27 October 2005
novidades nos links
O blog foi raptado por alienigenas mas a Sara (que nome tão bonito) escapou de boa e continua a blogar, agora por aqui!
E eu também gostava de falar menos e dizer mais em letra minúscula.
25 October 2005
o mistério complica-se
Parece-me claro que são apenas uma espécie de heterónimos dum mesmo autor(não muito original, mas enfim).
A dúvida agora é: qual deles é o original? E quem será o 4º heterónimo que fará a primeira parte do concerto do Donovan?
Eu não vou lá por isso depois digam-me.
24 October 2005
piadas profissionais
O arquitecto olha para o projecto (como foi feito? que materiais?)
O estagiário para a maquete (como foi feita? que materiais? como é que isto se corta?)
last (weary) days
- Não gosto de ver miúdas com cabelo curto (ou a Kim Gordon fica bem assim).
- Não desapareceram umas personagens algures?
- A bateria é o instrumento crucial no rock n’ roll e tão frequentemente desprezado
- Life is a long and lonely journey from birth to death.
- Pode morrer-se de aborrecimento.
22 October 2005
x-files
spooooky
momento xis*
Ps:Pela lamechice a gerência pede perdão.
*Xis, essa bela seca em forma de revista-suplemento, aos sábados com o Público.
19 October 2005
os japoneses integram-se bem comó caraças
-Fiquei 20 mn à espera duma japonesa (a pontualidade no Japão é quase irrepreensível)
-O japonês assim que me viu deu-me dois beijos (cadê o aperto de mão?) que até corei
-Apresentei dois japoneses um ao outro e eles apertaram as mãos (cadê as vénias?)
18 October 2005
a primeira vez
Carlos Ruiz Zafón, em "A Sombra do Vento"
16 October 2005
guru musical
O meu guru musical é o meu irmão, que me escrevia em inglês os nomes das músicas dos Queen, quando eu tinha 8 anos, que me apresentou a quase todos os grupos musicais de jeito do início da década de 90 (incluindo paixões para a vida como The Divine Comedy). Cada vez que eu timidamente me atrevia a mostrar um grupo que ele não conhecesse, ele já conhecia e dizia “só me trazes música de lixo!” que é como quem diz “o meu trabalho ainda não está terminado”.
Muito do que ouço de jeito foi ele que comprou o cd.
Estes eram os tempos áureos em que eu venerava o gosto musical do meu irmão. Depois comecei a falar com mais gente e a ver outras luzes e os nossos caminhos correm agora separados mas alguns pontos de encontro.
Mas não que agora o gajo vem dizer-me que Arcade Fire é uma treta, “pra-qué-que compraste o último do jay jay johanson?”, “funk é que é” e “já ouviste 50ct”? Tivessem sido todas seguidas e tinha tido uma paragem cardíaca. Tá tudo louco. O mundo está perdido. Estou sozinha, sem guia musical...
You are my brother. And I love you. May all your dreams come true. I see them coming.
(adaptação do Antony & The Johnsons)
Ps: sim, ele acha Antony & The Johnsons a coisa mais chata do mundo.
memórias duma noite
Perdi-me várias vezes na exposição dos Mateus (aquilo é um labirinto não é?). Aliás, segundo a melhor piada da noite ( da peut-etre)"o Mateus bebe-se melhor que se vê" em alusão ao rosé e à multidão que bloqueava as vistas.
O meu amigo japonês já bem animado por uns copinhos de tinto estava admiradíssimo com a afluência! "Nem se organizássemos uma exposição do Tadao Ando tinha tanta gente!" Ah pois é Lisboa não pára em casa!
Felizmente ambiente estava bem melhor no Frágil. A já lendária festa QF foi estrondosa. Fui logo recebida à entrada pelo Rui Reininho que me cumprimentou e tudo (infelizmente claramente confundindo-me com alguém) e quando, a partir deste encontro-desculpem-mas-eu-acho-o-homem-um-charme a noite parecia impossível melhorar... eu sei lá quem nem como, começaram umas músicas atrás das outras e eu já não tinha mão em mim. Estive em alegria plena umas boas horas com uma parte dos melhores amigos do mundo! E tudo graças a estes meninos. Meus anjos. Até à próxima.
13 October 2005
12 October 2005
agenda cultural
Não percam Aires Mateus: Arquitectura ( e havia de ser o quê?), Adriana Varejão: Câmara de Ecos, Sabine Hornig, e Sancho Silva: Project Room.
A partir das 22.
10 October 2005
qualquer pessoa dá um homicida qualquer* ou o serviço incompetente toca sempre duas vezes...
Enquanto escrevo estas palavras (só para dar uma nota de dramatismo) estou desligada do mundo. Cortaram-me a linha de telefone (isto sim é dramático!). Se estão a ler estas palavras é porque sobrevivemos (eu e a linha).
Porque eu não concordo que a PT tenha o domínio exclusivo sobre as telecomunicações em Portugal decidi mudar para a Novis assinando um excitante pacote telefone + internet banda larga (o facto de não se pagar assinatura mensal não teve nada a ver com isso). A emoção tomou-me e a perspectiva de um telefone mais barato e internet a toda hora e momento era suficiente para ser feliz por muitos anos (I’m soooo easy). Tinha que esperar 6 semanas, o prazo legal que a PT segue à risca antes de abrir mão de um cliente. Eu esperei. Sou muito zen e bem, não tinha outro remédio. 8 semanas e meia (muito menos excitantes porque como se sabe tudo aconteceu na última semana, a nona) já era cliente novis. Yupiiiii. Ai que felicidade. E a internet cos diabos? Onde está ela? Ó menina vamos com calma, Roma e Pavia não se fizeram num dia. Agora olhe só que parvoíce, mudar o telefone e enviar-lhe o kit de adesão são tarefas que têm que cumprir um rigoroso protocolo, não é assim pôr no correio e já está... Ah não? Eu espero...
Pois quem espera, desespera, mais vale esperar sentado, quem semeia ventos colhe tempestades e burro amarrado também pasta. A internet não há meio de chegar e ninguém arrisca prognósticos porque também me parece que a Novis se move a tempo-carris. Pelo meio comecei a estranhar ninguém me ligar (será que ainda pensam que estou no japão? Ou que voltei para lá? Ou tornei-me uma pessoa assim tão desinteressante? As dúvidas torturavam a minha alma), até que entendi QUE ME TINHAM ALTERADO O NÚMERO!! Em claro incumprimento daquela clausulazinha em que pus uma cruzinha: “deseja manter o seu número actual? (lei da portabilidade nhe nhe nhe nhe)”. Foi assim que comecei a fazer novos amigos no call center da Novis (António, Tiago, Rita e João, já sabem jantar cá em casa na quinta!) sempre tão prestáveis mas inúteis nas horas. De repente (não tão de repente que isto já se arrasta há 4 semanas) alterar o meu número para o anterior era mais complicado que descobrir o Bin Laden nas montanhas do Afeganistão. Só o meu caso deve ter causado, no mínimo, 3 suícidios e 46 tentativas na casa Novis ( eu pelo menos sonho com a minha importância, não sei quanto a vocês).
No último episódio, o meu número antigo já estava ligado a um telefone Novis. Só que não o meu!!! (Seria demasiado fácil) Ao de uma outra assinante que não consegue que ninguém lhe ligue porque o seu número novo da novis vem ter a minha casa! Estou a um passo de cancelar qualquer telefone e me mudar para o Tibete.
E a internet e a minha almejada banda larga, hein? Cadê?
PS: Ligaram-me agora da PT (errr... eu não deixei de ser vossa cliente?) dizendo-me a avaria que eu tinha reportado (não fui amigo foi a outra senhora mas vá isso é uma longa história) já estava reparada. Por isso estão a ler estas palavras senão eu estava na rua agora a apanhar com o que o tufão de grau 1 nos trouxe a Lisboa. E agora vou por de enxurrada os posts de que estiveram privados estes dias (estão a seguir. Ou antes. Como quiserem entender)
* copyright João Rosas (autor do livro Qualquer Pessoa Dá Um Homicida Qualquer), roubado ao Pastel de Nata.
I couldn’t remember what I can’t forget
Em Tokyo chovia copiosamente e eu oscilava num misto de excitação e terror. À minha espera estava o marido da senhora que era amiga do amigo... um japonês que não falava inglês mas que foi o meu melhor amigo nesse dia. Levou-me à Faculdade e carregou-me a mala e orientou-me quando eu revelava um cansaço imenso e tudo me parecia confuso e bastante feio. Na faculdade o professor Ando oferecia-me chá quando eu decidi logo destabilizar o sistema e pedir café em substituição. Logo apareceram outros estudantes europeus com bem mais genica que eu e dei por mim a inscrever-me em cursos de japonês e a dar voltas à Universidade. Finalmente decidiram enfiar-nos num táxi até à residência não sem antes me avisarem logo que havi baratas nos quartos. Uma onda de pânico tomou-me e se avião ali houvesse tinha voltado. À primeira vista não vi baratas no meu mini-quarto e a visão duma cama onde pudesse dormir acalmou-me. Mesmo assim fui logo à loja de conveniência em frente comprar todos os kits anti-baratas possíveis e imaginários que, infelizmente, se revelaram muito úteis.Os primeiros dias foram uma roda-viva com testes, reuniões, terramotos, jantares, reparações de bicicletas, festas e tufões sempre com basicamente uma data de gente desconhecida a quem me iria afeiçoar tanto. Acho que desconfortável e sozinha foi, em geral, como me senti esses dias, sentimentos que se evaporaram com o passar do tempo, embora nunca tenham desaparecido completamente.
Naqueles dias o futuro prometia muita estranheza e incerteza e um mundo novo. Um ano depois promete o mesmo, só está ainda indefinida a localização geográfica...

tokyo from roppongi hills
copyright sushi lover
09 October 2005
por um voto se muda, por um voto nos enterramos mais
Venho por esta meio sugerir hipotéticas localizações para um próximo ataque terrorista: Felgueiras, Gondomar, tendo como alvo principal as instalações camarárias. Soletra-se assim: C-A-M-A-R-A M-U-N-I-C-I-P-A-L.
Estes serão os casos mais urgentes mas considerem nas vossa listinha de ataques futuros outras localizações como Lisboa, por exemplo.
Outras sugestões seguem na caixa de comentários.
Atenciosamente,
Sushi Lover
08 October 2005
[no comment]
06 October 2005
liberta o Paulo Coelho que há em ti!
Por toda Lisboa foram colocadas umas plaquinhas que dizem quantos minutos faltam para o próximo autocarro x passar. Que maravilha, que inovação! Mas o tempo, ah o tempo-carris não é igual a esse tempo que pensamos conhecer e que rege as nossas vidas... Um minuto-carris não tem 60 segundos. Tem 60 segundos-carris cuja conversão para o tempo-quotidiano-burguês-e-capitalista é impossível de calcular! Mas para quê? Quando se vive na vanguarda não nos podemos prender por detalhes, a vida é demasiado fugaz!
E isto não é moda dos EUA, não foi inventado no MIT ou em Harvard. É de autoria completamente portuguesa! É como a Via Verde! Isto é o futuro! Assumir a inconstância do momento, a imprevisibilidade da vida. Liberta o Paulo Coelho que há em ti!
-Quando vens?
-Hmm. Daqui a duas horas.
-Duas horas?
-Duas horas-carris!
-Ah, Estarei à tua espera. Ou não!
Ah se o mundo funcionasse a minutos-carris!
e assim me estragaram a noite
-Ah e tal... Vou para o Incógnito - digo eu
-Também me tinha lembrado disso mas sabes... o Incógnito... é sempre aquela cena..
-...?
- As saídas de emergência. Não há. Se acontece alguma coisa ali...
Bolas para os engenheiros pá!
Passei as seguintes horas angustiada a tentar dançar (Bora ficar aqui no 1ºpiso?), a tentar abstrair-me dos meus pensamentos catastrofistas ( Isto é Stone Roses? Hmm Stone Roses é fixe! Stone Roses é fixe, a música é fixe... Ahhh! Vamos todos morrer a ouvir Stone Roses!! )
Tentei não contagiar os meus amigos com o meu novo pânico mas ainda por cima aquele espaço mínimo estava a abarrotar... Brrr...Fica o aviso. Incógnito: saídas de emergência.
30 September 2005
o que vocês perdem ao não andarem de autocarro
-E o gajo que não se meta com ele que ainda leva do meu tio!
-Do teu tio?!
-Tás a gozar, o meu tio é o gajo mais forte do bairro da Boavista! Anda lá sempre no boxe e ganha a todos. Uma vez até matou um gajo à porrada!
-Eh, matou o quê? Tava preso então!
-E teve! Teve 10 anos preso! O meu tio teve 10 anos preso! O que é que tu julgas? O cabrão que não se meta que ainda leva do meu tio!
[ ...]
-Pois, yá o teu tio ajudava-te porque és neto dele!
-Ah sou neto, estúpido? Ele é meu avô por acaso? Eu sou... eu sou... eh pá como é que se diz?
-Atão não é neto? Tu és neto!
-Não é nada... é... é... sobrinho! Eu sou sobrinho dele!
28 September 2005
27 September 2005
manecas costa

Se há coisa que viver no Japão me ensinou é como a nossa vida pode ser tão reduzida se nos fecharmos às outras culturas. A cultura europeia/ocidental é fantástica mas a vida fica tão enriquecida quando deixamos entrar outras... seja por viagens, pessoas, literatura, gastronomia ou música...
No meu iTunes agora anda a bombar Manecas Costa, brilhante músico guineense, que aparentemente deu um show em Monsanto há uns tempos! (Bem jogado Heli!!! Adorei!)
Se gostam de música da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e outros países que tais vão urgentemente ao B.leza que, ouvi dizer, vai fechar ,mais dia menos dia. Se nunca ouviram ao vivo e nunca lá foram, aproveitem a dica mesmo! O espaço é lindíssimo, cheio de classe, a música é muito boa e sempre podem dar um pezinho de dança... Até já lá vi o principe Kyril da Bulgária, ah pois!
25 September 2005
agenda cultural

Para quem, como eu, conseguiu perder 3 vezes o belíssimo e estonteante bailado Pedro e Inês, coreografia Olga Roriz, cenário João Mendes Ribeiro, trago boas notícias (aos lisboetas pelo menos) !
O mesmo vai estar outra vez em palco no Teatro Camões de 7 a 9 de Outubro!
E eu já tenho o meu bilhete.
23 September 2005
follow me

Stepping stones in Heian Shrine, Kyoto
copyright sushi lover
Porque eu não gosto de Rodin ou Ticiano, todos me dizem que sigo um mau caminho. E porquê? Se cada um se fiasse no caminho que nos aconselham nada de mais se fazia, pois que eles, os outros, só sabem indicar-nos as suas próprias pisadas.
Amadeu de Souza-Cardoso
22 September 2005
21 September 2005
mais de 9 anos
I will aim towards the sky
Nessa altura vou olhar para estes meses de “desocupação” com melancólica saudade e repetir para mim mesma onde é que raio estavas com a cabeça quando disseste que querias trabalhar? e pensar porque é que passava os dias angustiada ai-pobrezinha-de-mim-que-não-sei-como-vai-ser-o-meu-futuro em vez de aproveitar cada segundo de liberdade para fazer tudo o que sempre quis fazer antes e não tinha tempo... Seja lá o que isso for! Nessa altura de certeza que o meu futuro, pelo menos durante um ano, vai ser bem certo (a não ser que contemple a sombra do despedimento) e vou lembrar saudosamente estes dias.
A questão é que, pela primeira vez na minha vida, não sei mesmo o que vou fazer a seguir e tudo o que possa desejar como, sei lá... um emprego fabuloso em local fantástico, não depende exclusivamente das minhas maravilhosas capacidades!
Mas se ao menos toda a gente parasse de perguntar “Então, o que tens feito?”
15 September 2005
memória
Dinheiro deitado à rua... Terei de viver com esta amostra de alzheimer precoce. E post-its, milhões de post-its...
13 September 2005
globalização à porta de casa
Da economia não me vou alongar porque não percebo nada disso.
Agora, dessa globalização social, cultural, intelectual... ahh! é maravilhosa!Nunca vivemos tempos tão bons para saber mais doutros países, doutras culturas, de podermos viajar nelas, de podermos viver nelas. Nunca podemos saber tanto sobre países distantes como o Burkina-Faso ou o Japão, e experimentá-los quando quisermos ou podermos! A globalização é tudo isso, é a itinerância mundial do conhecimento! É a itinerância mundial de pessoas! Que melhor maneira de conhecer outras culturas que falar com as pessoas dessas culturas, conhecê-las e perceber as distâncias mas principalmente os pontos que nos unem a todos mundialmente como seres humanos!
A globalização também é encontrar por acaso na mercearia do bairro 2 amigos japoneses correntemente a trabalhar em Lisboa... A jantarada japonesa já está combinada!
It's a small world and I love it!
11 September 2005
onde é que você estava no 11 de setembro?
Só muitas horas depois, já em casa, intrigada pelos incessantes burburinhos no bar, no autocarro e na rua, vi as terríveis imagens e alcancei a dimensão da tragédia. E literalmente a imagem valeu por mil palavras.
ainda o Katrina
Muita da desgraça de New Orleans foi provocada pelos seus próprios habitantes e planeadores. A desvastação não teria sido tão grande se toda a cidade não estivesse construída 60 cm abaixo da linha do mar, com um sistema de diques e bombas, impreparados para algo como o Katrina.
Daqui se deviam tirar ilações aplicáveis a outras cidades como... Lisboa.
Lisboa, onde se constrói em leitos de cheias como Alcântara, onde se interrompem rios subterrâneos com túneis de metro e rodoviários como no Marquês de Pombal, onde se alteram as oscilações das marés que durante 3 séculos têm mantido a Baixa de pé com a contrução de parques de estacionamento.
Se as previsões do aumento do nível das águas em 1 metro em 50 anos se confirmarem pensem bem no que será destruído em Portugal. Locais como a Costa da Caparica simplesmente deixarão de existir (estarei a imaginar uns sorrisos?). Mais longe, os Países Baixos deixariam de existir.
A-s-s-u-s-t-a-d-o-r.
Quem semeia ventos, colhe tempestades.
descivilização
Pensam que as pilhagens, as violações e os assaltos à mão armada que eclodiram em Nova Orleães nunca teriam acontecido na maravilhosa e civilizada Europa?"
" A questão básica é a seguinte: se retirarmos os elementos essenciais da vida organizada, civilizada - alimentação, abrigo, água potável, segurança individual mínima -, em poucas horas voltamos a um estado natural "hobbesiano", à guerra de todos contra todos."
"Não consigo evitar uma sensação de que aquilo que ali se passou se repetirá, muitas vezes, com o avançar do século XXI. Existem demasiados problemas emergentes que poderão fazer retroceder a humanidade. A ameaça mais óbvia virá dos desastres naturais resultantes das alterações climáticas. Se este cataclismo for interpretado por políticos americanos como John McCain como um "aviso" para alertar os cidadãos sobre as consequências de os Estados Unidos continuarem a lançar dióxido de carbono para a atmosfera como se não existisse o dia de amanhã, então a tragédia do furacão Katrina terá algum consolo. Mas poderá ser tarde demais. Se estiverem correctas as informações recentes de que não são só os glaciares que estão a derreter, mas também o subsolo da Sibéria, e de que esse degelo poderá gerar maior libertação de gases com efeitos estufa, poderemos ser lançados numa espiral imparável. Se tal acontecer, se grandes zonas da terra forem atormentadas por tempestades, inundações e alterações de temperaturas imprevisíveis, então o que aconteceu em Nova Orleães não passou de uma brincadeira de crianças."
E outras questões importantes e pertinantes são muito bem expostas no texto de Timothy Garton Ash publicado no Público de 11 de Setembro, donde retirei estes excertos. A ler.
10 September 2005
it haunts my dreams
Vai-te lixar ó Ando Sensei! Sabes lá como é a vida para lá do betão e das meetings, das 4 horas diárias de commuting e destilas as tuas frustrações em sake! Ainda me vais ligar um dia para eu colaborar contigo num projecto qualquer! Em Okinawa!
Ai, prestígio e dinheiro... doce ilusão! Um professor um dia, em palestra a alunos de 1ºano, disse: “Disseram-me: queres ser rico? Vai para Arquitectura”... AAAAAAAHHHHHHHHHHAAAAAAAAHHHHHHH. A piada do século! Ai, não fossem 10 da manhã num anfiteatro escuro com um tipo aborrecido, ou seja, não estivesse tudo a dormir e tinha sido gargalhada geral. Não, na altura acho que ninguém sabia sequer o que estava para ali a fazer. Hoje também não. Mas já sei que não vou ser rica.
09 September 2005
but songs... they are never quite the answer... just a soundtrack to our lives
Tenho uma colecção muito selecta e involuntária de músicas que cada vez que ouço me transportam a outros tempos e a outras pessoas da minha vida. Canções que em dado momento foram ouvidas sem parar "ao expoente da loucura" associadas a um específico sentimento por outra pessoa ou estado de espírito e que depois ali ficaram agarradas a esses momentos ou a essas pessoas.
O que leva uma canção a tornar-se especial a dado momento é completamente imprevisível... Pode ser a letra, um acorde, um título, tê-la ouvido numa ocasião especial ou que se tornou especial por causa da música... qualquer coisa, o que a mim própria me surpreende. Quando recuperadas, soltam esses momentos de felicidade (ou não) com um pouco de pó de melancolia e muito frequentemente fazem-me soltar lágrimas... Não deve haver muita gente que chore a ouvir Pulp, Pixies, Dave Matthews Band e outros que tais...
Se calhar dava um boa actriz dramática... Uma qualidade tenho: é tão fácil fazer-me chorar!
sei que estou com saudades
ps: não, não o levei...
08 September 2005
finally I met you
06 September 2005
meditação
Eu, é mais... "Será que o segurança traz naquela inofensiva toalha uma arma? E se, para o ano, o tipo é presidente e há um terrorista na praia e eu sou apanhada em fogo cruzado? Hmmm... Como nunca vou à praia dos Tomates se calhar voto Cavaco! Hei, é pela segurança do mais fantástico areal algarvio..." Ah ah! Queriam, não queriam? Nunca na vida hei-de votar nesse senhor!
Eu, que gostei tanto do discurso do Manuel Alegre (até o nome respira positivismo), que já estava pronta a entregar-lhe o meu voto, já a pensar na beleza dos discursos do 10 de Junho a que já me propunha assistir pela primeira vez...
Mas venha o Marocas e... não pensem que isto vão ser favas contadas, mas digo-vos o homem está mais que pronto para o combate!
Melhor está ele mesmo que já sabe o que vai estar a fazer em janeiro... Já eu, arrasto-me nesta indolência e penso, penso muito e penso mais ainda sobre onde apontar a minha direcção... mas a incerteza, as dúvidas entre o que sou, o que quero e o que vou fazer... pfiuuuu... boooriiing boring! A luz chegará!
não foi
O que verdadeiramente me chateou no Festival Paredes de Coura foi... o barulho.
O barulho, não a música que essa encheu a minha alma. Foi o non-stop de puro, irritante, está-a-dar-me-cabo-dos-nervos barulho. Porque é que a seguir a 5 horas de concertos abrem uma discoteca ao ar-livre? Pior, porque é que essa animação (onde confesso dei um pézinho de dança) se arrasta por outras 5 horas? Impossível descansar. E depois são os grupos de alegres convivas que, já sem tímpano, gritam e saltam ahh viva a juventude... Quando tudo parece acalmar das duas uma (das duas as duas, só não sei quem chegou primeiro): chega o sol impiedoso que te faz arrastar para fora da tenda para o meio das silvas, ou... chegam os trabalhadores do festival, da segurança, das barraquinhas, do raio-que-a-parta, que encostam todos em alegre e barulhento convívio!
O dia segue num suplício em busca de silêncio... Derreada por falta de sono, arrasto-me até ao rio ahhh-aqui-vou-descansar-e-ouvir-os-passarinhos... Qual quê... Em 10 minutos estou rodeada, "passa-me uma carta!", "eh pá! Tinha um jogo tão bom e não ganhei", "pós sim que pór supuesto e nha nha nha nha nha" em decibeis claramente ilegais deste lado da fronteira e tanto bla bla bla bla bla... Donde é que esta gente saca a energia? Depois é a aula de yoga (oh! sim!), os meninos dos tambores (die suckers!), o sound check, o jazz na relva...
aaarrrrgghhhhhh!
Quando finalmente deslizo para o recinto já os meus ouvidos estão entupidos!
Mas tudo está bem quando acaba bem e eu simplesmente adorei o Festival, bem os dois últimos dias, pelo menos!
A revelação para mim foi o Nick Cave, de quem ERA semi-fan e nunca tinha assistido um concerto e agora quero venerar este deus até ao fim dos meus dias!
Arcade Fire (a quase única razão da minha peregrinação ao extremo norte do país) foi fantástico, o som tava uma merda, mas foi lindo ver que tanta gente já os conhecia.
Com tal reacção dizia eu "Vais ver, daqui a uns minutos vão dizer que nunca viram coisa assim, que antes nem sabiam onde era Portugal e agora vão voltar todos os anos!". E no fim, já dizia o vocalista "Uau, fantástico, nós temos que ir embora mas não queremos!!!" Já cá cantam!
Pixies é Pixies, e é sempre bom, nem que seja para gastar as minhas cordas vocais e "meus males espantar".
Queens of the Stone Age, tive medo, muito medo... bolas que potência! Mas um bocadinho alto, não?
Vincent Gallo tocou músicas bonitas fora das rotações do Festival, mas o homem é um entertainer puro e gosta muito de falar. Ficámos a saber da sua histórica relação com Portugal, cheia de detalhes... Gostava eu de saber se aquela história do hotel era verdadeira e... se alguém foi!
Juliette Lewis, pois... é ela! Muito show-off, muito cabelinho a rodopiar e perninha torta a abanar. Sem música propriamente original e letras oh-my-god ainda assim eu diverti-me!
Com um cartaz assim volto para o ano! Mas please alguém tem uma casinha perto de Paredes de Coura?
14 August 2005
12 August 2005
voyage voyage
10 August 2005
então o que é que fizeste hoje?
-Ah, continuas a ler o livro do Cadilhe.
09 August 2005
viajar para escrever ou escrever para viajar
A ideia começou a ganhar forma depois de descobrir a escrita de outro viajante, Wenceslau de Morais, o consul português no Japão do princípio do século XX, que se apaixonou pelo Japão e aí viveu até à sua morte em 1929. Wenceslau de Morais escrevia cartas regulares que, se não me engano, eram publicadas no Comércio do Porto. As suas cartas retratam a realidade japonesa com sensibilidade e perspicácia e ilustran uma fascinante perspectiva ocidental sobre o Oriente.
Tudo isto porque acabou de ser publicado “Planisfério Pessoal”, o livro que recolhe as crónicas de Gonçalo Cadilhe publicadas pelo Expresso, e que chegou ontem às minhas mãos. Leio, imaginando se algum dia farei algo de parecido...
07 August 2005
indolência mediterrânica
06 August 2005
04 August 2005
oh get me away from here I'm dying
Mas precisava de sair daqui. Para no inebriante do desconhecido não pensar nos impasses em que estou enfiada.
02 August 2005
sushi lover & zeee gerrmans. take9.
German – sure, but I can’t do it right now.
Me – oh, don’t worry, whenever, no rush…
(a week later is a package at my door with the stamp of the day after I asked –
that’s when I love them - R.E.S.P.E.C.T.)
sushi lover & zeee gerrmans. take8.
The next day I call the german at 20.30 “Where are you?”.
Reply: “Isn´t the dinner tomorrow? You said tomorrow!”
Me- “Today is tomorrow!”
German- You sent the message at 2 am!
Moral:
For a german the day starts at midnight.
For me it starts in the morning.
sushi lover & zeee gerrmans. take7.
German – why are you apologizing? It’s not your fault. You don’t have to be sorry.
Me, trying to explain portuguese politeness – I know that. I’m not exactly sorry, it’s just a matter of speaking. Being polite, understand?
German – Hmmm...
sushi lover & zeee gerrmans. take6.
Me – please can you come 30 mn late? I still haven’t shop the groceries
German – oh, the lovely Portuguese
(german arrives as planned 30 mn late)
Me – well, actually I haven’t start to cook but have some wine!
sushi lover & zeee gerrmans. take5.
German (08:57) – (knocks at my door) Are you awake? Let's go?
sushi lover & zeee gerrmans. take4
German – well, they have the idea, and then they make the movie.
Everybody – aaaaaaaaaa………
sushi lover & zeee gerrmans. take3.
Me – That’s impossible, it never snows in Lisbon. I think only once in the 60’s that happened.
German – no, I’m pretty sure it was Lisbon
Me – nope!
German – almost sure
Me – Hey! May I remind you that I’ve been living there more than 20 years. It wasn’t Lisbon.
German (to the greek girl) – does it snow in Athens?
Greek – Yes, sometimes.
German – Ah. Then it was in Athens. I was sure it was a southern country.
sushi lover & zeee gerrmans. take2.
German – We are not lost. It’s that way [usually opposite]!
Me, sarcastic – ok, I like walking anyway.
01 August 2005
irasshaimase!
Irasshaimase é uma das palavras mais ouvidas no Japão à entrada de... basicamente qualquer sítio onde vendam qualquer coisa... restaurante, café, supermercado, sapataria, etc...
É normalmente gritado em tons agudos, quase histéricos a romper com os tímpanos, em coro por todos os funcionários da loja, restaurante, café, supermercado, etc...
Pois é para vocês este irasshaimase silencioso! Bem vindos ao meu blog, onde nada se cria, nada se perde e tudo se tranforma!
um dia, uma foto
Há que tempos que queria pôr o link...
Agora até tem direito a post! Continua a fotografar Ben!
bimbo, não com muito gosto!
"mulher de 40, não quero saber do teu passado, só quero ser teu namorado"

Quando acordei naquele sábado com um sms para uma festa relampago a 100 km de Lisboa nem me passava pela cabeça que ia acabar a noite a ouvir Marco Paulo ao vivo.
Foi a primeira vez que o ouvi ao vivo tenho que dizer que o homem é um profissional e tem uma voz espectacular. Ainda canta sucessos dos anos 80 porque não deve haver muita gente que conheça os mais recentes... Houve alguém que descobriu pela primeira vez que frases como "mexe e remexe", "louca na cama, lady na mesa" e "taras e manias" são uma única música. Ficámos a conhecer, no alinhamento final do concerto, que "Amor Eterno", "Nossa Senhora" e "Mulher de Quarenta" são todos possíveis grandes sucessos do mais recente album do último cantor romântico do país...
Ai, o Verão...
26 July 2005
sushi lover & zeee gerrmans. take1.
German (pulling out his agenda) - which one? Friday or Thursday? I still have both free. And what time? And where do you want to go? Should we have dinner first?
Me (trying not to scream) - … can we decide later? Like the afternoon before?
zeeee gerrmans… esse ser estranho
Os alemães são imensos e estão por todo o lado (pelo menos, todo o lado que eu vou). Gosto deles. Apelam muito à minha necessidade de organização, que passo a vida a queixar-me de não ter.
Admiro-lhes a perseverança, quase obstinação. Quando querem uma coisa, lutam por ela de um modo paciente e metódico, completamente impermeáveis a opiniões alheias.
Parecem-me, em geral, interesseiros e não perdem tempo com ninharias. Não gostam muito de gastar o tempo pelos cafés.
A não ser no país deles, falam bem inglês e sem sotaque. Avisam se vão chegar 2 minutos atrasados.
Durante alguns minutos tem piada a mania que sabem tudo, enquanto vão mostrando que realmente sabem muito. A piada acaba quando não sabem aceitar uma crítica ou simplesmente, que estão errados num qualquer assunto.
A sua mania-que-sabe-tudo-quase arrogante pode criar situações hilariantes como a do meu colega alemão que adorava dar explicações sobre temas japoneses... a japoneses!! Mas não há decoro? Mesmo que ele tivesse razão e estivesse a explicar algo que eles verdadeiramente não soubessem....
Mas não consigo ficar muito tempo perto de um alemão. A tensão, a ideia que cada palavra é analisada e, o mais dificil, a minha incapacidade de fazer entender o meu sentido de humor... A minha crónica má relação com o relógio leva-os a subir pelas paredes, mas nunca há berraria, o mais provável é, simplesmente, irem embora e não esperarem.
A sua rigidez e falta de espontaneidade deixam-se tensa e pouco à vontade.
No entanto facilmente crio empatia com um alemão e como já disse tenho bastantes amigos alemães. Eles gostam de mim. Eu gosto deles. Mas em pequenas doses. Um alemão é uma prova de treino para toda a minha diplomacia. Falta-lhes... alegria?
O meu sonho é ser organizada e obstinada como um alemão e manter o easy-going e joy-de-vivre latina... Hei-de lá chegar.
25 July 2005
mas os talvez são piores
não fui, não fiz, não disse
23 July 2005
euro milhões
Agora 97 milhões...
22 July 2005
mais olhos que barriga
Como uma criança numa loja de brinquedos fui ontem a um restaurante japonês e saí a rebolar. Ainda estou cheia. E com um sorriso. Mas isso até pode ser por outros motivos. A lua cheia, por exemplo.
sushi lover, a internacional
Quem disse que o Verão é para relaxar?
ps: Obrigada pelas dicas, fosse eu uma menina auto-mobilizada e levava-os eu de automóvel.Bem... até ao Cabo Espichel pelo menos... Hoje ou amanhã parece que vai ser um jantar de fados.
21 July 2005
damedayo! help!
Que chegam hoje a Portugal.
E que querem ir ao Cabo da Roca e a Óbidos e depois a Coimbra, mas não têm carro!
Perguntaram-me qual era o comboio (!?) e eu... não faço ideia de como se chega a ambos os locais sem ser de automóvel!
Pedido à blogosfera que está a ler: Alguém sabe como se chega ao Cabo da Roca ou a Óbidos (e como é que de Óbidos se vai para Coimbra) sem automóvel?
20 July 2005
fading out #2
Encontrei um japonês e tentei falar japonês. Não me lembrava de nada. Ok, não seria difícil porque eu não sei falar japonês. Mas em Tokyo sempre dizia umas coisinhas, uns boa tarde, uns números... Agora míseros 2 mesitos depois... parece que o Tico e Teco querem arrumar novas coisas, mas o QUÊ? se nada se passa por aqui? Deve ser o "24"! Ou tentar juntar o puzzle todo e juntar os nomes às caras dos Quase Famosos! Sayonara escassos conhecimentos dessa língua demoniosa!
porque é que os japoneses nos passam a perna
ando com os dias muito ocupados
Tive que sair de casa para trabalhar. Não cheguei à paragem do autocarro.
17 July 2005
and we keep playing PARTY
Vim com um cd para casa que até tinha Arcade Fire (quem, eu obcecada? Eu juro que ouço outros cd's!). Não são como uns e outros...
Fiuuu, estou estoirada, ainda bem que o fim-de-semana acabou!
perdoem-me os eruditos e fans...
Aquela Sagração da Primavera com uma coreografia, enfim, com momentos bons e outros bem aborrecidos, e um técnico de luz de férias... arrasaram-me os nervos entre bocejos...
E porquê, porquê, PORQUÊ MEU DEUS acabaram com o Ballet Gulbenkian!?!?!
16 July 2005
PLAY: Party
Venho por este meio agradecer a efeméride festiva da noite passada.
Nem mesmo em Tokyo ouvi tal selecção musical que muito agradou ao meu ouvido e aos meus ossos que se abanaram como há muito não. E ainda deu para confirmar as minhas suspeitas e conhecer o durão!
Quando cheguei estava um rapaz de t-shirt branca, com óculos a bombar it’s the end of the world as we know it... :). Ouve um momento mais obscuro com o rapaz de t-shirt preta “bla bla bla” mas ainda assim interessante.
O momento eclético missy-elliot-franz-ferdinand-scissor-sisters já não sei quem estava a bombar agradou à minha pequena comunidade bailante.
A dupla camisa branca/t-shirt azul “wedding present” (olha lá, o outro também de óculos e t-shirt azul é teu irmão? Caramba são iguais!) foi a que mais gostei. Digo dupla porque sempre que olhava ou tava um ou o outro e já não percebia quem é que escolhia os cds. Também já não me recordo bem do alinhamento mas os Stone Roses foram o (meu) momento alto e fiquei muito triste por não terem passado Arcade Fire... Chuiff, chuiff.
Dômo Arigatô Gozaimasu e fico ansiosamente à espera da próxima.
Atenciosamente,
Sushi Lover
12 July 2005
08 July 2005
sexto sentido irónico e de mau gosto, ou sobre o post de ontem
Queiram saber os meus leitores que só me ligo com o mundo exterior a partir das 20. As horas anteriores são passadas na Sushiloverland onde não há terroristas e todos vivemos numa anarquia líndissima porque gostamos uns dos outros e porque simplesmente há espaço para todos e ninguém é ganancioso.
Entretanto ainda não sei dos meus amigos que vivem em Londres... mas estarão bem concerteza. Positive Vibes!
Para rematar fui ver o "Colisão" à noite, um filme fantástico sobre a violência latente em Los Angeles. Uma tensão permanente, discriminação racial compontos de vista distorcidos, uma misturada dos caraças em que ninguém escapa, todos já estão demasiados enrolados naquela espiral de violência gritando para serem ouvidos mas surdos aos gritos dos outros.
Assusta-me sempre a violência de quem não sabe a alternativa.
07 July 2005
A razão porque andar de transportes públicos não faz bem a ninguém
Não sabiam? Pois, é apenas para alunos altamente auto-motivados.
Curso de Filosofia on-the-go! Cheira-me que até o Carrilho andou por lá..
No 60 para o Cemitério da Ajuda, via Calvário...
No 23 para o Desterro...
Estas são as minhas disciplinas favoritas... Em que carreiras andam a tirar o vosso curso de Filosofia?
05 July 2005
freedom for my people
Finalmente terminei a fantástica pesquisa para Tokyo que andava a derreter o meu cérebro desde que cheguei. Um texto de 45 páginas em inglês sobre as iniciativas japonesas no campo da arquitectura sustentável. 45 páginas que ninguém quer ler. O professor do Japão não quer receber. O professor português só quer saber se o professor japonês recebeu. No meio deste interesse estonteante sobre a minha pesquisa, resta-me o que é mais importante: 45 páginas de conhecimento. Para mim. Toma!
30 June 2005
eu tenho dois amores...
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Poema de Fernando Pessoa, cantado por Camané.
29 June 2005
fading out
Continuo a receber as informações semanais do sitemer do from tokyo with love. É melancólico assistir à progressiva redução do número de visitantes, se bem que para os meus pârametros 20 visitas diárias, quando já encerrei o blog há mais de um mês, não está nada mal!!
Por isso, para vós que continuam fascinados pelo Japão e lamentam que eu não continue por lá a mandar notícias vou deixar-vos uns blogs de malta que ainda anda por lá…
Faz também parte da minha nova campanha vamos-falar-inglês-porque-dá-pinta-e-ajuda-o-estrangeiro-perdido porque são todos em inglês:
An Englishman in Nyu-Gun
Man In Japan
Undercover in Japan
I'm Still in Japan
E desse grande maluco que é o Masa, o Japão visto por um Japonês muito observador!
MasaMania!
Keep enjoying Japan!
28 June 2005
antes que me esqueça
É o piropo foleiro, a boquinha manhosa, o beijinho soprado ao ouvido, todos os “olá beleza”, “dava uma voltas contigo”, “fiuuu, fiuuuu”, “posso-te conhecer?” etc etc que qualquer “vai ver se estou na esquina” só atiça mais piropos agora gritados até ao fim da rua. Isto só para mencionar os mais softs que este é um blog autorizado para todas as idade.
Não, não faz bem ao ego. Não, não tem piada. É arrogante. É má-criação. Transforma as mulheres em coisas. É abusivo. É castrador. Vai uma babe como eu a pensar em como resolver o défice e ... “comia-te toda”... Quê? 3 x 6 são 18... Quê?
Principalmente agora no Verão que, com o calor, só queremos andar de mini-saia e top e antes de abrir o armário... “este não pode ser porque há uma obra no fim da rua”, “...este é muito decotado e depois passo naquela oficina e... naaaa”, saia muito curta, calça muito justa... “querido, diz-me onde é que arrumei a burka?”.
Sim, sim, digam-me que posso ignorá-los à vontade. Por isso até já ponho o meu iPod aos gritos. Mas não posso (faz mal ao ouvido). O desconforto cola-se. É nojento. Corria à paulada todos esses anormais.
A verdade é que acabamos por pôr todos no mesmo saco. Dizia-me um amigo meu português em Tokyo que as miúdas portuguesas estão sempre na defensiva e são brutas quando alguém tenta meter conversa. É verdade e podia ser diferente mas são anos a sobreviver aos trolhas e nerds, a pôr o nariz no ar e fazer ar indiferente para mostrar como somos superiores a todas as merdas que somos obrigadas a ouvir na rua.
Como uma vez que ignorei, com ar petulante, o senhor tão bem educado daqueles que levantava o chapéu e disse “Boa tarde, menina” e estão em vias de extinção. Eu é que fui a mal-educada.
Perde-se o à-vontade e, se calhar, um monte de rapazes interessantes.
Ps: sim, eu sei que é um fenómeno não exclusivamente português mas é por aqui que agora me passeio.
sobre o "arrastão"
Um tema muito difundido no meio de arquitectos (e sociólogos talvez?) mas muito pouco discutido pelo público em geral é a importância do desenho urbano, do espaço onde vivemos, nos comportamentos sociais.
Re-alojar camadas pobres todos no mesmo sítio e de preferência um pouco longe da cidade, não é resolver problema nenhum mas prolongar ou piorar problemas de exclusão.
Os estigmas de bairros, de grupos, colam-se violentamente e é preciso apresentar soluções, é preciso integrar. E é preciso mudar a maneira de olhar e pensar sobre esses “criminosos”.
Ao texto do Daniel apenas cito o que Brecht uma vez disse, e que ironicamente também menciona arrastões:
“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento,
mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem”
25 June 2005
my own local desperate house wifes
Agora, as cuscas à janela já não são mera decoração, agora entretenho-me a imaginar vidas obscuras, cheias de mentira e traição. Imagino quem tenha envolvimentos sórdidos com o carteiro (que isto não é suburbia americana, logo não há jardins quanto mais jardineiros), complots de porteiras, reuniões mafiosas no café do prédio ao lado...
Sim, a minha rua tem muito mais emoção agora. yeah!
23 June 2005
GERTiL: menos estética, mais ética
Não estou muito por dentro da estrutura, não sei exactamente como funciona.
Mas sei que, desde então, tem desenvolvido inúmeros projectos em diferentes áreas, adquirindo uma importância crucial no processo de reconstrução e desenvolvimento de Timor. O projectos desenvolvidos são frutos das necessidades de Timor desde a reconstrução de escolas (Escola de Vila Verde) à criação de edifícios públicos desta nova nação tão diversos como o Edifício da Presidência da República, o Centro Cultural Uma Fukun, a Administração e Infantário da Santa Casa da Misericórdia, Maternidade-escola ou a Cúria Diocesana de Díli. Nos projectos de arquitectura é notória uma sensibilidade para as tradições locais, para os recursos locais e condições ambientais locais.
Foram também desenvolvidos projectos de design de equipamento escolar, de design gráfico, com a criação de logotipos para a Timor Telecom, para o Turismo de Timor Leste (inserido num estudo mais aprofundado do potencial turístico de Timor Leste que incluiu também a criação de um cd-rom multimédia e interactivo para a promoção e divulgação de Timor Leste).
O GERTiL teve ainda uma acção fundamental no levantamento geográfico da ilha, no recolhimento e organização de bases de dados que levou à elaboração do Atlas de Timor Leste.
É extremamente estimulante ver um projecto tão ambicioso a funcionar com certamente reduzidos meios e recursos financeiros.
Sabe, quem estudou (ou estuda) na FA-UTL que, a maior parte do esforço é dispendido em intrigas, traições e despedimentos de pessoas capazes, que vão mantendo a faculdade numa telenovela latino-americana. Aliás, reviravoltas rocambolescas, com despedimentos em massa, atingiram o GERTiL, mas não destruiram a sua missão, muito menos a sua importância
Grupos de estudo como o GERTiL são exemplos felizes de como as Faculdades podem ter um papel dinâmico e interveniente, e de como os arquitectos podem assumir o seu papel social.
Fazer arquitectura em Timor deve ser um estímulo. Participar num processo de (re)construção de um país e sentir que o que fazemos tem realmente importância e melhora a vida das pessoas. Precisam de ajuda, dj farfalha?
if you want somethin’ don’t ask for nothing
22 June 2005
vida de rockstar
Diz o Gomo ontem, em concerto na fnac colombo:
"...o concerto não pode ser muito grande porque eu estou a trabalhar (...) [e] tenho que voltar para o jornal..."
Só faltava que trabalhasse na secção de necrologia!
Ooohh, I'm feeelliinnggg alliiiveee!!
viva o verão, o tanas!
Toda a gente sabe que o sol só devia brilhar com esta pujança quando se põe o pé na areia. Enquanto nos arrastamos no alcatrão e na calçada, POR FAVOR baixem o termostato! Aqui ainda há quem queira pensar!
A Primavera, essa sim é benvinda!
É no Verão que eu gosto da Escandinávia!
silly silly

Houvessem mais homens como este a passear por Lisboa e eu até suportava este calor insuportável...
Jude, do you like sushi?
21 June 2005
sem amor sou nada senhor
Parecia mais um dia normal em Portugal continental. Até que chegámos a Fátima. Seguindo em carreiro atrás de alguém que deveria saber o caminho para o casamento somos apanhados em plena Via Sacra chocando com peregrinos em procissões atrás de procissões...
...o que se seguiu podia muito bem ser um sketch do gato fedorento...
“olhe que não pode trazer o carro para aqui!”
“mas onde é a capela dos húngaros?”
“mal-educados”
“peço desculpa, não sabia...”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“olhe chegue o carro para ai para a procissão passar”
“ai, vai bater no muro”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“olhe vire tudo para a direita”
“não, ouça-me, desfaça para a esquerda”
“ai, vai bater no muro”
“mas os carros podem entrar aqui?”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“a irmã sabe-me indicar onde é a capela dos húngaros?”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“faça marcha atrás e tire o carro daqui”
“mas não posso atropelar pessoas”
(a mãe da noiva passa por nós histérica – ai que desgraça, como é que saímos daqui?! Eu vou a pé, até já!)
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“olhe, não sei se aquele é seu colega mas deve estar bêbado, já foi de encontro ao muro”
“seeem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“seeem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
O próximo 13 de Maio não perco por nada!
15 June 2005
here we go, girls
"Over 70 percent of single women in Japan are satisfied with their lives, according to a nationwide questionnaire survey on marriage that was conducted in February 2005 by Yomiuri Shimbun, one of Japan's largest daily newspapers.
To the question, 'Do you agree that women can spend their lives happily without getting married?' 69 percent of unmarried respondents agreed. This exceeds the 50 percent of married people who answered yes to this question. Of single respondents, 73 percent women agreed, up 10 percentage points from the previous survey in 2003, and 67 percent of men agreed. Broken down by age bracket, 74 percent of respondents in their 20s, 66 percent in their 30s, and 58 percent in their 40s agreed that women can be happy without marrying.
To the question 'Do you think that the increasing tendency to marry later in life is a major social concern?' 58 percent of the respondents agreed, exceeding the 40 percent of respondents who disagreed. Multiple answers were allowed with respect to background factors bearing on late marriage; the top two reasons chosen by respondents were; 'An increased number of women participate in society' (67 percent), and 'Fewer people place importance on the concept of marriageable age' (52 percent).
These results show that single women tend to think positively about staying unmarried or marrying later. This is thought to be one of the factors behind a growing tendency to put off marriage. Many also think that this trend toward late marriage is contributing to the decline in the birthrate."
in http://www.japanfs.org
Se em Portugal já é uma tarefa homérica, no Japão é muito complicado ser mãe trabalhadora. A verdade é que, mesmo com boa vontade dos homens pela igualdade de direitos, o sistema japonês dificulta e muito que uma jovem mãe mantenha o seu posto de trabalho. Os empregos são a horas de distância de comboio, as creches praticamente inexistentes, e a divisão de tarefas com maridos que trabalham cerca de 15 horas por dia uma utopia.
O modelo vigente da família japonesa é o salaryman que se esfalfa pela empresa, faz tudo pela empresa, por que a empresa está em primeiro lugar, com a sua esposa japonesa que, na sua moradia nos subúrbios, toma conta das crianças e da casa toda a vida. No Japão são os homens que trabalham com o fundamental suporte da família.
Não será preciso saber muito para se ver que este modelo não agrada a muitas mulheres e, se ainda se há muita pressão social para que a mulher japonesa se case, a verdade é que são cada vez mais as que se revoltam contra esse espartilho, principalmente nas grandes áreas urbanas. E quantas mais forem, mais força vão dar às outras.
A diferença crucial do Japão para Portugal é a independência financeira. Quem trabalha tem condições seja para manter uma família (homem), seja para se manter sozinha (mulher). Não é esta miséria portuguesa em que os salários se gastam em comida no supermercado...
E claro que se vai tornar num problema social, porque com o não-casamento não vêm as crianças...
Mas será essa a única solução para a independência feminina? Ficar sozinha?
E porque é que se casam as mulheres (e os homens!) em Portugal?
Há muitos anos o Japão estabeleceu um modelo de sociedade que funcionava para eles. Tanto funcionou que os tornou na segunda maior economia mundial. Agora é assistir ao lento desagregar duma sociedade que não encontra em si própria a vontade de adaptar o sistema. Novas famílias, novas maneiras de trabalhar, viver, comunicar. It's time to move on, dudes!
14 June 2005
um fim-de-semana de vida e morte 4
Acho que contribui para a minha forte ligação a Lisboa o facto de ter nascido no dia de Santo António. No dia em que é sempre feriado. No dia, na noite em que Lisboa se treslouca pelos bairros populares. Na noite em que o Castelo parece o metro de Tokyo em hora de ponta e se encontram amigos ao acaso. Na noite em que é possível ter uma rua inteira a cantar-te os Parabéns...
No mesmo dia de Vieira da Silva (1908). No mesmo dia de Fernando Pessoa (1888).
Eu nasci numa sexta-feira 13, mas considero-me uma miúda cheia de sorte!
um fim-de-semana de vida e morte 3

"(...)É bom que jamais percam a necessidade e o gosto de escrever, de pintar, de tocar um instrumento, de mesmo em silêncio, sem assim se chamarem, continuarem a ser artistas."
Álvaro Cunhal
in tv callas
um fim-de-semana de vida e morte 2
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Rotina, Eugénio de Andrade
um fim-de-semana de vida e morte 1
Há uns anos, cheguei mais cedo a essa efeméride e, para além dos donos da casa atarefados, estava lá um velhinho simpático com quem troquei umas poucas palavras. Quando a festa se compôs, reparei que todos tratavam o velhinho com uma certa deferência... (discretamente:)"Pai, quem é aquele senhor?" ...Sara! O General Vasco Gonçalves... Ok, sorry! E...
Agora ouço o mal que fez ao país, o bem que fez ao país, sei lá o que fez ao país mas eu só consigo ver o velhinho ali sentado debaixo da árvore e só sei que não me importava de morrer assim a nadar numa piscina aos 80 e tal anos...

