21 June 2005

sem amor sou nada senhor

Parecia mais um dia normal em Portugal continental. Até que chegámos a Fátima. Seguindo em carreiro atrás de alguém que deveria saber o caminho para o casamento somos apanhados em plena Via Sacra chocando com peregrinos em procissões atrás de procissões...

...o que se seguiu podia muito bem ser um sketch do gato fedorento...


“olhe que não pode trazer o carro para aqui!”
“mas onde é a capela dos húngaros?”
“mal-educados”
“peço desculpa, não sabia...”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“olhe chegue o carro para ai para a procissão passar”
“ai, vai bater no muro”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“olhe vire tudo para a direita”
“não, ouça-me, desfaça para a esquerda”
“ai, vai bater no muro”
“mas os carros podem entrar aqui?”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“a irmã sabe-me indicar onde é a capela dos húngaros?”
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“faça marcha atrás e tire o carro daqui”
“mas não posso atropelar pessoas”
(a mãe da noiva passa por nós histérica – ai que desgraça, como é que saímos daqui?! Eu vou a pé, até já!)
“sem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“olhe, não sei se aquele é seu colega mas deve estar bêbado, já foi de encontro ao muro”
“seeem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”
“seeem amoooooorrr ssooouuuu naaadddaaaaaa sseeennhhooooorrr”

O próximo 13 de Maio não perco por nada!

19 June 2005

Serei a UNICA que ainda chama Vidas à revista suplemento do Expresso?

15 June 2005

here we go, girls

Over 70% of Single Women Happily Unmarried [and could stay that way forever]

"Over 70 percent of single women in Japan are satisfied with their lives, according to a nationwide questionnaire survey on marriage that was conducted in February 2005 by Yomiuri Shimbun, one of Japan's largest daily newspapers.

To the question, 'Do you agree that women can spend their lives happily without getting married?' 69 percent of unmarried respondents agreed. This exceeds the 50 percent of married people who answered yes to this question. Of single respondents, 73 percent women agreed, up 10 percentage points from the previous survey in 2003, and 67 percent of men agreed. Broken down by age bracket, 74 percent of respondents in their 20s, 66 percent in their 30s, and 58 percent in their 40s agreed that women can be happy without marrying.

To the question 'Do you think that the increasing tendency to marry later in life is a major social concern?' 58 percent of the respondents agreed, exceeding the 40 percent of respondents who disagreed. Multiple answers were allowed with respect to background factors bearing on late marriage; the top two reasons chosen by respondents were; 'An increased number of women participate in society' (67 percent), and 'Fewer people place importance on the concept of marriageable age' (52 percent).

These results show that single women tend to think positively about staying unmarried or marrying later. This is thought to be one of the factors behind a growing tendency to put off marriage. Many also think that this trend toward late marriage is contributing to the decline in the birthrate."

in http://www.japanfs.org

Se em Portugal já é uma tarefa homérica, no Japão é muito complicado ser mãe trabalhadora. A verdade é que, mesmo com boa vontade dos homens pela igualdade de direitos, o sistema japonês dificulta e muito que uma jovem mãe mantenha o seu posto de trabalho. Os empregos são a horas de distância de comboio, as creches praticamente inexistentes, e a divisão de tarefas com maridos que trabalham cerca de 15 horas por dia uma utopia.
O modelo vigente da família japonesa é o salaryman que se esfalfa pela empresa, faz tudo pela empresa, por que a empresa está em primeiro lugar, com a sua esposa japonesa que, na sua moradia nos subúrbios, toma conta das crianças e da casa toda a vida. No Japão são os homens que trabalham com o fundamental suporte da família.
Não será preciso saber muito para se ver que este modelo não agrada a muitas mulheres e, se ainda se há muita pressão social para que a mulher japonesa se case, a verdade é que são cada vez mais as que se revoltam contra esse espartilho, principalmente nas grandes áreas urbanas. E quantas mais forem, mais força vão dar às outras.
A diferença crucial do Japão para Portugal é a independência financeira. Quem trabalha tem condições seja para manter uma família (homem), seja para se manter sozinha (mulher). Não é esta miséria portuguesa em que os salários se gastam em comida no supermercado...
E claro que se vai tornar num problema social, porque com o não-casamento não vêm as crianças...

Mas será essa a única solução para a independência feminina? Ficar sozinha?
E porque é que se casam as mulheres (e os homens!) em Portugal?

Há muitos anos o Japão estabeleceu um modelo de sociedade que funcionava para eles. Tanto funcionou que os tornou na segunda maior economia mundial. Agora é assistir ao lento desagregar duma sociedade que não encontra em si própria a vontade de adaptar o sistema. Novas famílias, novas maneiras de trabalhar, viver, comunicar. It's time to move on, dudes!

14 June 2005

um fim-de-semana de vida e morte 4

E finalmente a vida, a minha vida.
Acho que contribui para a minha forte ligação a Lisboa o facto de ter nascido no dia de Santo António. No dia em que é sempre feriado. No dia, na noite em que Lisboa se treslouca pelos bairros populares. Na noite em que o Castelo parece o metro de Tokyo em hora de ponta e se encontram amigos ao acaso. Na noite em que é possível ter uma rua inteira a cantar-te os Parabéns...
No mesmo dia de Vieira da Silva (1908). No mesmo dia de Fernando Pessoa (1888).

Eu nasci numa sexta-feira 13, mas considero-me uma miúda cheia de sorte!

um fim-de-semana de vida e morte 3

cunhal

"(...)É bom que jamais percam a necessidade e o gosto de escrever, de pintar, de tocar um instrumento, de mesmo em silêncio, sem assim se chamarem, continuarem a ser artistas."

Álvaro Cunhal

in tv callas

um fim-de-semana de vida e morte 2

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Rotina, Eugénio de Andrade

um fim-de-semana de vida e morte 1

No Verão, costumo ser arrastada para umas sardinhadas de amigos do meu pai em que as pessoas mais próximas da minha idade ou têm 2 meses ou 43 anos... e que em geral são uma grandessíssima seca, não fosse a praia ali tão perto, para a qual me escapo dissimuladamente. O pior é que me estou a aproximar perigosamente da idade em que devo fazer companhia aos mais velhos que estão invariavelmente separados por sexos, as mulheres falando de casas e receitas e os homens de política... One day freedom will come.

Há uns anos, cheguei mais cedo a essa efeméride e, para além dos donos da casa atarefados, estava lá um velhinho simpático com quem troquei umas poucas palavras. Quando a festa se compôs, reparei que todos tratavam o velhinho com uma certa deferência... (discretamente:)"Pai, quem é aquele senhor?" ...Sara! O General Vasco Gonçalves... Ok, sorry! E...

Agora ouço o mal que fez ao país, o bem que fez ao país, sei lá o que fez ao país mas eu só consigo ver o velhinho ali sentado debaixo da árvore e só sei que não me importava de morrer assim a nadar numa piscina aos 80 e tal anos...

11 June 2005

"it's been so long since I've been around"

Saio para a noite lisboeta com a minha canon. "Pessoal, vou registar a noite de hoje!" "Ah... é para o blog..."
Caramba, não, não é para o blog, até porque não consigo pôr fotos naquela coisa...
Saí para a noite lisboeta com a minha canon porque ter uma máquina na mão ajuda-me a olhar à minha volta, ficou-me o hábito do Japão e agora talvez me ajude a redescobrir Lisboa...
Lisboa é pequena. Andamos. A baixa, ginginha (com ou sem?), a rua augusta, o arco, campo das cebolas animado pelos bailaricos, o cantor pimba, encontros, farturas e pregos, alfama e sé, despedidas de solteiro (eu vim de braga, pah!), bairro alto, chiado e multibancos, táxis e encontros, lux e tostas mistas, mais encontros...
Lisboa é pequena. No lux com nova decoração (para mim, compreenda-se) sem conhecer ninguém, reconheço tanta gente... Olha o meu vizinho... não é o gajo dos the gift... aquele era da minha escola... e estes não eram da faculdade? O estágio já acabaste?
Continuo a disparar a minha canon. "Ah, é para o blog..." diz-me outro , Raios não é nada para o blog! "Olha eu gostava do teu blog"... "Hmmm, e qual é o teu?... Então és tu..."
O desfile prossegue... Sim é o zé diogo quintela... e o tipo da Blockbuster... Vamos lá para baixo... vou à varanda apanhar ar... Quê? Aquilo é luz lá fora?... Já é de dia?... Vamos ver o nascer do sol!... Ooops... too late... Que horas são? Boa... vou de autocarro para casa.
Tentar manter um ar decente porque me sinto envergonhada ao cruzar-me com toda aquela gente que apesar de ser feriado e sete da manhã vai trabalhar.
Continuo a disparar a minha canon. Os restauradores de manhã são bonitos...
Se calhar ainda ponho umas fotos no blog.

como nos esquecemos do irrelevante

No noticiário mostra-se o lançamento da candidatura do Carrilho à Câmara... Enquanto tiro uns livros da estante ouço dizer "...pois e lá está a mulher dele...".
Penso "Mas é casado? Quem é a mulher dele?". Reponho uns livros e olho para a televisão... "Mas o que é que a Bárbar... Ah. Pois é."

09 June 2005

Eu tenho saudades da minha internet-super-connection de tokyo. E de ser fácil postar e pôr fotos... E do japonês simpático que me arranjava o computador e combatia os virus. Ai tenho que me tornar uma geek e pôr isto tudo em ordem! Esta balbúrdia informática tem os dias contados!

portugal em mono

Quando voltei houve pessoas interessadas em saber como, depois de ter estado no Japão, eu iria ver Portugal. Curioso que, logo na primeira esquina, com comentários às lobotomias do futebol e ao machismo dos piropos foleiros, tenha levado com comentários reprovadores “E só vês isso?”
Sim, se querem saber só vejo isso. Só vejo pessoas alarves e brutas, só vejo má-educação, só ouço má-educação, só ouço barulho, carros a apitar, demasiado futebol, demasiada apatia, estupidez, queixas e reclamações e tudo me parece desinteressante e vazio. A crise, a crise....
Sim, eu gostava de olhar à volta e ver Beleza mas é mesmo o Feio que me entra pelos olhos.
Deve ser isto o “reverse-cultural-shock”. Eu espero que isto seja o reverse cultural shock or I’m in big trouble...

Bom, salvando-me da minha própria apatia e desânimo (e às vezes involuntariamente contribuindo para os aumentar) aí estão eles, my friends, my family, but it's only by myself I will change the way I see my world.

devia ter explorado as vantagens de ser alien

Uma das vantagens de viver no estrangeiro é vivermos meio alheados do mundo. Não se liga muito ao que acontece no país em que se vive e quando se liga os problemas são distantes porque não é o meu país. As notícias de Portugal também não incomodam muito, são minimais e Portugal parece essa entidade distante da qual o cérebro elimina as partes más, exaltando as boas memórias.
Tudo para dizer que se me queixava de não perceber nada à minha volta no Japão agora sofro dum excesso de percepção. O negativismo chegou para ficar e começa a cair sobre mim como chuva-molha-parvos... Ou abro o guarda-chuva ou vou ficar encharcada.

07 June 2005

arrogant you must be

Sempre achei que para se ser arquitecto há que destilar uma certa dose de arrogância. Em geral, esses grandes arquitectos são arrogantes até mais não e dizem os maiores disparates como se fossem as verdades que vão salvar o Mundo.
Acho uma piada do caraças o Koolhaas vir dizer que “agora o Porto já está no Mapa” quando é no Porto e arredores que há a maior concentração de obras do Siza Vieira (que recebeu o Pritzker antes dele!) e do Souto Moura (a quem foi roubado o Pritzker para ser dado a ele!).

Rem Koolhaas e a cantiga do bandido

Na minha estadia na Invicta aproveitei e fiz uma visita guiada à Casa da Música.
Aproveito para deixar a dica e sugerir a quem for/estiver no Porto que aproveite pois são muito interessantes e podemos entrar numa série de espaços que, para assistir a um espectáculo musical, normalmente não se visitam. Visitem o site ou liguem para o Departamento de Relações Públicas (220 120 214).
Se ligarem serão informados que as visitas demoram 1 hora mas parece que os guias não concordam e a minha visita durou 1h45mn, depois de ter começado cerca de 30 mn atrasada (por atraso da visita anterior...).
A visita leva-nos a percorrer uma série de espaços e o percurso é quase labiríntico, “uma experiência”, segundo Koolhaas. Passamos pelo café, sala multimédia, auditório principal, salas das crianças, sala vip, futuro-restaurante, sala 2 e o único lugar onde se respira é no Auditório Principal, que é imenso e com folha de ouro formando um padrão gigantesco a imitar veios de madeira, mas que realmente parece mais um tecido tigresse. Todas as restantes salas me pareceram muito acanhadas e “over-decorated” aquilo é azulejos verdes,azuis e brancos quase hipnóticos, outra tem uma borracha verde, outra são de novo os azulejos excessivos, as salas das crianças uma era laranja e outra roxa, um pouco neurótico, não? Para além disso parecem “sobras”, espaços amputados, ou mais poeticamente “escavados”...
Os vidros ondulados distorcem a realidade exterior.
Claustrofóbica. Assim eu senti a Casa da Música.
E nem vou avançar pela segurança contra incêndios do edifício...

A verdade é que não sou grande fã do Koolhaas mas o gajo às vezes sai-se bem. Gostei muito o Educatorium (“o chão que se torna parede, a parede que se torna tecto”) e adorei a Biblioteca de Seattle, espaços muito bem resolvido, ideias inovadoras, um fantástico dinamizador cultural e sempre cheio de gente (há lá melhor teste?). Agora no Porto...naaaaaa. You don't fool me.

porto

Eu gosto do Porto. Do Porto fica-me sempre a imagem de uma cidade com mais qualidade urbanística, com melhor espaço público, menos fragmentada e melhor arquitectura. Fala-se de uma “ditadura formal da escola do Porto” mas é preferível isso à patobravice dos subúrbios (e centro) de Lisboa.
Gosto da cidade próxima do Rio, da Foz, do Mar. É pena ser tão pequena. Mas há souto moura e siza por toda parte. E quando o sol brilha ainda se respira.

04 June 2005

a aceleração

Nos meus tempos de infância eu lia quadradinhos da Disney, com uma predilecção especial pelo Pato Donald. Ainda hoje os leria se, por falta de espaço, não os tivesse enfiado numa caixa em localização indeterminada.
Uma história que nunca me saiu da cabeça foi uma em que o Tio Patinhas tinha um chapéu que soprava e conseguia parar o tempo, mas ele continuava ao seu ritmo, o que lhe dava tempo para pensar sobre os investimentos na Bolsa...
Pouco me interessa a Bolsa (uma das razões porque sei que serei pobre o resto dos meus dias) mas fiquei sempre fascinada com a possibilidade de parar o tempo.
Eu gostava que o tempo parasse, por exemplo, quando estou a ler um livro! À minha volta jazem tantos livros que eu quero ler, mas é preciso tanto tempo, tanto tempo!
Se não seria maravilhoso que assim que abrisse um livro o tempo parasse? Ia-me sobrar tanto para o tanto que gosto de fazer...
Outro prazer que me atormenta é dormir... Dormir é uma das maiores maravilhas do Mundo mas gasta-se tanto tempo nisso (e eu ainda mais!)
Ah se eu pudesse dormir mas sem gastar tempo...

ps: e bom bom seria que o tempo parasse cada vez que me ligo à net... ah! vícios!

01 June 2005

disseram-me um dia (há pouco tempo)

"Eu não percebo é porque é que voltaste"

coisas que não fazem saudades

Do que eu nunca senti falta foi da histeria geral associada ao futebol.
Dá-me vontade de correr tudo à chapada quando ouço "a avenida dos aliados é nossa e não tinham nada que vir para cá"... Pois é devem ter feito uma demarcação territorial com mijo...
Irrita-me a cegueira generalizada em assuntos futebolísticos, irrita-me as ligações promíscuas futebol/poder político, irrita-me ver esta gente toda a ser usada e ficar tão feliz com tão pouco e com tão pouca importância...

piropos portuenses

"É bonita mas o [casaco] vermelho..."

ah! fadista!

Mal sabia eu que naquele dia em que fui para Coruche para as festas da Vila ia conhecer o homem da minha vida... Conhecer é força de expressão porque nunca troquei duas palavras com ele. Ai Camané, que voz tens tu homem! Ai Camané, não tivesse eu 1,70 e tu tamanho japonês! Ai Camané quando cantas és mais alto que o céu!
Ai Camané com o cabelo desalinhado e camisola-manga-à-cava no clip dos humanos e esses olhinhos verdes tás lindo!

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