29 January 2006

da cidade

"No meio desta máquina, sem autor e sua vítima, nasce, vive e morre o homem, que criou a cidade para o prolongar, para o servir para ser mais rico, para viver melhor, para ser mais feliz, numa palavra. Mas os seus contactos com a mater natura são mínimos porque a cidade coneporânea é, por definição, contra a natureza e quando a aceita e apenas para demonstrar que pode dominá-la; os contactos com o seu semelhante são episódicos, ocasionais ou forçados porque a cidade esmera-se em ser anti-social e destrói todas as bases de uma vida social harmónica; os seus movimentos são difíceis porque apesar de toda a sua rede de auto-estradas, dos seus metropolitanos, dos seus helicópteros, a cidade é cada vez menor para os veículos que a assediam; a sua habitação é defeituosa porque ele vive empilhado em ediícios monstruosos ou velhas construções ultrapassadas ou nas ilusórias "casas com jardim" dos subúrbios; a sua saúde física e espiritual periga porque a cidade não lhe oferece normalmente condições de vida física equilrada e o seu excessivo dinamismo cria-lhe terríveis doenças mentais - numa palavra, a sua liberdade não existe porque a cidade contemporânea se transformou numa verdadeira prisão."

Fernando Távora, in Da Organização do Espaço, 1962, edições faup

turn off

- ... Bla bla bla, pois e tal , e depois lá no atelier...
- Espera. És arquitecta?
- Hmmm... siiiim...
- ...
- O quê? Tu também?
- Siiim...
- ...

27 January 2006

geração 82 - part 2

Ontem ouvi uma miúda dizer LOL ao telefone com uma amiga. Não se riu, disse LOL.

*suspiro* Cada vez compreendo mais os meus pais.

geração de 82

São só dois anos mas um imeeeeeeeeenso vazio separa-nos:

É suposto entender frases como esta?: gxt disso..ja vi k es um munino xeiu de kualidades..fika bjx....

já me tinha esquecido

e hoje ao passar por um cartaz ainda da campanha eleitoral lembrei-me:

Francisco ANACLETO Louçã?

23 January 2006

blogo...quê?

Entre entregas no atelier, seminários intensivos, festas de aniversário que incluem idas ao mundo underground e surreal dos amantes da salsa que rodopiam sem cessar ou idas a restaurantes indianos que são italianos , e uma dor de cabeça imensa, tenho estado num movimento frenético e estou em completo denial com o dia de ontem. Não, não, eu não entrei na minha antiga escola secundária, naquela aula de francês onde levámos todos falta disciplinar por cantarmos os parabéns não sei a quem. Não, não, eu não peguei naquela folhinha quadrada com uma gramagem fantástica para fazer escorregar a grafite de um lápis 6B. Não, não, eu não fiquei um tempo embaraçoso a olhar para essa folha, completamente perdida. Não, não, eu não pus uma cruz num qualquer candidato que me levaria 1 ou 2 semanas depois àquele mesmo lugar. A única coisa que sim, sim, não me largou todo o dia foi uma imensa dor de cabeça que sobrevive até hoje mesmo com todas as drogas que já lhe dei.

17 January 2006

nacionalidade

Faz-nos normalmente imensa confusão sermos confundidos com os espanhóis. Que horror, somos tão diferentes. E, no entanto, confundimos alegremente moldavos com ucranianos ou russos com romenos, não interessa são todos iguais. Vietname ou Cambodja? É desses lados! Peru ou Argentina? Falam espanhol! Repetindo uma série de desconhecimentos culturais e geográficos!
Se para nós chineses são iguais aos japoneses não nos pode chocar acharem-nos iguais aos espanhóis. O que, na realidade, não é mentira! Ao lado duma japonesa sou igual a uma espanhola!

E bem me lembro do marroquino que, em Oslo, me agarra na mão e me diz "és tão bonita, fazes-me lembrar as mulheres da minha aldeia em Marrocos!" Até marroquina podia ser!

yuri

Uma das salas aqui no atelier está a ser pintada pelo Yuri. O Yuri é um romeno, moldavo, enfim daqueles lados, com 1,90m, que era atleta/fisoterapeuta na Roménia ou Moldávia, whatever.

É forte o Yuri.
Pinta bem o Yuri.

(Lava os pincéis e deita os restos das tinta no lavatório da casa-de-banho entupindo-o)

E também faz massagens o Yuri.

E é loiro o Yuri.

ouve-se no atelier

"Estou apaixonada por esta sanita!"

(suspensa, branca, redonda, linda para o projecto)

15 January 2006

pause

Viver sempre também cansa!

O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...

José Gomes Ferreira

revelação de ano novo


























O livro que todo o português devia ler, no qual descobri que sou mais portuguesa do que gostaria de admitir.

13 January 2006

spooky friday

Não só nasci num dia 13, como nasci numa sexta feira 13*. Por isso e por sentir a minha vida tão bafejada pela sorte, são estes dias tão especiais, mas não azarados! Para além de que não sou católica!

A razão obscura do azar das sextas 13 remota a 13 de Outubro de 1307 quando Filipe IV de França, farto dos Templários, ordenou que todos os cavaleiros da Ordem fossem presos à mesma hora, tentanto eliminar a Ordem em França de modo a liquidar de modo eficiente as suas dívidas. Ah! O Poder!

* já sabemos que a boca "ah isso explica muita coisa" não tem piada.

12 January 2006

my wish for 2006

como se escreve o meu nome em japonês?

...perguntam-me à vezes deixando confusos os meus pobres neurónios atolados em informações e conhecimento tanto do qual é possivelmente inútil. Dizem que o saber não ocupa lugar mas é mentira. Eu bem sinto o meu cérebro a estoirar.

Enfim, porque o meu katakana (um dos 3 alfabetos japoneses) já não é tão bom como era dantes têm agora um site à vossa disposição que vos diz como se escreve o vosso nome... em japonês (katakana)!

Aqui: http://ohui.net/lexiquetos/nombres-japones/?nombre=Crazy+Japan%21

Enjoy.

11 January 2006

um link

Porque cada vez mais gosto de o ler. Lobi Do Chá, o seu guia para as presidenciais e tudo o mais!

09 January 2006

irasshaimase recomenda

Sustentabilidade e Eficiência Energética na Arquitectura e Construção.
Mais informações aqui.

ainda nos meus ouvidos

ayumi hamasaki

(mas agora canto baixinho...)

not for all the smiths in the world

Por muitos Arcade Fire, Pixies, Radiohead e até The Divine Comedy que existam neste mundo, nada nem ninguém desperta em mim uma comoção tão profunda como uma boa composição clássica. Ao ouvir o Lacrimosa do Requiem de Mozart eu sinto que podia morrer ali e nesse momento e morreria feliz.

lisboa reduzida

A minha Lisboa reduz-se a cada dia que passa.
Vivo numa aldeia que vai do Rato ao Chiado onde todos os dias me entroso com os seus habitantes. Sonho com o dia em que vou entrar no café e sem dizer nada o senhor vai dizer "sai uma bica" como com aquela senhora que bebe todos os dia "uma italiana em chávena escaldada". Quem já me conhece são os injustiçados da Procuradoria que recentemente têm estado quase todas as manhãs de plantão à espera que sejam ressuscitados dos mortos... tres mil quinhentos e quantos mais? dias leio diariamente, e até o senhor já me cumprimentou com um bom dia e eu respondi bom dia. Mas não é nada bom pois não?
Fujo do autocarro apinhado e agradeço poder caminhar para o atelier. Cumprimento os japoneses, mais uns conhecidos. Assisto a um roubo de um cacho de uvas. Vejo o dono seguir o homem e trazê-lo pelo braço "Tem que pagar!". Faço um desvio para cheirar a magnífica árvore do Principe Real. Em cada rua que subo e desço há momentos de puro deleite sejam as colinas, seja o rio sempre tão brilhante de manhã. Na Baixa os meninos dos inquéritos já não me perguntam se podem fazer umas perguntas, os punks-malabaristas já não me pedem dinheiro, sou da casa e pennyless. Os pedintes multiplicam-se e o desespero aumenta multiplicando também os modos de pedir como o do vendedor da cais que canta e faz uns movimentos de sapateado.
Qualquer distância de metro leva-me primeiro para a periferia, Saldanha, Praça de Espanha e depois para o subúrbio, para os lados do Campo Grande ou Benfica. Belém, onde fucking subway não chega é outra aldeia, claro. Para o Parque das Nações? Não é preciso passaporte?
A minha Lisboa reduzida reduzida a cada dia que passa.

05 January 2006

a decadencia no mundo da arquitectura

Roubaram-me o dentifrico no atelier.

Pior, era do Dia, esse mini-mercado de referencia internacional.


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