27 September 2005

manecas costa


Se há coisa que viver no Japão me ensinou é como a nossa vida pode ser tão reduzida se nos fecharmos às outras culturas. A cultura europeia/ocidental é fantástica mas a vida fica tão enriquecida quando deixamos entrar outras... seja por viagens, pessoas, literatura, gastronomia ou música...
No meu iTunes agora anda a bombar Manecas Costa, brilhante músico guineense, que aparentemente deu um show em Monsanto há uns tempos! (Bem jogado Heli!!! Adorei!)

Se gostam de música da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e outros países que tais vão urgentemente ao B.leza que, ouvi dizer, vai fechar ,mais dia menos dia. Se nunca ouviram ao vivo e nunca lá foram, aproveitem a dica mesmo! O espaço é lindíssimo, cheio de classe, a música é muito boa e sempre podem dar um pezinho de dança... Até já lá vi o principe Kyril da Bulgária, ah pois!

25 September 2005

agenda cultural

pedroines

Para quem, como eu, conseguiu perder 3 vezes o belíssimo e estonteante bailado Pedro e Inês, coreografia Olga Roriz, cenário João Mendes Ribeiro, trago boas notícias (aos lisboetas pelo menos) !
O mesmo vai estar outra vez em palco no Teatro Camões de 7 a 9 de Outubro!
E eu já tenho o meu bilhete.

23 September 2005

follow me


Stepping stones in Heian Shrine, Kyoto
copyright sushi lover

Porque eu não gosto de Rodin ou Ticiano, todos me dizem que sigo um mau caminho. E porquê? Se cada um se fiasse no caminho que nos aconselham nada de mais se fazia, pois que eles, os outros, só sabem indicar-nos as suas próprias pisadas.

Amadeu de Souza-Cardoso

21 September 2005

mais de 9 anos

Do Rato ao Chiado vai-se pela Rua da Escola Politécnica e passa-se mesmo em frente à Procuradoria Geral da República. Há mais de 9 anos que semanalmente vejo sempre as mesmas pessoas a reclamar. Se calhar é mensalmente. Começaram com um lençol enorme que explicava a história toda e que foi reduzindo de tamanho. Coemçaram por ser tantas pessoas, agora é sempre apenas um casal. Nunca consegui entender completamente o enredo da novela que mete um juiz de beja e uns notários que legalmente "mataram" não-sei-quem (acho que não fisicamente só a figura legal), certidões de óbito, divórcios e testamentos. Uma embrulhada com contornos tenebrosos que, pelos vistos, não há meio de se desenvencilhar... Em 9 anos, sempre ali a passar, tanto aconteceu na minha vida! Isso é que me faz confusão!

I will aim towards the sky

Bem sei que daqui a um (curto, muito curto) tempo vou estar algures a ser escravizada nalgum atelier fazendo das tripas coração para encontrar alento no trabalho monótono e repetitivo do operador de autocad ou construtor de árvores para maquetes.
Nessa altura vou olhar para estes meses de “desocupação” com melancólica saudade e repetir para mim mesma onde é que raio estavas com a cabeça quando disseste que querias trabalhar? e pensar porque é que passava os dias angustiada ai-pobrezinha-de-mim-que-não-sei-como-vai-ser-o-meu-futuro em vez de aproveitar cada segundo de liberdade para fazer tudo o que sempre quis fazer antes e não tinha tempo... Seja lá o que isso for! Nessa altura de certeza que o meu futuro, pelo menos durante um ano, vai ser bem certo (a não ser que contemple a sombra do despedimento) e vou lembrar saudosamente estes dias.
A questão é que, pela primeira vez na minha vida, não sei mesmo o que vou fazer a seguir e tudo o que possa desejar como, sei lá... um emprego fabuloso em local fantástico, não depende exclusivamente das minhas maravilhosas capacidades!

Mas se ao menos toda a gente parasse de perguntar “Então, o que tens feito?”

15 September 2005

memória

A prova mais evidente de que os comprimidos com vitaminas, sais minerais e extracto de ginseng que decidi tomar para tentar recuperar a minha boa memória não estão a funcionar é que me esqueci de comprar uma nova embalagem...
Dinheiro deitado à rua... Terei de viver com esta amostra de alzheimer precoce. E post-its, milhões de post-its...

13 September 2005

globalização à porta de casa

Se até concordo que a globalização da economia pode ser prejudicial para os países pobres e em geral para todos ao criar redes de inter-dependência demasiado fortes e não defendendo as economias locais e um crescimento sustentável sou, em geral, uma forte defensora da globalização!
Da economia não me vou alongar porque não percebo nada disso.
Agora, dessa globalização social, cultural, intelectual... ahh! é maravilhosa!Nunca vivemos tempos tão bons para saber mais doutros países, doutras culturas, de podermos viajar nelas, de podermos viver nelas. Nunca podemos saber tanto sobre países distantes como o Burkina-Faso ou o Japão, e experimentá-los quando quisermos ou podermos! A globalização é tudo isso, é a itinerância mundial do conhecimento! É a itinerância mundial de pessoas! Que melhor maneira de conhecer outras culturas que falar com as pessoas dessas culturas, conhecê-las e perceber as distâncias mas principalmente os pontos que nos unem a todos mundialmente como seres humanos!

A globalização também é encontrar por acaso na mercearia do bairro 2 amigos japoneses correntemente a trabalhar em Lisboa... A jantarada japonesa já está combinada!
It's a small world and I love it!

11 September 2005

onde é que você estava no 11 de setembro?

Há 4 anos, no dia 11 de Setembro, eu e a Catarina estávamos numa pilha de nervos para a entrega final de Desenho Urbano. Desde cedo na loja das plotagens só queríamos ver o trabalho de um ano inteiro (e um Verão sacrificado) impresso sem falhas, dobrado, enfiado na capa e abandonado à sorte docente... O que mais me preocupava era que o hatch tivesse saído bem, que não houvessem legendas trocadas. A rapariga da loja bem que disse: "despenhou-se um avião contra as torres gémeas em Nova Iorque!" e eu "sim, sim, que horror, e as plotagens, isso sai ou não sai?", sem me interessar no que parecia só mais um acidente no mundo.
Só muitas horas depois, já em casa, intrigada pelos incessantes burburinhos no bar, no autocarro e na rua, vi as terríveis imagens e alcancei a dimensão da tragédia. E literalmente a imagem valeu por mil palavras.

ainda o Katrina

Para além de toda a tragédia humana que o Katrina expôs era bom pensarmos realmente o quão frágil estamos perante a força da Natureza e como a menosprezamos diariamente em gestos arrogantes que ciclicamente se voltam contra nós.
Muita da desgraça de New Orleans foi provocada pelos seus próprios habitantes e planeadores. A desvastação não teria sido tão grande se toda a cidade não estivesse construída 60 cm abaixo da linha do mar, com um sistema de diques e bombas, impreparados para algo como o Katrina.
Daqui se deviam tirar ilações aplicáveis a outras cidades como... Lisboa.
Lisboa, onde se constrói em leitos de cheias como Alcântara, onde se interrompem rios subterrâneos com túneis de metro e rodoviários como no Marquês de Pombal, onde se alteram as oscilações das marés que durante 3 séculos têm mantido a Baixa de pé com a contrução de parques de estacionamento.
Se as previsões do aumento do nível das águas em 1 metro em 50 anos se confirmarem pensem bem no que será destruído em Portugal. Locais como a Costa da Caparica simplesmente deixarão de existir (estarei a imaginar uns sorrisos?). Mais longe, os Países Baixos deixariam de existir.
A-s-s-u-s-t-a-d-o-r.

Quem semeia ventos, colhe tempestades.

descivilização

"A grande lição a tirar do Katrina é que a civilização em que vivemos é protegida por uma camada extremamente fina. Basta um abalo e ela estala, passando a lutar furiosa e instintivamente pela vida como cães selvagens.
Pensam que as pilhagens, as violações e os assaltos à mão armada que eclodiram em Nova Orleães nunca teriam acontecido na maravilhosa e civilizada Europa?"

" A questão básica é a seguinte: se retirarmos os elementos essenciais da vida organizada, civilizada - alimentação, abrigo, água potável, segurança individual mínima -, em poucas horas voltamos a um estado natural "hobbesiano", à guerra de todos contra todos."

"Não consigo evitar uma sensação de que aquilo que ali se passou se repetirá, muitas vezes, com o avançar do século XXI. Existem demasiados problemas emergentes que poderão fazer retroceder a humanidade. A ameaça mais óbvia virá dos desastres naturais resultantes das alterações climáticas. Se este cataclismo for interpretado por políticos americanos como John McCain como um "aviso" para alertar os cidadãos sobre as consequências de os Estados Unidos continuarem a lançar dióxido de carbono para a atmosfera como se não existisse o dia de amanhã, então a tragédia do furacão Katrina terá algum consolo. Mas poderá ser tarde demais. Se estiverem correctas as informações recentes de que não são só os glaciares que estão a derreter, mas também o subsolo da Sibéria, e de que esse degelo poderá gerar maior libertação de gases com efeitos estufa, poderemos ser lançados numa espiral imparável. Se tal acontecer, se grandes zonas da terra forem atormentadas por tempestades, inundações e alterações de temperaturas imprevisíveis, então o que aconteceu em Nova Orleães não passou de uma brincadeira de crianças."

E outras questões importantes e pertinantes são muito bem expostas no texto de Timothy Garton Ash publicado no Público de 11 de Setembro, donde retirei estes excertos. A ler.

10 September 2005

há novidades nos links

it haunts my dreams

Desde que mandei um mail ao meu professor japonês do Algarve (mencionando esse facto, i.e., sol, praia, doing nothing aaallll day) que o tipo decidiu passar a vida a chatear-me que eu gostava demasiado da (boa) vida para ser uma mulher de sucesso, entenda-se com prestígio e dinheiro. Pronto, fiquei traumatizada e o melhor é aceitar o meu destino e... ir para a praia!
Vai-te lixar ó Ando Sensei! Sabes lá como é a vida para lá do betão e das meetings, das 4 horas diárias de commuting e destilas as tuas frustrações em sake! Ainda me vais ligar um dia para eu colaborar contigo num projecto qualquer! Em Okinawa!
Ai, prestígio e dinheiro... doce ilusão! Um professor um dia, em palestra a alunos de 1ºano, disse: “Disseram-me: queres ser rico? Vai para Arquitectura”... AAAAAAAHHHHHHHHHHAAAAAAAAHHHHHHH. A piada do século! Ai, não fossem 10 da manhã num anfiteatro escuro com um tipo aborrecido, ou seja, não estivesse tudo a dormir e tinha sido gargalhada geral. Não, na altura acho que ninguém sabia sequer o que estava para ali a fazer. Hoje também não. Mas já sei que não vou ser rica.

09 September 2005

but songs... they are never quite the answer... just a soundtrack to our lives

Disse o Badly Drawn Boy (que quer dizer rapaz mal desenhado e eu não consigo deixar de pensar em rapaz mal afogado... brrr, que mau-gosto).

Tenho uma colecção muito selecta e involuntária de músicas que cada vez que ouço me transportam a outros tempos e a outras pessoas da minha vida. Canções que em dado momento foram ouvidas sem parar "ao expoente da loucura" associadas a um específico sentimento por outra pessoa ou estado de espírito e que depois ali ficaram agarradas a esses momentos ou a essas pessoas.
O que leva uma canção a tornar-se especial a dado momento é completamente imprevisível... Pode ser a letra, um acorde, um título, tê-la ouvido numa ocasião especial ou que se tornou especial por causa da música... qualquer coisa, o que a mim própria me surpreende. Quando recuperadas, soltam esses momentos de felicidade (ou não) com um pouco de pó de melancolia e muito frequentemente fazem-me soltar lágrimas... Não deve haver muita gente que chore a ouvir Pulp, Pixies, Dave Matthews Band e outros que tais...
Se calhar dava um boa actriz dramática... Uma qualidade tenho: é tão fácil fazer-me chorar!

sei que estou com saudades

(e a perder o discernimento) quando no clube de vídeo olho embevecida para um filme do Steven Seagal só porque se chama Yakuza e presume-se ser filmado no Japão...

ps: não, não o levei...

08 September 2005

06 September 2005

meditação

Pois sou eu e o Mário Soares. Calcorreamos os areias da praia de Alvor dum lado para o outro em meditação... Ele: "Devo candidatar-me? Um manguito para esses pirralhos que acham que estou velho! Será que ganho? Será que vou deixar de ir tantas vezes a Paris? Será que tenho que deixar de calcorrear este belo areal e cruzar-me com aquela sereia minha quase de certeza eleitora?"
Eu, é mais... "Será que o segurança traz naquela inofensiva toalha uma arma? E se, para o ano, o tipo é presidente e há um terrorista na praia e eu sou apanhada em fogo cruzado? Hmmm... Como nunca vou à praia dos Tomates se calhar voto Cavaco! Hei, é pela segurança do mais fantástico areal algarvio..." Ah ah! Queriam, não queriam? Nunca na vida hei-de votar nesse senhor!
Eu, que gostei tanto do discurso do Manuel Alegre (até o nome respira positivismo), que já estava pronta a entregar-lhe o meu voto, já a pensar na beleza dos discursos do 10 de Junho a que já me propunha assistir pela primeira vez...
Mas venha o Marocas e... não pensem que isto vão ser favas contadas, mas digo-vos o homem está mais que pronto para o combate!

Melhor está ele mesmo que já sabe o que vai estar a fazer em janeiro... Já eu, arrasto-me nesta indolência e penso, penso muito e penso mais ainda sobre onde apontar a minha direcção... mas a incerteza, as dúvidas entre o que sou, o que quero e o que vou fazer... pfiuuuu... boooriiing boring! A luz chegará!

não foi

Não foi o calor (que nem era muito), não foram as wc imundas (que nem o eram assim tanto), não foi o duche misto ao ar livre e frio (que até é divertido), não foi dormir com frio no chão com altos e baixos, nem foi acordar cheia de calor com este sol impiedoso-criador-de-estufas. Muito menos foram os fantásticos mergulhos no gelado rio coura, ou o esticar na relva ao sol. Não foi o pó nem a indisponibilidade de roupa lavada.
O que verdadeiramente me chateou no Festival Paredes de Coura foi... o barulho.
O barulho, não a música que essa encheu a minha alma. Foi o non-stop de puro, irritante, está-a-dar-me-cabo-dos-nervos barulho. Porque é que a seguir a 5 horas de concertos abrem uma discoteca ao ar-livre? Pior, porque é que essa animação (onde confesso dei um pézinho de dança) se arrasta por outras 5 horas? Impossível descansar. E depois são os grupos de alegres convivas que, já sem tímpano, gritam e saltam ahh viva a juventude... Quando tudo parece acalmar das duas uma (das duas as duas, só não sei quem chegou primeiro): chega o sol impiedoso que te faz arrastar para fora da tenda para o meio das silvas, ou... chegam os trabalhadores do festival, da segurança, das barraquinhas, do raio-que-a-parta, que encostam todos em alegre e barulhento convívio!
O dia segue num suplício em busca de silêncio... Derreada por falta de sono, arrasto-me até ao rio ahhh-aqui-vou-descansar-e-ouvir-os-passarinhos... Qual quê... Em 10 minutos estou rodeada, "passa-me uma carta!", "eh pá! Tinha um jogo tão bom e não ganhei", "pós sim que pór supuesto e nha nha nha nha nha" em decibeis claramente ilegais deste lado da fronteira e tanto bla bla bla bla bla... Donde é que esta gente saca a energia? Depois é a aula de yoga (oh! sim!), os meninos dos tambores (die suckers!), o sound check, o jazz na relva...
aaarrrrgghhhhhh!
Quando finalmente deslizo para o recinto já os meus ouvidos estão entupidos!

Mas tudo está bem quando acaba bem e eu simplesmente adorei o Festival, bem os dois últimos dias, pelo menos!
A revelação para mim foi o Nick Cave, de quem ERA semi-fan e nunca tinha assistido um concerto e agora quero venerar este deus até ao fim dos meus dias!
Arcade Fire (a quase única razão da minha peregrinação ao extremo norte do país) foi fantástico, o som tava uma merda, mas foi lindo ver que tanta gente já os conhecia.
Com tal reacção dizia eu "Vais ver, daqui a uns minutos vão dizer que nunca viram coisa assim, que antes nem sabiam onde era Portugal e agora vão voltar todos os anos!". E no fim, já dizia o vocalista "Uau, fantástico, nós temos que ir embora mas não queremos!!!" Já cá cantam!
Pixies é Pixies, e é sempre bom, nem que seja para gastar as minhas cordas vocais e "meus males espantar".
Queens of the Stone Age, tive medo, muito medo... bolas que potência! Mas um bocadinho alto, não?
Vincent Gallo tocou músicas bonitas fora das rotações do Festival, mas o homem é um entertainer puro e gosta muito de falar. Ficámos a saber da sua histórica relação com Portugal, cheia de detalhes... Gostava eu de saber se aquela história do hotel era verdadeira e... se alguém foi!
Juliette Lewis, pois... é ela! Muito show-off, muito cabelinho a rodopiar e perninha torta a abanar. Sem música propriamente original e letras oh-my-god ainda assim eu diverti-me!

Com um cartaz assim volto para o ano! Mas please alguém tem uma casinha perto de Paredes de Coura?

nada temam:

I'm back! É a "RANTRÊ"!!!!

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