers to try living together and running "a little cow and calf operation" somewhere, hobbled by his inability even to imagine what a life of happiness might look like. "

A fonte original e completa aqui, também via Educação Sentimental. Recomendo uns minutos de atenção.

16 February 2006

travel to the future

Encontrei um site via Fastio que baseando-se numa lógica discutível de que as viagens no futuro serão possíveis, mesmo que daqui a 500 anos, propõe a quem quiser tornar-se membro a entrega duma certa quantia de dinheiro que, não sei muito bem como, se transforma em imenso daqui a 500 anos e será utilizado por alguém que nos virá buscar ao passado para um tour no futuro. No site explicam tudo e a ideia é divertida. De qualquer maneira apenas pedem 10 dólares à partida! Claro que pode ser um barrete dos diabos como venderem bocados da Lua e coisas que tal, mas eu gosto da ideia desta ligação umbilical com um descendente no futuro...

monday monday

Não partilho da ideia generalizada de que a segunda-feira é o pior dia da semana. É talvez até o melhor dia da semana de trabalho. A segunda-feira é um dos poucos dias em que os meus neurónios ainda toleram actividades sociais depois das 19, capacidade que vai desaparecendo ao longo da semana para começar lentamente a ser recuperada na quinta-feira (sob grande esforço), com mais energia na sexta (ante a maravilhosa perspectiva de acordar tarde no sábado) e finalmente mais decentemente sábado à noite. Aliás sábado é, sem dúvida, o melhor dia da semana completa. Descobrir o prazer de um dia inteiro cheio de promessas é um dos lados positivos de trabalhar. Mesmo assim a segunda-feira é um dia bom!

do suicídio dos meus neurónios

Tenho notado que a minha actividade profissional contribui em grande parte para o suicídio em massa dos meus neurónios.
Por exemplo, muitas vezes, nas minhas actividades diárias encontro-me defronte de uma plotter (nota: para quem não saiba, uma plotter é uma impressora muito grande). As plotters são criaturas curiosas com um poder imenso. Tenho uma relação algo tensa com a minha plotter (minha é claramente um termo que posso utilizar dada a nossa relação de proximidade apesar de não ter contribuído para a sua aquisição). Ao alimentá-la com os rolos e as folhas ela dá imensas ordens: alinha as margens da folha com as linhas azuis, carrega no enter, escolhe o tipo de papel, levanta a alavanca azul, levanta a janela, baixa a alavanca azul, um sem número de ordens a que eu submissamente obedeço. Nunca falho, enrolo o que sobra do rolo, fecho a janela, faço tudo como ela manda. É então que ela começa a verificar o papel e uns olhinhos correm o papel duma ponta à outra, inspeccionando-o. Não consigo deixar de me sentir algo traída por esta falta de confiança. Eu cumpro tudo o que ela diz mas zumba ela tem que verificar o papel. Eu sou uma pessoa responsável e de confiança sua plotterzinha dum raio! Eu sei o que estou a fazer! Não te vou estragar com papel errado! O que é que eu tenho que fazer para que confies em mim???!!!

Com este tipo de pensamentos não há neurónio que resista. Eu acho que a plotter tem é ciúmes.

eu aposto que não

Caro Pedro Mexia,
Mal sabia eu que, um dia, ao ir escutar um daqueles debates do "é a cultura estúpido" (em que invariavelmente adormeço, mas a culpa não é sua) iria andar a perseguir um rapazito texano pelas fnacs de Lisboa. É que há coisas a que não consigo resistir e perseguir novidades é uma delas. O Micah é realmente fantástico mas teima em não chegar às minhas mãos. Tenho entretanto aprofundado as minhas ligações com os trabalhadores da fnac mas parece-me que estes contactos priveligiados não apressam a chegada do Micah e anseio pelo dia em que estaremos finalmente juntos.
Estas coisas da internet têm bastante graça porque se não fosse isso como teria ouvido a sua sugestão? Não vou enumerar a quantidade de acontecimentos engraçados que acontecem todos os dias pela net. Até porque se calhar contam-se pelos dedos de uma mão. Ou talvez não. Pensando bem outro acontecimento engraçado foi conhecer os Três Pastelinhos (mesmo que os miúdos agora já não me liguem nenhuma) e, é verdade!, também esse encontro foi proporcionado por si Pedro Mexia! Não sabia disso claro.
É realmente engraçado este mundo mas estou a desviar-me. Agora o que nós gostaríamos de saber, houve uma aposta feita e tudo caro Pedro Mexia, porque nós levamos a sua vida a sério... foi ou não a Famalicão ouvir o Micah?

13 February 2006

sou eu e o aga khan

Também eu sempre achei que a diversidade de opiniões era estimulante.

Somerset

Gostei tanto d'O Fio da Navalha (que li num dia! ah quem me dera ficar doente mais vezes!) que já estou a ler A Servidão Humana também do Somerset Maugham. Afinal não era nada terrível como me haviam afiançado mas um relato na primeira pessoa dos percursos dum pequeno grupo familiar misturando uma procura pessoal intemporal com um retrato da América e Europa (entenda-se Paris e Londres) em várias épocas. Fascinante.

embora este blog não seja a xis

"- Pensei que a sabedoria estivesse em estabelecer um equilíbrio entre as necessidades do corpo e as do espírito.
- Isso é justamente o que os hindus afirmam que nós, ocidentais, não fizemos. Acham que, com as nossas inúmeras invenções, fábricas, máquinas, e tudo o que elas produzem, procuramos a felicidade em coisas materiais. Ora, a felicidade não está na matéria, mas nas coisas espirituais. E acham que o caminho que escolhemos conduz à destruição."

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

so true

"- O Oriente pode ensinar ao Ocidente mais do que o Ocidente julga"

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

o que é que te faz Acreditar?

"Se foi um Deus bom e todo-poderoso quem criou o Mundo, porque motivo criou o Mal? Dizia os frades: para que o Homem, dominando os instintos maus, resistindo à tentação, aceitando a dor, a tristeza e a infelicidade, como provações enviadas por Deus, como instrumentos de purificação, se tornasse finalmente merecedor de graça. Isto parecia-me o mesmo que mandar um rapaz com um recado a determinado lugar e depois, para lhe dificultar a tarefa, construir um labirinto por onde se veria forçado a passar, cavar um fosso que teria de atravessar a nado e, finalmente, erguer um muro que seria obrigado a escalar. Não estava em mim acreditar num Deus sábio que não tinha senso prático."

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

estranhas situações

"No decorrer da minha existência, tenho-me visto em estranhas situações. Mais de uma vez, estive bem próximo da morte. Em inúmeras ocasiões, respirei uma atmosfera de romance, tendo disto a certeza no próprio momento. Viajei a cavalo através da Ásia Central, pela estrada que Marco Polo tomou para chegar às fabulosas terras de Catay; tomei um copo de chá russo num correcto salão de Petrogrado, enquanto um homenzinho de paletó preto e calças listradas me contava, na sua voz macia, como assassinara um grão-duque; sentado numa sala de visitas de Westminster, ouvi a serena perfeição de um trio de Haydn, ao piano, enquanto as bombas explodiam lá fora; mas não creio que me tenha encontrado em mais estranha situação do que naquele momento, sentado numa das cadeiras de estofo vermelho do alegre restaurante, durante horas a fio, enquanto Larry falava de Deus e da Eternidade, do Absoluto e das cansadas rodas de interminável reprodução."

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

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