13 February 2006

sou eu e o aga khan

Também eu sempre achei que a diversidade de opiniões era estimulante.

Somerset

Gostei tanto d'O Fio da Navalha (que li num dia! ah quem me dera ficar doente mais vezes!) que já estou a ler A Servidão Humana também do Somerset Maugham. Afinal não era nada terrível como me haviam afiançado mas um relato na primeira pessoa dos percursos dum pequeno grupo familiar misturando uma procura pessoal intemporal com um retrato da América e Europa (entenda-se Paris e Londres) em várias épocas. Fascinante.

embora este blog não seja a xis

"- Pensei que a sabedoria estivesse em estabelecer um equilíbrio entre as necessidades do corpo e as do espírito.
- Isso é justamente o que os hindus afirmam que nós, ocidentais, não fizemos. Acham que, com as nossas inúmeras invenções, fábricas, máquinas, e tudo o que elas produzem, procuramos a felicidade em coisas materiais. Ora, a felicidade não está na matéria, mas nas coisas espirituais. E acham que o caminho que escolhemos conduz à destruição."

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

so true

"- O Oriente pode ensinar ao Ocidente mais do que o Ocidente julga"

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

o que é que te faz Acreditar?

"Se foi um Deus bom e todo-poderoso quem criou o Mundo, porque motivo criou o Mal? Dizia os frades: para que o Homem, dominando os instintos maus, resistindo à tentação, aceitando a dor, a tristeza e a infelicidade, como provações enviadas por Deus, como instrumentos de purificação, se tornasse finalmente merecedor de graça. Isto parecia-me o mesmo que mandar um rapaz com um recado a determinado lugar e depois, para lhe dificultar a tarefa, construir um labirinto por onde se veria forçado a passar, cavar um fosso que teria de atravessar a nado e, finalmente, erguer um muro que seria obrigado a escalar. Não estava em mim acreditar num Deus sábio que não tinha senso prático."

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

estranhas situações

"No decorrer da minha existência, tenho-me visto em estranhas situações. Mais de uma vez, estive bem próximo da morte. Em inúmeras ocasiões, respirei uma atmosfera de romance, tendo disto a certeza no próprio momento. Viajei a cavalo através da Ásia Central, pela estrada que Marco Polo tomou para chegar às fabulosas terras de Catay; tomei um copo de chá russo num correcto salão de Petrogrado, enquanto um homenzinho de paletó preto e calças listradas me contava, na sua voz macia, como assassinara um grão-duque; sentado numa sala de visitas de Westminster, ouvi a serena perfeição de um trio de Haydn, ao piano, enquanto as bombas explodiam lá fora; mas não creio que me tenha encontrado em mais estranha situação do que naquele momento, sentado numa das cadeiras de estofo vermelho do alegre restaurante, durante horas a fio, enquanto Larry falava de Deus e da Eternidade, do Absoluto e das cansadas rodas de interminável reprodução."

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

e todos ficariam satisfeitos

"- Estiveste tanto tempo fora da América, Elliott, que te esqueceste de que neste país as raparigas não se casam só para satisfazer as mães e os tios - disse Mrs. Bradley com um sorriso árido.
- Isto não é motivo de orgulho, Luísa - replicou Elliott bruscamente. - Graças a uma experiência de trinta anos, posso asseverar-te que o casamento que é considerado do ponto de vista de posição, fortuna e igualdade de meio, tem vantagem sobre o casamento de amor. Em França, que afinal de contas é o unico país civilizado do mundo, Isabel não hesitaria em casar-se com Gray; ao fim de um ou dois anos, se a tal se sentisse inclinada, tornar-se-ia amante de Larry; Gray instalaria uma actriz de fama num luxuoso apartamento, e todos ficariam satisfeitos."

in O Fio da Navalha de Somerset Maugham

11 February 2006

uma vantagem de estar doente

é poder ler, ler, sabendo que não nos podemos levantar da cama logo só nos resta ler, ler, ler.

porque nos levamos tão a sério?

Acredito que haja manifestaçõs físicas das nossas ansiedades.
Há 9 meses que me angustiava a total incerteza do (meu) amanhã. Digam o que disserem, carpe diem bla bla bla, todos precisamos de acreditar num amanhã, todos precisamos de fazer planos, de delinear estratégias, de pensar o amanhã. Se realmente vivêssemos como se não houvesse amanhã andávamos esgotados de tanta excitação e ansiedade. É preciso saber que há um amanhã, que há um ontem, que há um caminho que percorremos e que há mais pela frente e, principalmente, ver que esse amanhã não está tão encoberto. Na realidade está, obviamente (a não ser para a Maya mas é uma linha de valor acrescentado), mas é preciso acreditar que o que queremos hoje, o que fazemos hoje tem alguma repercussão no futuro.
Há 9 meses que me angustiava com a total indefinição do (meu) amanhã. Estando perante o enorme privilégio de ter na mão o meu destino (sim, pois, inebriada no estonteante poderio que um grãozinho de areia tem no deserto) não sabia que caminho lhe dar. Estava tão ansiosa com o próximo passo esquecendo-me que num caminho à tantas não se distiguem as pedras. Queria ir para fora, queria ficar cá, queria isto, queria aquilo, enfim claramente não sabia o que queria. Bem, e ainda não sei. Mas não saber não pode ser um motivo para constantemente adiar decisões, para continuar de braços caídos. Parei de me armar em parva e consegui mais um pedaço de caminho, do caminho que quero percorrer. Por agora é mais um ano num super trabalho em Lisboa! Subarashi!
Acredito que haja manifestações físicas das nossas ansiedades. Terça pus fim a uma angústia de 9 meses. Quarta reached out and touched faith. Quinta caí na cama com 39º de febre.

09 February 2006

isenção e imparcialidade. are these words familiar to you?

Ouço na rádio que o Governo abriu no centro e norte do país bolsas de emprego para imigrantes. No final da notícia, a jornalista diz “recordo que o país está em crise, os portugueses não tem emprego, o PIB desce…” bla, bla.
Incentivar a xenofobia, quem, eu?

in the mode for love































Para celebrar o concerto de ontem à noite deixo aqui esta foto do Dave Gahan para exemplificar que há homens que podem vestir camisolas manga-à-cava, coletes, botins com salto, calças justas, fatos de lantejoulas, tatuar cruzes, pôr brilhantina no cabelo* e dar concertos aos pulinhos e saltos histéricos e mesmo assim serem masculinos e sexys como o diabo.
Têm, claro, é que ser o Dave Gahan.

*Meninos, não tentem isto em casa. Nenhuma das opções. Quer dizer eu tenho um certo fetiche com camisolas manga-à-cava, mas devo ser só eu mesmo e de qualquer maneira só há um certo tipo de homens que as pode usar e eu não consigo determinar porquê. Joguem pelo seguro: Não.

nota

Não sei se repararam mas eu fiquei contente por ter encontrado uma foto duma multidão japonesa para ilustrar o post de ontem...

07 February 2006

breaking news

Passar uns minutos de manhã a saltar pela casa cantando o novo single dos belle & sebastian deixa-me muito muito bem-disposta!

You’re my picture on the wall
You’re my vision in the hall
You’re the one I’m talking to
When I get in from my work
You are my girl, and you don’t even know it
I am livin out the life of a poet
I am the jester in the ancient court
You’re the funny little frog in my throat

move slower

O filme da gueisha fez-me lembrar como a sensibilidade, o requinte dos detalhes e apreciação pela beleza da cultura japonesa contrastam tão violentamente com a cultura americana. E europeia, by the way.

06 February 2006

todos à cultura!

Está a decorrer um ciclo de cinema alemão no King. No alto da minha inocência achei que 3 minutos antes do documentário sobre Instambul começar dava à vooooontaaade para comprar o bilhete, sentar-me confortavelmente num local central e a meio da plateia e disfrutar de 100 minutos sobre a mais europeia das cidades asiáticas...
Pois.
"Menina, já só temos na segunda fila! "
"Ohhh, a sério?"
"Quer ou não quer?"
Não, não quero que ainda sou muito nova para ficar vesga.
É impressão minha ou há uns anos estas coisas (i.e. programas cinéfilos temporários e esporádicos) estavam quase sempre às moscas? Seja o que for que se ande a passar ainda bem, ainda bem que tudo enche! Agora é dar-lhe mais tempo para comprar o bilhete a horas.

03 February 2006

qualidade de vida

Há certamente alguma ironia no facto de, ao começar a trabalhar, a minha qualidade de vida tenha diminuído. Sendo que aos 25 é já para mim humilhação suficiente viver com os meus pais no meu quarto de adolescente, pedir mesada raia o nonsense. Ou seja agora, que comecei a trabalhar, sei como se sente 70% da população portuguesa: pennyless!
Mas como se diz, a necessidade aguça o engenho, e a poupança faz-me andar a pé (adiando ad-eterno o meu trauma automobilístico) e almoçar frequentemente numa cantina (é claro que sou estudante de economia minha senhora, olhe aqui 2 euros microeconómicos!).
Há, no entanto, certos hábitos que custam a despegar... custa abrir mão dos cinemas, dos espectáculos, da gulbenkian, da culturgest e do ccb, de comprar os cds, os livros... É que quando nos habituamos ao luxo custa deixá-lo. Mas bolas, 15€ por um romance parece-me um assalto! Considero agora bem mais seriamente a cinemateca e os descontos à segunda e no outro dia descobri um admirável mundo novo: as bibliotecas de lisboa! Meus amigos aquilo é um espectáculo! Têm os catálogos completos disponíveis online, pesquisar é fácil e até agora, não me desiludiram (sendo que só procurei dois livros...), há a modalidade entrega-ao-domicílio, etc.
Aaahhh... tal como a neve, é incrível como a felicidade pode vir de coisas tão simples! Agora, por 15 dias tenho O Fio da Navalha do Somerset Maugham em casa. No fim do livro, já não devo estar tão feliz. Ouvi dizer que é "terrível".

30 January 2006

sobre o brokeback mountain

Eu, por exemplo, sempre achei que entre o clint eastwood e o charles bronson havia uma relação especial. Aquela harmónica... muito subtil.

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