Na questão do aborto a ser referendada em Janeiro talvez, não pretendo entrar em qualquer debate, não quero mudar a opinião de ninguém, nem sequer discuti-la. Exaspera-me. Irrita-me.
Não faz qualquer sentido sequer um referendo e, no meio disto tudo, entristece-me termos um governo cobarde que se deixa manipular por lobbys, preconceitos e medos conservadores e a Igreja. Parece grande feito realizar-se novo referendo quando se devia mudar a lei logo e pronto. Para quê tanta hipocrisia?
Há 8 anos, tinha eu 18 anos e não pude votar, já estava recenseada mas não inscrita nos cadernos eleitorais. Lembro-me de estar sozinha em casa com um caderninho para apontar previsões e estatísticas. E de ter dito que se o Não ganhasse mudava de país. Se agora o Não ganhar de novo, não é isso que me fará mudar de país mas far-me-á sentir cada vez mais estrangeira no meu próprio país.
Mas pelo menos vai ser a primeira vez que nem vou hesitar no lugar da cruz.
30 October 2006
27 October 2006
um post parvo sobre a vida lá fora
Sim, o sol brilha lá fora e eu aqui dentro. Já esgalhei umas desculpas que me "obriguem" a ter que sair em horário de expediente (é preciso entregar esse pacote? nada de estafetas, eu vou lá!) Sim, o sol brilha lá fora e hoje é dia 27 de Outubro. Sim apetece-me cair nos clichés todos de "o tempo neste país é realmente magnífico". Mas é, é mesmo!
Penso na Anne amiga alemã que deve estar neste momento a passear por Belém e a carregar as baterias solares antes de voltar para Oslo. Sim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, já anoitece lá para as 16 e estão menos 10º. Ainda não começou a nevar mas convém andar com umas luvas na carteira. A falta de sol está na origem de uma série de mal-estares e cria cansaço. Assim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, compram-se umas lâmpadas que projectam uma luz equivalente à luz do dia para compensar a falta de luz solar. Para se sobreviver ao Inverno.
Ahh, a vida lá fora não brilha tanto como queremos acreditar! Agora este sol de outono é mesmo magnífico!
Penso na Anne amiga alemã que deve estar neste momento a passear por Belém e a carregar as baterias solares antes de voltar para Oslo. Sim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, já anoitece lá para as 16 e estão menos 10º. Ainda não começou a nevar mas convém andar com umas luvas na carteira. A falta de sol está na origem de uma série de mal-estares e cria cansaço. Assim, em Oslo, capital desse país escandinavo, rico, moderno e desenvolvido que é a Noruega, compram-se umas lâmpadas que projectam uma luz equivalente à luz do dia para compensar a falta de luz solar. Para se sobreviver ao Inverno.
Ahh, a vida lá fora não brilha tanto como queremos acreditar! Agora este sol de outono é mesmo magnífico!
20 October 2006
are you ready now?
yes, I'm ready now
You couldn't change
you wouldn't understand
but I'm ready now I'm ready now
I'll make you proud I was your man
cos I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
Hey I'm ready now
You couldn't change
you wouldn't understand
but I'm ready now I'm ready now
I'll make you proud I was your man
cos I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
I'm ready now
Hey I'm ready now
19 October 2006
felizes os ignorantes porque deles é o reino dos céus
Às vezes não sei se conhecer meio mundo não é mais um castigo que uma benção.
17 October 2006
13 October 2006
new order
Nos dias de histeria euromiliária, marcava os número ao som de Touched By The Hand of God, caminhava até à tabacaria com True Faith nos ouvidos, mas temia Ruined In a Day enquanto largava as moedas no balcão e inevitavelmente a banda sonora de sábado era Regret.
protesto geral
Dou por mim involuntariamente a relembrar tempos de manifestações, eu que cresci a ouvir (e provavelmente a gritar também) CGTP, unidade sindical nesses loucos anos 80, sou apanhada na Avenida por uma massa de gente que pôs o trânsito em Lisboa num caos ainda maior que o costume e que gritava. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados. Sinto uma nostalgia de passear às cavalitas do meu pai e de quando quase fui espezinhada num Primeiro de Maio em que desabou o céu sobre Lisboa. E sinto uma nostalgia de quando não sentia estas frases como ocas e vazias e estas manifestações sem efeito e penso como me tornei tão céptica e distante tão nova e porque é que eu não acredito. Desiludo-me comigo.
Rio-me com um tipo que, com um brilhante sentido de oportunidade, distribui por entre os manifestantes panfletos que perguntam "Está a ganhar o que merece? Farto de trabalhar para os outros? Mude a sua vida... saia da crise! Faça-o HOJE".
Páro no supermercado 4 americanas rejubilam de felicidade quando descobrem o "matuch" a 1,39 €. Espreito e vejo o rosé manhoso. Tenho vontade de lhes dizer que aquilo não é vinho. Os manifestantes compram água para acalmar a garganta e continuarem. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados.
Eu regresso ao meu trabalho. Com uns iogurtes para o lanche e um panfleto no bolso.
Rio-me com um tipo que, com um brilhante sentido de oportunidade, distribui por entre os manifestantes panfletos que perguntam "Está a ganhar o que merece? Farto de trabalhar para os outros? Mude a sua vida... saia da crise! Faça-o HOJE".
Páro no supermercado 4 americanas rejubilam de felicidade quando descobrem o "matuch" a 1,39 €. Espreito e vejo o rosé manhoso. Tenho vontade de lhes dizer que aquilo não é vinho. Os manifestantes compram água para acalmar a garganta e continuarem. Trabalhar até morrer, aqui não pode ser, O custo de vida aumenta, o povo não aguenta, Trabalho sim, desemprego não, Direitos adquiridos não podem ser roubados.
Eu regresso ao meu trabalho. Com uns iogurtes para o lanche e um panfleto no bolso.
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