09 June 2005
portugal em mono
Quando voltei houve pessoas interessadas em saber como, depois de ter estado no Japão, eu iria ver Portugal. Curioso que, logo na primeira esquina, com comentários às lobotomias do futebol e ao machismo dos piropos foleiros, tenha levado com comentários reprovadores “E só vês isso?”
Sim, se querem saber só vejo isso. Só vejo pessoas alarves e brutas, só vejo má-educação, só ouço má-educação, só ouço barulho, carros a apitar, demasiado futebol, demasiada apatia, estupidez, queixas e reclamações e tudo me parece desinteressante e vazio. A crise, a crise....
Sim, eu gostava de olhar à volta e ver Beleza mas é mesmo o Feio que me entra pelos olhos.
Deve ser isto o “reverse-cultural-shock”. Eu espero que isto seja o reverse cultural shock or I’m in big trouble...
Bom, salvando-me da minha própria apatia e desânimo (e às vezes involuntariamente contribuindo para os aumentar) aí estão eles, my friends, my family, but it's only by myself I will change the way I see my world.
Sim, se querem saber só vejo isso. Só vejo pessoas alarves e brutas, só vejo má-educação, só ouço má-educação, só ouço barulho, carros a apitar, demasiado futebol, demasiada apatia, estupidez, queixas e reclamações e tudo me parece desinteressante e vazio. A crise, a crise....
Sim, eu gostava de olhar à volta e ver Beleza mas é mesmo o Feio que me entra pelos olhos.
Deve ser isto o “reverse-cultural-shock”. Eu espero que isto seja o reverse cultural shock or I’m in big trouble...
Bom, salvando-me da minha própria apatia e desânimo (e às vezes involuntariamente contribuindo para os aumentar) aí estão eles, my friends, my family, but it's only by myself I will change the way I see my world.
devia ter explorado as vantagens de ser alien
Uma das vantagens de viver no estrangeiro é vivermos meio alheados do mundo. Não se liga muito ao que acontece no país em que se vive e quando se liga os problemas são distantes porque não é o meu país. As notícias de Portugal também não incomodam muito, são minimais e Portugal parece essa entidade distante da qual o cérebro elimina as partes más, exaltando as boas memórias.
Tudo para dizer que se me queixava de não perceber nada à minha volta no Japão agora sofro dum excesso de percepção. O negativismo chegou para ficar e começa a cair sobre mim como chuva-molha-parvos... Ou abro o guarda-chuva ou vou ficar encharcada.
Tudo para dizer que se me queixava de não perceber nada à minha volta no Japão agora sofro dum excesso de percepção. O negativismo chegou para ficar e começa a cair sobre mim como chuva-molha-parvos... Ou abro o guarda-chuva ou vou ficar encharcada.
07 June 2005
arrogant you must be
Sempre achei que para se ser arquitecto há que destilar uma certa dose de arrogância. Em geral, esses grandes arquitectos são arrogantes até mais não e dizem os maiores disparates como se fossem as verdades que vão salvar o Mundo.
Acho uma piada do caraças o Koolhaas vir dizer que “agora o Porto já está no Mapa” quando é no Porto e arredores que há a maior concentração de obras do Siza Vieira (que recebeu o Pritzker antes dele!) e do Souto Moura (a quem foi roubado o Pritzker para ser dado a ele!).
Acho uma piada do caraças o Koolhaas vir dizer que “agora o Porto já está no Mapa” quando é no Porto e arredores que há a maior concentração de obras do Siza Vieira (que recebeu o Pritzker antes dele!) e do Souto Moura (a quem foi roubado o Pritzker para ser dado a ele!).
Rem Koolhaas e a cantiga do bandido
Na minha estadia na Invicta aproveitei e fiz uma visita guiada à Casa da Música.
Aproveito para deixar a dica e sugerir a quem for/estiver no Porto que aproveite pois são muito interessantes e podemos entrar numa série de espaços que, para assistir a um espectáculo musical, normalmente não se visitam. Visitem o site ou liguem para o Departamento de Relações Públicas (220 120 214).
Se ligarem serão informados que as visitas demoram 1 hora mas parece que os guias não concordam e a minha visita durou 1h45mn, depois de ter começado cerca de 30 mn atrasada (por atraso da visita anterior...).
A visita leva-nos a percorrer uma série de espaços e o percurso é quase labiríntico, “uma experiência”, segundo Koolhaas. Passamos pelo café, sala multimédia, auditório principal, salas das crianças, sala vip, futuro-restaurante, sala 2 e o único lugar onde se respira é no Auditório Principal, que é imenso e com folha de ouro formando um padrão gigantesco a imitar veios de madeira, mas que realmente parece mais um tecido tigresse. Todas as restantes salas me pareceram muito acanhadas e “over-decorated” aquilo é azulejos verdes,azuis e brancos quase hipnóticos, outra tem uma borracha verde, outra são de novo os azulejos excessivos, as salas das crianças uma era laranja e outra roxa, um pouco neurótico, não? Para além disso parecem “sobras”, espaços amputados, ou mais poeticamente “escavados”...
Os vidros ondulados distorcem a realidade exterior.
Claustrofóbica. Assim eu senti a Casa da Música.
E nem vou avançar pela segurança contra incêndios do edifício...
A verdade é que não sou grande fã do Koolhaas mas o gajo às vezes sai-se bem. Gostei muito o Educatorium (“o chão que se torna parede, a parede que se torna tecto”) e adorei a Biblioteca de Seattle, espaços muito bem resolvido, ideias inovadoras, um fantástico dinamizador cultural e sempre cheio de gente (há lá melhor teste?). Agora no Porto...naaaaaa. You don't fool me.
Aproveito para deixar a dica e sugerir a quem for/estiver no Porto que aproveite pois são muito interessantes e podemos entrar numa série de espaços que, para assistir a um espectáculo musical, normalmente não se visitam. Visitem o site ou liguem para o Departamento de Relações Públicas (220 120 214).
Se ligarem serão informados que as visitas demoram 1 hora mas parece que os guias não concordam e a minha visita durou 1h45mn, depois de ter começado cerca de 30 mn atrasada (por atraso da visita anterior...).
A visita leva-nos a percorrer uma série de espaços e o percurso é quase labiríntico, “uma experiência”, segundo Koolhaas. Passamos pelo café, sala multimédia, auditório principal, salas das crianças, sala vip, futuro-restaurante, sala 2 e o único lugar onde se respira é no Auditório Principal, que é imenso e com folha de ouro formando um padrão gigantesco a imitar veios de madeira, mas que realmente parece mais um tecido tigresse. Todas as restantes salas me pareceram muito acanhadas e “over-decorated” aquilo é azulejos verdes,azuis e brancos quase hipnóticos, outra tem uma borracha verde, outra são de novo os azulejos excessivos, as salas das crianças uma era laranja e outra roxa, um pouco neurótico, não? Para além disso parecem “sobras”, espaços amputados, ou mais poeticamente “escavados”...
Os vidros ondulados distorcem a realidade exterior.
Claustrofóbica. Assim eu senti a Casa da Música.
E nem vou avançar pela segurança contra incêndios do edifício...
A verdade é que não sou grande fã do Koolhaas mas o gajo às vezes sai-se bem. Gostei muito o Educatorium (“o chão que se torna parede, a parede que se torna tecto”) e adorei a Biblioteca de Seattle, espaços muito bem resolvido, ideias inovadoras, um fantástico dinamizador cultural e sempre cheio de gente (há lá melhor teste?). Agora no Porto...naaaaaa. You don't fool me.
porto
Eu gosto do Porto. Do Porto fica-me sempre a imagem de uma cidade com mais qualidade urbanística, com melhor espaço público, menos fragmentada e melhor arquitectura. Fala-se de uma “ditadura formal da escola do Porto” mas é preferível isso à patobravice dos subúrbios (e centro) de Lisboa.
Gosto da cidade próxima do Rio, da Foz, do Mar. É pena ser tão pequena. Mas há souto moura e siza por toda parte. E quando o sol brilha ainda se respira.
Gosto da cidade próxima do Rio, da Foz, do Mar. É pena ser tão pequena. Mas há souto moura e siza por toda parte. E quando o sol brilha ainda se respira.
04 June 2005
a aceleração
Nos meus tempos de infância eu lia quadradinhos da Disney, com uma predilecção especial pelo Pato Donald. Ainda hoje os leria se, por falta de espaço, não os tivesse enfiado numa caixa em localização indeterminada.
Uma história que nunca me saiu da cabeça foi uma em que o Tio Patinhas tinha um chapéu que soprava e conseguia parar o tempo, mas ele continuava ao seu ritmo, o que lhe dava tempo para pensar sobre os investimentos na Bolsa...
Pouco me interessa a Bolsa (uma das razões porque sei que serei pobre o resto dos meus dias) mas fiquei sempre fascinada com a possibilidade de parar o tempo.
Eu gostava que o tempo parasse, por exemplo, quando estou a ler um livro! À minha volta jazem tantos livros que eu quero ler, mas é preciso tanto tempo, tanto tempo!
Se não seria maravilhoso que assim que abrisse um livro o tempo parasse? Ia-me sobrar tanto para o tanto que gosto de fazer...
Outro prazer que me atormenta é dormir... Dormir é uma das maiores maravilhas do Mundo mas gasta-se tanto tempo nisso (e eu ainda mais!)
Ah se eu pudesse dormir mas sem gastar tempo...
ps: e bom bom seria que o tempo parasse cada vez que me ligo à net... ah! vícios!
Uma história que nunca me saiu da cabeça foi uma em que o Tio Patinhas tinha um chapéu que soprava e conseguia parar o tempo, mas ele continuava ao seu ritmo, o que lhe dava tempo para pensar sobre os investimentos na Bolsa...
Pouco me interessa a Bolsa (uma das razões porque sei que serei pobre o resto dos meus dias) mas fiquei sempre fascinada com a possibilidade de parar o tempo.
Eu gostava que o tempo parasse, por exemplo, quando estou a ler um livro! À minha volta jazem tantos livros que eu quero ler, mas é preciso tanto tempo, tanto tempo!
Se não seria maravilhoso que assim que abrisse um livro o tempo parasse? Ia-me sobrar tanto para o tanto que gosto de fazer...
Outro prazer que me atormenta é dormir... Dormir é uma das maiores maravilhas do Mundo mas gasta-se tanto tempo nisso (e eu ainda mais!)
Ah se eu pudesse dormir mas sem gastar tempo...
ps: e bom bom seria que o tempo parasse cada vez que me ligo à net... ah! vícios!
01 June 2005
coisas que não fazem saudades
Do que eu nunca senti falta foi da histeria geral associada ao futebol.
Dá-me vontade de correr tudo à chapada quando ouço "a avenida dos aliados é nossa e não tinham nada que vir para cá"... Pois é devem ter feito uma demarcação territorial com mijo...
Irrita-me a cegueira generalizada em assuntos futebolísticos, irrita-me as ligações promíscuas futebol/poder político, irrita-me ver esta gente toda a ser usada e ficar tão feliz com tão pouco e com tão pouca importância...
Dá-me vontade de correr tudo à chapada quando ouço "a avenida dos aliados é nossa e não tinham nada que vir para cá"... Pois é devem ter feito uma demarcação territorial com mijo...
Irrita-me a cegueira generalizada em assuntos futebolísticos, irrita-me as ligações promíscuas futebol/poder político, irrita-me ver esta gente toda a ser usada e ficar tão feliz com tão pouco e com tão pouca importância...
ah! fadista!
Mal sabia eu que naquele dia em que fui para Coruche para as festas da Vila ia conhecer o homem da minha vida... Conhecer é força de expressão porque nunca troquei duas palavras com ele. Ai Camané, que voz tens tu homem! Ai Camané, não tivesse eu 1,70 e tu tamanho japonês! Ai Camané quando cantas és mais alto que o céu!
Ai Camané com o cabelo desalinhado e camisola-manga-à-cava no clip dos humanos e esses olhinhos verdes tás lindo!
Ai Camané com o cabelo desalinhado e camisola-manga-à-cava no clip dos humanos e esses olhinhos verdes tás lindo!
25 May 2005
elogio ao multibanco
A invenção do cartão multibanco (que ouvi ter sido portuguesa mas já não acredito em nada do que ouço) é, no mínimo, genial.
Em Portugal já nem percebemos porque já é tão rotineiro "pagar com cartão" como escovar os dentes (esperemos!).
No Japão não há cartões para ninguém. Há cartões dos bancos japoneses que dão para levantar dinheiro nas atm dos respectivos bancos ou dos postos de correio, mas pagamentos nas lojas, restaurantes etc é em cash vivo! Nem Visa aceitam na maioria dos sítios! O que, para mim, que nunca tenho mais que 10 euros na carteira (e 20 no banco) criava uma sensação de insegurança brutal ao carregar cerca de 170 euros na carteira! Ao fim duns tempos habituamo-nos, até porque as notas voam tão rapidamente que não parece assim tanto!
Fiquei sem os dois cartões multibancos 2 dias antes de regressar do Japão, o que provocou um pequeno pânico já que quem me podia emprestar dinheiro ou já não o tinha, ou era estrangeiro. A coisa lá se resolveu com um enviado do Céu.
Agora estou em Portugal desfalcada de cartões, à espera que me enviem os novos, a experimentar viver sem multibanco. As transferências ao balcão custam uma fortuna. Só posso levantar dinheiro com a caderneta. Agora perdi a caderneta. Ainda bem que tenho dois bancos. E outra caderneta.
E pronto, só vos conto isto para verem as emoções do regresso na minha vida e porque devia estar era a escrever o relatório e n ã o m e a p e t e c e!
Em Portugal já nem percebemos porque já é tão rotineiro "pagar com cartão" como escovar os dentes (esperemos!).
No Japão não há cartões para ninguém. Há cartões dos bancos japoneses que dão para levantar dinheiro nas atm dos respectivos bancos ou dos postos de correio, mas pagamentos nas lojas, restaurantes etc é em cash vivo! Nem Visa aceitam na maioria dos sítios! O que, para mim, que nunca tenho mais que 10 euros na carteira (e 20 no banco) criava uma sensação de insegurança brutal ao carregar cerca de 170 euros na carteira! Ao fim duns tempos habituamo-nos, até porque as notas voam tão rapidamente que não parece assim tanto!
Fiquei sem os dois cartões multibancos 2 dias antes de regressar do Japão, o que provocou um pequeno pânico já que quem me podia emprestar dinheiro ou já não o tinha, ou era estrangeiro. A coisa lá se resolveu com um enviado do Céu.
Agora estou em Portugal desfalcada de cartões, à espera que me enviem os novos, a experimentar viver sem multibanco. As transferências ao balcão custam uma fortuna. Só posso levantar dinheiro com a caderneta. Agora perdi a caderneta. Ainda bem que tenho dois bancos. E outra caderneta.
E pronto, só vos conto isto para verem as emoções do regresso na minha vida e porque devia estar era a escrever o relatório e n ã o m e a p e t e c e!
24 May 2005
e agora vou dar uma de guia turística
A pedido de várias famílias, em vez de responder mail a mail, vou deixar aqui algumas dicas que me pediram os viajantes com destino Planeta Nippon.
Primeira dica, não se preocupem. O Japão, apesar de ser no extremo oriente e falarem uma língua esquisitíssima, está muito ocidentalizado. Os comboios (e tudo em geral) são extremamente fiáveis. A não ser que se queiram perder no Japão rural vão encontrar sempre tabuletas em romanji (letras romanas, não caracteres japoneses). Os japoneses são muito simpáticos e assim que vêem um estrangeiro (principalmente se estiver em lugar não muito turístico) vão ter com ele (nem que seja pela aula de inglês gratuita) e ajudam. A mim ofereceram-me almoço e deram-me boleias várias. Sei de quem até alojamento gratuito foi oferecido (e aceite).
Claro que dá jeito ter um mapa, saber onde se vai e mostrar os nomes escritos no papel (um singela diferença de pronunciação e vão parar ao outro lado da ilha).
Nos restaurantes é pior, porque poucos tem english menu, mas alguns têm fotos. E, normalmente, à entrada há um armário com recriações dos pratos em plástico! De qualquer maneira faz parte da aventura nem saber o que se come. Comer nos restaurantes é relativamente barato. Os bares de sushi saiem bastante em conta senão comerem demais. Há em Ueno um restaurante que por 1000 ienes é sushi-all-you-can-eat.
Para viajar eu recomendo comprarem o Japan Rail Pass. Só pode ser comprado no estrangeiro por turistas e depois é activado no Japão. Em Lisboa pode ser comprado no Centro Comercial Arco-Íris e vem de Madrid, mas vou pedir à minha amiga Rosa que venha aqui deixar mais detalhes porque eu nunca comprei nenhum.
O Japan Rail Pass dá acesso ilimitado a toda a linha da JR, ou seja é de shinkasen (tgv lá do sítio) para todo o lado, uma maravilha. Um detalhe: não dá muito jeito dentro de Tokyo porque a linha do metropolitano é muito melhor. Por isso para quem vai cerca de 10 dias pode só comprar um de uma semana e os dias que está em Tokyo não o usar. Atenção que há duas companhias de metropolitano independentes e saltar de uma para a outra custa na carteira.
No metro há uns passes pré-comprados de 1000, 3000 e 5000 ienes, chamados PASSNET que poupam o trabalho de andar sempre a contar moedas a comprar bilhetes, MAS NÂO VOS FAZEM POUPAR DINHEIRO. O que fazem é ir descontando o dinheiro cada vez que entram e saiem do metro. Funcionam para todas as companhias excepto a JR.
Este site ajuda a programar viagens e é muito fiável porque os horários são MESMO cumpridos quase ao segundo. Ahh... I miss that!
Sair do Aeroporto. Há várias maneiras de sair do aeroporto. A mais evidente é apanhar o Narita Express (+/- 3000 ienes – 60 mn), mas é a mais cara. A que eu recomendo é apanhar a Keisei Line que oferece dois serviços: Skyliner (+/- 2000 ienes –60 mn) ou a linha normal (1000 ienes – 80 mn). Com a redução do preço vai diminuindo o conforto do comboio, por isso make your choice!
Estadia. Este é o departamento que sei menos porque tinha casa. Sei que na embaixada (av da liberdade, 245, 6 andar /tel.213110560/09.30-12.30-14.00-17.30) dão uma brochura com uma rede de ryokans (os ryokans são uma espécie de hoteis tradicionais, em que dormem em futons sobre tatamis. Não são luxuosos mas muito confortáveis. Recomendo) com endereços de e-mail. Pousadas de Juventude também as há e como sempre variam imenso na qualidade e no Japão são caras, tirando a de Kyoto que é muito barata mas um buraco autêntico. Se estão a pensar ficar em pousadas vale a pena fazerem o cartão cá porque para não membros o preço aumenta.
O que não deviam perder é dormir num capsule hotel. Só no Japão e é muito divertido. Atenção que a maioria é men only. É mais difícil arranjar para mulheres. Este é um em Tokyo.
Se forem com amigos tem que ir a um karaoke, só para ver como é.
Indispensável é também uma visita a uma onsen, mas não se esqueçam que basicamente estão a tomar banho com uma data de gente nua à vossa volta (mas a maior parte são separados por sexos). Mas é relaxamento total... Difícil será encontrar uma boa e facilmente acessível de comboio, mas é ir perguntando pelos tourist offices...
Guias. Online este (que é o que está na minha lista de links aqui ao lado) é mesmo muito bom! Em papel, eu tinha o Lonely Planet que não me deixou mal.
A internet é uma fonte inesgotável de informação (até demais) e um pulinho à embaixada vai-vos deixar cheios de papelada.
Mais dúvidas? O consultório sushi lover está aberto!
Primeira dica, não se preocupem. O Japão, apesar de ser no extremo oriente e falarem uma língua esquisitíssima, está muito ocidentalizado. Os comboios (e tudo em geral) são extremamente fiáveis. A não ser que se queiram perder no Japão rural vão encontrar sempre tabuletas em romanji (letras romanas, não caracteres japoneses). Os japoneses são muito simpáticos e assim que vêem um estrangeiro (principalmente se estiver em lugar não muito turístico) vão ter com ele (nem que seja pela aula de inglês gratuita) e ajudam. A mim ofereceram-me almoço e deram-me boleias várias. Sei de quem até alojamento gratuito foi oferecido (e aceite).
Claro que dá jeito ter um mapa, saber onde se vai e mostrar os nomes escritos no papel (um singela diferença de pronunciação e vão parar ao outro lado da ilha).
Nos restaurantes é pior, porque poucos tem english menu, mas alguns têm fotos. E, normalmente, à entrada há um armário com recriações dos pratos em plástico! De qualquer maneira faz parte da aventura nem saber o que se come. Comer nos restaurantes é relativamente barato. Os bares de sushi saiem bastante em conta senão comerem demais. Há em Ueno um restaurante que por 1000 ienes é sushi-all-you-can-eat.
Para viajar eu recomendo comprarem o Japan Rail Pass. Só pode ser comprado no estrangeiro por turistas e depois é activado no Japão. Em Lisboa pode ser comprado no Centro Comercial Arco-Íris e vem de Madrid, mas vou pedir à minha amiga Rosa que venha aqui deixar mais detalhes porque eu nunca comprei nenhum.
O Japan Rail Pass dá acesso ilimitado a toda a linha da JR, ou seja é de shinkasen (tgv lá do sítio) para todo o lado, uma maravilha. Um detalhe: não dá muito jeito dentro de Tokyo porque a linha do metropolitano é muito melhor. Por isso para quem vai cerca de 10 dias pode só comprar um de uma semana e os dias que está em Tokyo não o usar. Atenção que há duas companhias de metropolitano independentes e saltar de uma para a outra custa na carteira.
No metro há uns passes pré-comprados de 1000, 3000 e 5000 ienes, chamados PASSNET que poupam o trabalho de andar sempre a contar moedas a comprar bilhetes, MAS NÂO VOS FAZEM POUPAR DINHEIRO. O que fazem é ir descontando o dinheiro cada vez que entram e saiem do metro. Funcionam para todas as companhias excepto a JR.
Este site ajuda a programar viagens e é muito fiável porque os horários são MESMO cumpridos quase ao segundo. Ahh... I miss that!
Sair do Aeroporto. Há várias maneiras de sair do aeroporto. A mais evidente é apanhar o Narita Express (+/- 3000 ienes – 60 mn), mas é a mais cara. A que eu recomendo é apanhar a Keisei Line que oferece dois serviços: Skyliner (+/- 2000 ienes –60 mn) ou a linha normal (1000 ienes – 80 mn). Com a redução do preço vai diminuindo o conforto do comboio, por isso make your choice!
Estadia. Este é o departamento que sei menos porque tinha casa. Sei que na embaixada (av da liberdade, 245, 6 andar /tel.213110560/09.30-12.30-14.00-17.30) dão uma brochura com uma rede de ryokans (os ryokans são uma espécie de hoteis tradicionais, em que dormem em futons sobre tatamis. Não são luxuosos mas muito confortáveis. Recomendo) com endereços de e-mail. Pousadas de Juventude também as há e como sempre variam imenso na qualidade e no Japão são caras, tirando a de Kyoto que é muito barata mas um buraco autêntico. Se estão a pensar ficar em pousadas vale a pena fazerem o cartão cá porque para não membros o preço aumenta.
O que não deviam perder é dormir num capsule hotel. Só no Japão e é muito divertido. Atenção que a maioria é men only. É mais difícil arranjar para mulheres. Este é um em Tokyo.
Se forem com amigos tem que ir a um karaoke, só para ver como é.
Indispensável é também uma visita a uma onsen, mas não se esqueçam que basicamente estão a tomar banho com uma data de gente nua à vossa volta (mas a maior parte são separados por sexos). Mas é relaxamento total... Difícil será encontrar uma boa e facilmente acessível de comboio, mas é ir perguntando pelos tourist offices...
Guias. Online este (que é o que está na minha lista de links aqui ao lado) é mesmo muito bom! Em papel, eu tinha o Lonely Planet que não me deixou mal.
A internet é uma fonte inesgotável de informação (até demais) e um pulinho à embaixada vai-vos deixar cheios de papelada.
Mais dúvidas? O consultório sushi lover está aberto!
23 May 2005
o que me interessa para o fim-de-semana prolongado
"Museus de Arte" Simpósio Internacional de Arquitectura :
serralves | porto
Nos dias 27 e 28 de Maio, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, vai ser o palco de um simpósio internacional de arquitectura sobre o tema “Museus de Arte”.
A proposta é reflectir sobre a forma como se projectam estes espaços a partir da apresentação de projectos, recentemente concluídos, por um grupo de arquitectos de prestígio internacional. O simpósio é uma iniciativa paralela à exposição “Álvaro Siza - Expor: Projectos para Museus e Espaços de exposição” que mostra trabalhos concebidos nos últimos 10 anos para museus ou espaços de exposição escolhidos pelo arquitecto, entre os quais se destacam o próprio Museu de Serralves, o Centro Galego de Arte Contemporânea (Espanha), a Fundação Iberê Camargo (Brasil) e os diversos projectos realizados para a ampliação do Stedelijke em Amsterdão.
A iniciativa é da Ordem dos Arquitectos – Sub Região Norte da Fundação de Serralves. Na sexta-feira, as sessões decorrem das 9h às 18h30 com Meinrad Morger e Heinrich Degelo responsáveis pelo Museu de Arte de Lichtenstein (2002); Stephane Beel autor do Roger Raveel Museum, em Machelen, Bélgica; Paulo David autor do Casa das Mudas, na Calheta, Madeira (2004); Kazuyo Sejima/Ryue Nishizawa, do atelier SANAA - Sejima and Nishizawa Architects & Associates, autores do Museu de Arte Contemporânea do Séc. XXI, Kanazawa, Japão (1999-2004); e Mendes da Rocha, em videoconferência, responsável pelo Museu Brasileiro da Escultura - MUBE, São Paulo, Brasil (1998). No sábado as sessões começam às 10h30 com o arquitecto português Aires Mateus, do atelier Aires Mateus & Associados, que apresenta a Biblioteca e Centro de Artes, Sines (1999-2005); Anne Lacaton e Jean-Philipe Vassal, do atelier Lacaton & Vassal, apresentam o projecto Palais de Tokyo, Paris (2001) ; Elizabeth Diller e Ricardo Scofidio apresentam o ICA, Boston (2003/2006) e EyeBeam Museum of Art and Technology, Nova Iorque (2002) ; Tony Fretton apresenta o Centro de Artes de Camden, Londres (2004), o Centro de Artes Visuais, Sway (1996), e a Galeria Lisson, Londres (1986 e 1992); e, a encerrar a sessão, Siza Vieira que apresenta diversos projectos de museus e espaços de exposição."
Preço normal: 200 euros
Preço estudante: 120 euros (não inclui estudantes de pós graduações, mestrados e doutoramentos)
inclui: tradução simultânea, almoços, cofee break, documentação
Mais baratinho é ficar na biblioteca ou na sala multi-usos onde a conferência será transmitida em grande formato. Custo: 60 euros (não inclui tradução simultânea)
Mais informações:
Liguem porque na net não há nada! 808 200 543
serralves | porto
Nos dias 27 e 28 de Maio, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, vai ser o palco de um simpósio internacional de arquitectura sobre o tema “Museus de Arte”.
A proposta é reflectir sobre a forma como se projectam estes espaços a partir da apresentação de projectos, recentemente concluídos, por um grupo de arquitectos de prestígio internacional. O simpósio é uma iniciativa paralela à exposição “Álvaro Siza - Expor: Projectos para Museus e Espaços de exposição” que mostra trabalhos concebidos nos últimos 10 anos para museus ou espaços de exposição escolhidos pelo arquitecto, entre os quais se destacam o próprio Museu de Serralves, o Centro Galego de Arte Contemporânea (Espanha), a Fundação Iberê Camargo (Brasil) e os diversos projectos realizados para a ampliação do Stedelijke em Amsterdão.
A iniciativa é da Ordem dos Arquitectos – Sub Região Norte da Fundação de Serralves. Na sexta-feira, as sessões decorrem das 9h às 18h30 com Meinrad Morger e Heinrich Degelo responsáveis pelo Museu de Arte de Lichtenstein (2002); Stephane Beel autor do Roger Raveel Museum, em Machelen, Bélgica; Paulo David autor do Casa das Mudas, na Calheta, Madeira (2004); Kazuyo Sejima/Ryue Nishizawa, do atelier SANAA - Sejima and Nishizawa Architects & Associates, autores do Museu de Arte Contemporânea do Séc. XXI, Kanazawa, Japão (1999-2004); e Mendes da Rocha, em videoconferência, responsável pelo Museu Brasileiro da Escultura - MUBE, São Paulo, Brasil (1998). No sábado as sessões começam às 10h30 com o arquitecto português Aires Mateus, do atelier Aires Mateus & Associados, que apresenta a Biblioteca e Centro de Artes, Sines (1999-2005); Anne Lacaton e Jean-Philipe Vassal, do atelier Lacaton & Vassal, apresentam o projecto Palais de Tokyo, Paris (2001) ; Elizabeth Diller e Ricardo Scofidio apresentam o ICA, Boston (2003/2006) e EyeBeam Museum of Art and Technology, Nova Iorque (2002) ; Tony Fretton apresenta o Centro de Artes de Camden, Londres (2004), o Centro de Artes Visuais, Sway (1996), e a Galeria Lisson, Londres (1986 e 1992); e, a encerrar a sessão, Siza Vieira que apresenta diversos projectos de museus e espaços de exposição."
Preço normal: 200 euros
Preço estudante: 120 euros (não inclui estudantes de pós graduações, mestrados e doutoramentos)
inclui: tradução simultânea, almoços, cofee break, documentação
Mais baratinho é ficar na biblioteca ou na sala multi-usos onde a conferência será transmitida em grande formato. Custo: 60 euros (não inclui tradução simultânea)
Mais informações:
Liguem porque na net não há nada! 808 200 543
22 May 2005
start over is no way to begin
hhhmmm, cof cof... vamos lá, outra vez.
Eu sempre adorei viajar. A culpa é obviamente dos meus pais que me enfiaram num avião para a Grécia quando eu tinha 13 anos e provavelmente terei ficado maravilhada com a novidade e para sempre com o bicho carpinteiro das viagens.
A minha paixão levou-me das viagens do liceu a muitos destinos, da passeata com a mãe por Espanha, pelo curso de inglês em Inglaterra ao interrail.
Na faculdade apostei mais alto e fiz erasmus na Noruega, o meu primeiro choque cultural a sério.
Saberão muitos de vós que assim que se põem o pé por algum tempo lá fora e a experiência é altamente positiva, o bichinho transforma-se num monstro e assim que voltei para Portugal já só queria era sair outra vez...
Não ajudou ser estudante de arquitectura, uma missão (ou na maior parte das vezes uma cruz) que precisa de ser alimentada constantemente com novas maneira de ver, construir, ser...
Não ajudou ser estudante de arquitectura num país em depressão com professores a condizer que insistem que mostrar sempre o lado negro da profissão é ajudar-nos para o futuro...
Mas na realidade o que não ajudou fui mesmo eu que quero sempre mais e quero sempre diferente e tenho síndrome de peter pan...
A minha última aposta foi o Japão, um programa de intercâmbio, uma oportunidade única que agarrei com todos os dentes.
Em geral tudo o que eu temia antes de ir para o Japão não se verificou e muito do que eu achava que ia acontecer não aconteceu.
Uma mudança tão radical como o Japão tem esse maravilhoso condão de nos dar completamente a volta, arrasar todas as certezas e fazer-nos pensar e questionar tudo até ao rebentamento dos fusíveis do cérebro.
Não rebentei fusível nenhum, mantive a minha sanidade mental, e agora voltei.
Mas continuo lost in translation.
Mantive um blog enquanto estive no Japão, que poderão visitar aqui, e adorei a experiência, ajudou-me a entender muito pelo que estava a passar.
Mantê-lo deixou de fazer sentido, por isso, para continuar a entender pelo que estou/vou passar agora que voltei, criei este novo blog.
Pufff... a partir daqui sou eu às voltas a tentar encontrar o meu lugar.
Sigam o meu voo se quiserem.
Eu sempre adorei viajar. A culpa é obviamente dos meus pais que me enfiaram num avião para a Grécia quando eu tinha 13 anos e provavelmente terei ficado maravilhada com a novidade e para sempre com o bicho carpinteiro das viagens.
A minha paixão levou-me das viagens do liceu a muitos destinos, da passeata com a mãe por Espanha, pelo curso de inglês em Inglaterra ao interrail.
Na faculdade apostei mais alto e fiz erasmus na Noruega, o meu primeiro choque cultural a sério.
Saberão muitos de vós que assim que se põem o pé por algum tempo lá fora e a experiência é altamente positiva, o bichinho transforma-se num monstro e assim que voltei para Portugal já só queria era sair outra vez...
Não ajudou ser estudante de arquitectura, uma missão (ou na maior parte das vezes uma cruz) que precisa de ser alimentada constantemente com novas maneira de ver, construir, ser...
Não ajudou ser estudante de arquitectura num país em depressão com professores a condizer que insistem que mostrar sempre o lado negro da profissão é ajudar-nos para o futuro...
Mas na realidade o que não ajudou fui mesmo eu que quero sempre mais e quero sempre diferente e tenho síndrome de peter pan...
A minha última aposta foi o Japão, um programa de intercâmbio, uma oportunidade única que agarrei com todos os dentes.
Em geral tudo o que eu temia antes de ir para o Japão não se verificou e muito do que eu achava que ia acontecer não aconteceu.
Uma mudança tão radical como o Japão tem esse maravilhoso condão de nos dar completamente a volta, arrasar todas as certezas e fazer-nos pensar e questionar tudo até ao rebentamento dos fusíveis do cérebro.
Não rebentei fusível nenhum, mantive a minha sanidade mental, e agora voltei.
Mas continuo lost in translation.
Mantive um blog enquanto estive no Japão, que poderão visitar aqui, e adorei a experiência, ajudou-me a entender muito pelo que estava a passar.
Mantê-lo deixou de fazer sentido, por isso, para continuar a entender pelo que estou/vou passar agora que voltei, criei este novo blog.
Pufff... a partir daqui sou eu às voltas a tentar encontrar o meu lugar.
Sigam o meu voo se quiserem.
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